Kia Stonic GT Line vs Nissan Juke Enigma

Personalidades (bem!) vincadas

CONFRONTO

Por Paulo Sérgio Cardoso 18-04-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Pequenos SUV repletos de personalidade, equipamento e tecnologia, com preços entre os 21.500 e os 22.600 €? Juntámos duas das mais recentes novidades, em que a Kia propõe o Stonic com a assinatura desportiva GT Line e motor 1.0 turbo a gasolina de 120 cv com caixa automática e tecnologia mild hybrid; e em que a Nissan envolve o carismático Juke 1.0 DIG-T de 114 cv numa série especial repleta de pormenores (que fazem a diferença?) e de nome sugestivo: Enigma…

Seja pela versatilidade acrescida ou (principalmente…) pelo estilo, os pequenos SUV estão, aos poucos, a tomar o lugar dos tradicionais citadinos, mesmo que essa troca de interesses implique abrir um pouco mais a mão das poupanças familiares. Mas essa é também uma das vantagens dos modelos que aqui trazemos, de preços relativamente contidos, resultado das campanhas comerciais que Kia e Nissan alocam a Stonic e Juke, respetivamente. Mas já lá vamos.

A marca sul coreana estendeu agora a assinatura GT Line ao Stonic, que se traduz numa identidade visual mais desportiva e a cargo de elementos únicos, caso dos para-choques e da grelha frontal com três entradas de ar e iluminação LED extensível dos principais grupos óticos às luzes de nevoeiro. À frente e atrás, as zonas inferiores estão marcadas por uma faixa de acabamento metalizado. As capas de retrovisor surgem a negro e podem combinar com a cor do tejadilho (personalizável, a preto ou vermelho, a troco de 600 € em vez dos 400 € da pintura metalizada de um só tom). O design das jantes de 17’’ são exclusivos do acabamento GT Line. Por dentro, são os bancos forrados num misto de tecido e pele com costuras contraste em branco, bem como o volante com pega em pele perfurada (assinatura GT Line na base) e os ares a fibra de carbono na faixa central do tablier a pintalgar de desportivo este Stonic.

Um Juke… enigmático!

Com a série especial Enigma, a Nissan preparou um Juke (ainda) mais fashion, de cores contraste, em que a tonalidade negra das enormes jantes de 19’’ (os excelentes e aderentes GoodYear Eagle F1 225/45 R19 podem sair caros na altura de trocar pneus!) combinam com a pintura do tejadilho e capas dos retrovisores. O conjunto nipónico é todo ele mais rico em pormenores e assente num design diferenciado, caso da linha descendente do tejadilho, ao estilo coupé, com os puxadores das portas traseiras dissimulados, onde não falta o logo “Enigma” inscrito no pilar “C” e uma faixa decorativa lateral em vinil (entre tejadilho e portas) com acabamento a fazer lembrar a presença de carbono. Imagem bem aprimorada, já com pequenos laivos premium, extensível ao interior, com bancos (em tecido) de formato integral que contribuem para uma posição de condução que além de correta e com a necessária elevação de SUV em relação à estrada, consegue ao mesmo tempo ser envolvente e desportiva. As aplicações em pele nas portas e no tablier permitem que imagem e qualidade geral do habitáculo surjam de mãos dadas.

Outra das particularidades da versão Enigma é o acréscimo de funcionalidades do sistema multimédia (que tal como no Kia Stonic aceita ligações Apple CarPlay e Android Auto, em ambos os casos, em monitores táteis de 8’’), agora compatível com a Alexa da Amazon – assistente virtual residencial que através de comandos vocais permite, por exemplo, comandar o funcionamento dos estores elétricos, gerir a temperatura da climatização ou acender/apagar luzes de casa. Ou seja, o Juke pode ser adicionado e monitorizado através da conta/registo da Amazon, com o utilizador a poder interagir com o veículo, à distância, através da Alexa, podendo, por exemplo, enviar uma morada de destino diretamente para o sistema de navegação do Juke.

No restante equipamento de série, Kia Stonic GT Line e Nissan Juke Enigma estão (e bem!) equiparados, com muitas ajudas à condução, caso de aviso de colisão com travagem emergência e assistente de manutenção de faixa, sendo que o Kia acrescenta a comutação automática entre médios e máximos e o Juke oferece o reconhecimento de sinais de trânsito e travão de mão elétrico. Câmara traseira de ajuda ao parqueamento, iluminação exterior totalmente em LED, ar condicionado automático, chave mãos-livres, espelho retrovisor interior com anti-encandeamento automático e vidros escurecidos compõem a vasta oferta de ambos, pouco usual em veículos deste género e faixa de preço.

Kia Stonic MHEV

Para animar a versão GT Line, a motorização 1.0 turbo de 120 cv do Stonic surge associada a sistema de 48V com tecnologia mild hybrid (MHEV), que contribui para a melhoria de desempenho entre o motor e a caixa automática de dupla embraiagem de sete velocidades. Se selecionado o modo de condução Eco, a função velejar não desacopla apenas a transmissão do motor, como permite que este se desligue totalmente até aos 125 km/h, voltando a acordar assim que um dos pedais seja pressionado, o que permite fixar os consumos médios reais na ordem dos 6 litros/100 km. A ação regenerativa – bateria de polímeros de iões de lítio alojada sob o piso da mala – é bastante evidente, com forte efeito travão/motor que por vezes tem influência negativa na fluidez da condução, sendo que o funcionamento do circuito energético pode ser acompanhado através de grafismo no computador de bordo, na zona central do painel de instrumentos. O motor e a caixa permitem quer uma condução prática e despachada no quotidiano, como ritmos bem vivos na exploração dos 120 cv, com o motor (aqui de 200 Nm em vez dos 170) a apresentar inesperada vitalidade nos altos regimes, que fortalece as retomas de velocidade em situações de ultrapassagem.

Nissan Juke é mais SUV

Maior em todas as dimensões exteriores e com bagageira mais versátil (dupla plataforma de carga) e de superior volumetria (422 vs 332 litros) o Nissan Juke é mais… SUV. As rodas de grandes dimensões ajudam a filtrar muitas das reações adversas que o mau piso pudesse levar ao habitáculo, refinando a condução, sempre com superior conexão com a estrada via direção precisa e consistente. Mas o motor 1.0 turbo de 114 cv (de arquitetura 3 cilindros, tal como no Kia), de trato refinado e bem insonorizado, não é tão expedito nos baixos regimes como a mecânica coreana, tendo ainda de lidar com o superior arrasto do diâmetro das rodas (não há bela sem senão…). Não será de estranhar ‘deixar o carro ir a baixo’ em alguns arranques se selecionado o modo de condução mais ecológico! Como tal, o Juke 1.0 DIG-T pede sempre ‘mais acelerador’, o que culmina em consumos médios algo elevados, que facilmente tocam a casa dos 7 litros por cada 100 km percorridos.

Em resumo (e fazendo contas!)

Kia (sete anos ou 150.000 km de garantia geral) e Nissan (3 anos ou 100.000 km de garantia) têm no ativo atrativas campanhas promocionais para estes modelos. Mediante solução de financiamento interno, o importador da marca sul coreana propõe o Stonic GT Line 1.0 T-GDi com caixa 7DCT por 21.450 € (19.950 € com caixa manual), ou seja, menos 5000 € face ao preço de tabela. Do seu lado, a Nissan propõe o Juke Enigma 1.0 DIG-T de 114 cv por 22.600 €, ou seja, com desconto direto de 3080 €, que pode ser acrescido de 1000 € mediante aquisição via financiamento. Ou seja, dois bons negócios que aliam a originalidade das formas e dos conteúdos à versatilidade do conceito SUV. Na relação custo/benefício, o Kia Stonic sai beneficiado pela presença da caixa automática, alargada garantia geral e consumos mais contidos. Maior, o Nissan Juke cumpre melhor as funções de carro de família e apresenta superior qualidade de condução, ao ser mais refinado, silencioso, confortável e robusto. As modernas soluções ergonómicas interiores são resultado de um automóvel de conceção mais recente.

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