Uma pandemia igual a um furacão

Opinião

Por José Caetano 13-04-2020 13:43

Recessão de 2008 exigiu muito dos fabricantes, mas preparou-os para o caos… Ainda assim, duvida-se da capacidade de resistência à violência do vento da COVID-19, com as vendas a recuarem para níveis do pós-II Guerra Mundial

 

A Europa agoniza, parada, confrontada com pandemia arrasadora para a economia. Na indústria automóvel, motor económico do Velho Continente, depois da batalha contra a COVID-19, que ganharemos todos, tempo de guerra. No final do túnel, lusco-fusco…! À vista, crise devastadora com tantas consequências previsíveis como imprevisíveis. Os fabricantes preparam-se para tempos dificílimos, de retrocessos em vez de progressos.

Os números das vendas antecipam-nos. Depois do fevereiro mais negativo desde 2015, março demolidor…

 

Em Portugal, em estado de emergência apenas a partir de dia 18 – logo, matricularam-se muitas viaturas compradas antes do aparecimento do coronavírus novo –, registou-se redução de 59% nos registos, comparativamente ao mesmo mês de 2019. Em 2020, primeiro trimestre horrível, com travagem de 24%, ainda no frente a frente com o ano passado. E, comparando-nos com os cinco maiores mercados da região, menos mal…

 

Mas, na Europa, há pior, muitíssimo pior! Em Itália, o país do continente mais arrasado pela pandemia, vide número de infetados e mortes, o comércio e a indústria pararam a 9 de março. A violência extrema do furacão arrasou o mercado automóvel, que recuou quase seis décadas, com o registo do número mais reduzido de vendas em 59 anos (só 28.326 carros). Percentualmente, a quebra foi de 85%. Na linha do horizonte, mantêm-se as nuvens negras, antecipando-se, muito facilmente, abril (quase) sem matrículas.

 

Também em Espanha, sem surpresa!, vendaval, com colapso de 70,4%. Depois de anos de aumentos nas vendas, a COVID-19 expandiu-se rapidamente por todo o país, com a paragem de todas as atividades na origem de bloqueio sem antecedentes ao comércio de automóveis. Em França, números ainda piores, com os números a recuarem para os níveis de há 60 anos… No Reino Unido e na Alemanha, idem, aspas: menos 44% e 38%, respetivamente.

 

A Europa, no mercado automóvel, vive momento de incerteza com paralelo apenas no período pós-II Guerra Mundial. Então, o continente empenhava-se na reconstrução e a indústria participou na empreitada, ativamente. O momento garantiu oportunidade de ouro para acelerar o processo de democratização da mobilidade individual. Repetir-se-á a história?! Unidos na diversidade é a divisa da União, mas existem países muito mais solidários do que outros… Os Países Baixos, por exemplo, olham apenas para dentro. O egoísmo, legítimo, pagar-se-á económica, moral e socialmente. Adotando-se as vendas de carros novos como indicador, alarme! Em março, redução de 24,6% nas matrículas.

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