VW Golf 2.0 TDI

Digital

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Por José Caetano 21-02-2021 08:25

Fotos: Gonçalo Martins

Na VW, 8.ª geração do automóvel mais bem-sucedido comercialmente na história da marca. Baseia-se em versão otimizada da arquitetura técnica do antecessor, mas tem desenho mais atrativo e moderno, interior digitalizado e muitos conteúdos novos. À prova, versão com motor 2.0 TDI de 115 cv

O Golf é o segundo carro mais importante na história muito longa da VW – mais, provavelmente, apenas o Beetle, o modelo que acelerou a democratização da mobilidade na Europa! E soma-lhe o estatuto de automóvel mais bem-sucedido comercialmente no Velho Continente. Em 2019, mesmo registando redução na procura (8%), talvez por encontrar-se em final de ciclo (o lançamento da 7.ª geração remontava a 2012), comportamento comercial que contrastou com o aumento de 1,1% no número de matrículas nos 27 estados-membros da União, venderam-se 410.330 exemplares. O segundo modelo da tabela, o Renault Clio, atraiu apenas 319.136 clientes. Seguiu-se 2020 com pandemia que quase parou o Mundo e tornou irrelevantes todas as comparações estatísticas. Ainda assim, aqueles números, impressionantes, ilustram a importância estratégica da referência entre os compactos para fabricante que não cedeu à tentação de acelerar o desenvolvimento de automóvel novo, independentemente do período difícil que vive, com investimento massivo na produção de gama de elétricos (ID) para posicionar-se na linha da frente da mudança de paradigma no setor e colocar ponto final na crise originada pelo escândalo de manipulação dos gases de escape em milhões de motores a gasóleo.
 


Sim, concorda-se, a 8.ª geração do Golf impunha-se, mas o programa desenvolveu- se sob pressão anormal. A VW, para satisfação das expectativas novas dos europeus, ainda os consumidores mais exigentes do Mundo, abordou-o com muita inteligência e pragmatismo, privilegiando a digitalização e a eletrificação do automóvel. Todavia, prudentemente, apostou numa evolução, não numa revolução! Explica-se, assim, a manutenção da plataforma do antecessor (MQB), numa variante otimizada q.b. (Evo) para permitir a introdução de conteúdos mais modernos, sobretudo em matéria de assistências eletrónicas à condução e sistemas de info-entretenimento.

Visualmente, este Golf 8 diferencia-se q.b. do antecessor, com a modernização das linhas exteriores sublinhadas pelo recurso à tecnologia LED para todas as funções da iluminação. No habitáculo, sim, automóvel muito diferente. O Cockpit Digital proposto de série garante apresentação nova ao painel de bordo, por combinar instrumentação de vanguarda, que permite configuração à medida das preferências do condutor e não integra quaisquer elementos analógicos, com o ecrã de 10’’ do info-entretenimento. O monitor tem comandos táteis e vocais e concentra as ordens de muitas funções do automóvel. A VW empenhou-se na conceção de menus intuitivos, mas a fórmula exige período de adaptação – e carro parado para selecionarmos vários programas de forma segura (para desligarmos o controlo de tração, por exemplo, entre menus e submenus, precisamos de realizar uma mão cheia de movimentos!). O painel de instrumentos tem 10,25’’ e concentra a informação essencial para a condução. E, pela primeira vez no Golf, pode complementar-se com o projetor de dados no para-brisas (Head-Up Display). No painel, abaixo do monitor tátil de sistema de info-entretenimento preparado para sincronização com os smartphones Android Auto e Apple Car-Play, quatro comandos garantem acessos diretos a funções importantes: programa de apoio ao parqueamento, assistências eletrónicas à condução, climatização e Perfis de Condução (Eco, Comfort, Sport e Individual), sistema que regula os funcionamentos de suspensão, direção, motor, regulador de velocidade ativo e ar condicionado. E fá-lo de forma combinada ou individualmente, de acordo com as preferências. Entre as funcionalidades, indicações para promoção da eficiência – para aumento da economia de combustível, recomenda o encerramento dos vidros, a mudança de relação de caixa, a redução da pressão no pedal do acelerador, etc.

O investimento em tantas tecnologias exigiu alguns compromissos, para controlo dos custos de produção, quase sempre refletidos nos preços a pagar pelos clientes. Para garantia da competitividade comercial do Golf, a VW reduziu a qualidade de alguns revestimentos, encontrando-se plásticos duros a mais no habitáculo, maioritariamente fora do alcance da vista (painéis das portas e pilares centrais, por exemplo). A habitabilidade também piora, ligeiramente, encontrando-se menos espaço para pernas nos bancos de trás. Porém, trata-se só de um pormenor… Na categoria, não há muito melhor. A capacidade da bagageira mantém-se nos 380 litros, mas o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros, movimento fácil, cria um compartimento com 1237 litros. A plataforma de carga tem duas posições em altura. na mais alta, o piso apresenta- -se ao mesmo nível dos encostos rebatidos, o que facilita tanto a arrumação como as cargas e as descargas. Sob esta estrutura, espaço adicional para objetos, com profundidade máxima de 10 cm.

Dinamicamente, o VW Golf 8 não surpreende... Apresentando-se ou não equipado com o sistema de amortecimento adaptativo (o DCC também figura entre os opcionais), este compacto é muitíssimo equilibrado, combinando agilidade, estabilidade, precisão e segurança com conforto de rolamento. O turbodiesel de 2 litros contribui para a impressão positiva de refinamento e suavidade, qualidades que sublinhamos, na comparação com o antecessor, mas não gostámos do tato mais áspero e rude do seletor da caixa manual de 6 velocidades, que tem escalonamento adaptado às características de mecânica que reage de forma expedita aos movimentos no pedal do acelerador e 6.ª longa para diminuição dos consumos e do ruído de funcionamento em autoestradas e estradas. Para descontaminação dos gases de escape, recurso a aditivo (AdBlue) com depósito específico que exige reabastecimento regular.

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