O desprezo pelo setor automóvel

ACAP contra fim dos benefícios fiscais aos híbridos e equaciona ‘marcha sobre Lisboa’! E novidades? Nenhuma!

Opinião

Por José Caetano 01-12-2020 17:09

António Costa & Cia., para assegurarem abstenção do PAN que garantisse aprovação do Orçamento do Estado de 2021, avançaram para decisão capaz de implodir o setor automóvel: fim dos benefícios aos híbridos que não percorram 50 km elétricos ou não emitam menos de 50 g/km de CO2, assim colocando fora de jogo uma geração nova de carros.

O presidente da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) diz-se muito surpreendido com os acontecimentos, alerta para o aumento da facilidade de importação de usados (valem 40% das matrículas) e admite até a “invasão de Lisboa para sermos ouvidos”. E José Ramos não é adepto de “atitudes musculadas”.

Percebe-se melhor deceção que é indignação do que a reação. Independentemente da cor do(s) partido(s) com a gestão do país nas mãos, o automóvel não é (nunca foi) mais do que galinha dos ovos de ouro! ISP, ISV, IVA e IUC, em 2019, representaram 21% das receitas fiscais (mais de 9000 milhões de euros). Logo, o incumprimento dos limites de emissões poluentes na União Europeia ou o decréscimo nas vendas (37% em 2020, na comparação com 2019), preocupam muito menos do que a solvência das empresas e o emprego! A fórmula é velha: contra a quebra na procura, mais impostos!

Os híbridos, por contarem com máquinas elétricas que assistem o funcionamento dos motores de combustão interna a gasolina e gasóleo, consomem menos combustível e emitem menos gases de escape, por isso promovendo a proteção ambiental… Sim, os números dos fabricantes são inferiores aos da condução no quotidiano, mas isso não explica a caça às bruxas! Os automóveis novos têm certificados de homologação que pressupõem o cumprimento de oito dezenas de diretivas e regulamentos com origem na União Europeia. O adeus dos incentivos é desistência de tecnologia sem alternativa, estímulo à compra de carros mais antigos e menos eficientes e seguros.

A idade do parque automóvel português é de 12,8 anos, 2,8 anos mais do que a média na Europa. Muitíssimo preocupante: há mais de um milhão de viaturas com mais de 20 anos em circulação nas nossas estradas. Ontem, na Assembleia da República, Governo e Partido Socialista cederam a exigência do PAN que contraria todas as recomendações europeias e ignoraram o maior exportador nacional, as empresas, o emprego, a ACAP! A associação, para levantar a voz, mais do que queixar-se, tem de reinventar-se. Até lá, ouvidos moucos às propostas para reintrodução dos incentivos ao abate, cada vez mais contradições e contrassensos.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Opinião