Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio

Coração, precisa-se!

TESTE

Por José Caetano 04-04-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

A Alfa Romeo, meia dúzia de anos depois da introdução de automóvel que marcou o início de era, introduziu a primeira atualização no Giulia. O Quadrifoglio ganha tecnologias que valorizam a experiência de condução e mantém o V6 2.9 biturbo com 510 cv. Uma máquina apaixonante…   

A Alfa Romeo, nos números da produção e das vendas, não consegue aproximar-se das adversárias diretas alemãs (Audi, BMW e Mercedes), as três referências entre as marcas com estatutos e posicionamentos premium, mas a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) insiste nos investimentos em marca que celebrou 110 anos em 2020 e tem adeptos e clientes muito fiéis nos quatro cantos do Mundo, conhecedores do peso de emblema importante na história do automóvel.

Como o Giulia é um pilar do plano, novidades na berlina de 2015. Objetivo da empreitada: melhorar a imagem e o equipamento, com progressos tanto da perceção de qualidade do cockpit como nos apoios à condução, com mais sistemas eletrónicos ativos que reduzem os riscos de acidentes por distrações. A base técnica da berlina mantém-se. Trata- se da plataforma Giorgio, arquitetura de tração traseira muito moderna! Na edição-2020, sistema multimédia novo da Magnetti Marelli, comandos e seletor da caixa redesenhados e, no centro do painel, ecrã de 8,8’’ com controlo tátil direto (alternativamente, botão instalado na consola entre os bancos dianteiros). O programa admite personalização/ reorganização dos menus e disponibiliza acessos diretos às funções prioritárias. Combinando-se mais precisão com melhor apresentação gráfica, valoriza- se a ergonomia e a facilidade e rapidez de seleção.

O Alfa Romeo também progride na conetividade e ganha compartimentos novos para arrumações e superfície para recargas por indução de telemóveis, mas a cereja no topo do bolo é a geração mais recente da tecnologia ADAS da Bosch, com sistema de apoio ativo à condução em vez de programa de informação com capacidades limitadas. Associando câmara central a radar dianteiro e diversos sensores, este dispositivo inclui regulador de velocidade que atua até 160 km/h em autoestrada e 60 km/h em cidade (alerta-nos para a violação de limites por reconhecer a sinalização), travagem de emergência, assistente de manutenção no centro da faixa e monitorização de ângulos mortos dos retrovisores exteriores. Na ausência de reação preventiva no volante, intervenção na direção e correção da trajetória. Assim, condução autónoma de Nível 2.

Por fim e não menos importante, atualizou- se o software dos modos de condução selecionados no controlo rotativo do DNA. O programa de movimento por inércia ativa-se no Normal ou no Advanced Efficiency, privilegiando a moderação no consumo às performances. No mesmo comando, em botão ao centro, ativa-se ou desativa-se o nível mais firme do amortecimento.

Imagem emocionante, chassis e motor excitantes

No Giulia Quadrifoglio, que perdeu o título de topo de gama para as versões GTA e GTAm, a Alfa Romeo combina imagem emocionante com recursos técnicos excitantes. Este automóvel é apaixonante quer na imagem, quer nos números, que são bombásticos, por contar com V6 2.9 biturbo com o dedo da Ferrari: 510 cv, 3,9 s de 0 a 100 km/h e 307 km/h. Os desportivos, dizem os fãs puristas, compram-se com caixas manuais, por ligarem mais o condutor à máquina, mas o sistema automático de 8 velocidades comporta-se meritoriamente. Selecionando-se o programa manual, passagens sequenciais das relações em patilhas XXL integradas na coluna da direção – acompanham-nas a sonoridade inebriante das ponteiras de escape. No volante, botão da ignição, apontamento diferenciador.

O V6 da Alfa Romeo reage energicamente ao pedal do acelerador (600 Nm entre as 2500 às 5000 rpm garantem poder de fogo incrível, sobretudo nos regimes médios, característica que permite ganhar velocidade de forma fácil e rápida (vide medições na ficha técnica!). A mecânica tem tecnologia que desliga bancada de cilindros quando o ritmo da condução é relaxado. Modera-se o consumo, sim, mas ignorem-se os 10,4 l/100 km declarados pela marca italiana. Trata-se de média impossível...

Na construção do Giulia, materiais de primeira, incluindo alumínio e fibra de carbono. Esta combinação, nobre, garante aumento da rigidez que valoriza o conforto e a dinâmica e reduz o peso, igualmente em benefício do comportamento de automóvel com tração apenas às rodas traseiras. A repartição de massas é equitativa pelos eixos e o sistema Chassis Domain Control (CDC) combina a atuação da vectorização do binário com o funcionamento da aerodinâmica ativa (à frente, na parte inferior do para-choques, o active aero splitter melhora os apoios em curva). Existem quatro modos de condução (o Race é exclusivo) que influenciam caixa, controlo de estabilidade e V6, tornando-os mais ou menos reativos.

A condução é (muito!) exigente, devido à dose massiva de energia transmitida às rodas traseiras, mas o comportamento do Giulia Quadrifoglio diverte-nos e surpreende-nos. Mérito de chassis soberbo: direção rápida, travões sobredimensionados potentes e resistentes à fadiga e suspensão ativa preparada à medida. Devido à atuação do autoblocante, potência no asfalto, tração incrível (pneus Michelin Pilot Super Sport hiperaderentes) e agilidade e precisão fora de série. A eletrónica atua apenas no limite da aderência, o que assegura liberdade de ação q.b., exceto no modo Race do DNA, extremo e permissivo. Selecionando-o, exige-se-nos experiência (e prudência!).

O Alfa Romeo Giulia é concorrente das versões de topo de Série 3, Classe C & Cia. e, na versão Quadrifoglio, tem argumentos técnicos ou tecnológicos mais do que suficientes para competir com os adversários alemães, os campeões de vendas no segmento médio. Cumprindo regra na marca, o desenho exterior é apaixonante, a mecânica formidável e a dinâmica excitante. Na edição nova, (ainda) mais e melhores recursos!

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