Cem anos é muito tempo!

Efeméride Citroën

Reportagem

Por João Ouro 25-01-2020 21:00

Não é todos os dias que se pode conduzir velhas glórias da Citroën e, em simultâneo, passar para o volante, tipo manche de avião, de alguns protótipos futuristas. Não é todos os dias...! E ainda para mais num local fechado no circuito de Paul Ricard, próximo da cosmopolita Marselha. «Oui are french» é a original frase que a Citroën encontrou para celebrar a sua história desde 1919, precisamente há 100 anos.

E esse slogan diz quase tudo, enaltecendo a origem francesa da marca e tornando-a igualmente universal, algo que a própria tradição não enjeita, quer pela consistência ao nível da inovação, quer pela prioridade que é dada ao conforto dos vários automóveis que produziu ao longo do tempo.

Ambos os conceitos fazem parte do código genético do construtor e a abordagem parece ter forma continuada nos futuros modelos, pelo menos a julgar pelos protótipos 19_19 e Ami One Concept, os quais sublinham inteiramente essa vertente da inovação (e de que maneira), sem prejuízo dos aspetos ligados ao conforto, à ergonomia e à funcionalidade. Como deve ser num... Citroën! Historicamente, aliás, a imagem da marca assenta nesses pressupostos, numa projeção que também se observa nos automóveis mais recentes, como é o caso do C4 Cactus e do C5 Aircross, entre outros. É claro que a dimensão do conforto abrange vários domínios prioritários, entre os quais se incluem, agora, as modernas tecnologias de assistência à condução, além da aplicação de novos materiais, assim como o desenvolvimento de novos formatos de bancos, além do recurso a suspensões evoluídas e a sistemas de conectividade mais avançados e digitais.

E é exatamente esta matriz que se vê nos novos protótipos que tivémos oportunidade de conduzir na pista de Paul Ricard, em França, embora por breves instantes e sem exageros ao nível da velocidade, até porque as unidades em causa são exemplares únicos e têm preços incalculáveis, que nem sequer os engenheiros quiseram desvendar um bocadinho. «Sem estimativas...!» disseram.

No caso do 19_19, o impacto visual é mesmo impressionante (como se vê pelas fotos), existindo vários detalhes quase estonteantes, embora a maioria sejam apenas teóricos, como é o caso do previsível head-up display a instalar em todo o vidro dianteiro (como nos aviõescaça) ou a futura voz/inteligência artificial (Hello Citroën) para controlo de todas as funções de bordo. Já a funcionar está a coluna central oscilante, tipo periscópio, que ativa o modo de condução 100% elétrico (inclui programa autónomo para mais tarde...), assim como os ecrãs nas portas com mensagens de boas vindas e o grande monitor por debaixo do tablier para ver filmes durante a viagem.

O habitáculo tem imensa luz devido à transparência da cápsula da carroçaria e está desenhado como se fosse uma verdadeira sala de estar, inclusive com vários formatos de bancos e assentos, o do passageiro assimétrico e do género chaise-longue. Original!

Com formas inspiradas na aeronáutica, a condução do 19_19 é suave e silenciosa, e a exigir delicadeza, a par do elevado conforto acústico, mesmo tratando- se de um modelo-protótipo, observando- se a estrada a passar por baixo dos pés. Devagar, muito devagar (50 a 60 km/h), é estranho que este autêntico exercício de estilo se possa mover como uma espécie de tapete voador, a fazer lembrar a reputação da marca. E, contudo, ele move-se! O volante não exige muito esforço para se mudar de trajetória e a aceleração é imediata, embora pouco eletrizante, a par de travagens nada bruscas. Maior cuidado a passar nas lombas e/ou corretores, e isto apesar da previsível aplicação dos denominados batentes hidráulicos progressivos, amplamente ligados aos novos Citroën.

Apesar disso, percebe-se que o 19_19 não está tão próximo da produção como, provavelmente, se encontra o Ami One Concept, este último com uma condução 100% elétrica parecida (100 km de autonomia), mas sem exceder 45 km/h, pelo que dispensa a carta de condução a partir dos 16 anos. Tem um formato cúbico, configuração descapotável e vários elementos do tipo puzzle, com módulos iguais, sendo possível trocar as portas da frente e inverter a sua abertura, por exemplo. O interior é moderno e amplo, inclusive com truques práticos e recantos para arrumações. Uma nova vivência do automóvel, claro!

Irresistível é a pureza de condução do Traction Avant, 1.º tração à frente do mundo (a célebre arrastadeira), cuja produção se manteve várias décadas (desde 1934), tendo estreado a suspensão hidropneumática. Como agora, passado e futuro ligados ao... conforto.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Reportagem