Um estudo (muito...) conveniente

Federação Europeia dos Transportes e Ambiente ‘ataca’ carros com motores Diesel (outra vez!)

Opinião

Por José Caetano 26-01-2020 19:50

A 18 de setembro de 2015, denúncia da manipulação das emissões poluentes nas mecânicas a gasóleo da VW, escândalo que não colocou apenas o fabricante alemão no olho de furacão… A fúria da tempestade aumenta em vez de diminuir, mesmo registando-se a introdução de geração nova de motores Diesel, com sistemas muito modernos de descontaminação dos gases de escape.


Na Europa, normas antipoluição cada vez mais restritivas. Em 2020, fabricantes obrigados a diminuírem, significativamente, consumos de combustível e emissões poluentes – no caso do dióxido de carbono (CO2), 95 g/km como limite para a média da frota. Como as emissões dependem dos consumos e os motores a gasóleo queimam menos combustível do que as mecânicas a gasolina, sem Diesel, impossível. 


Os consumidores reagiram, vide redução na procura dos Diesel, com perda de quota para os modelos a gasolina. Paralelamente, eletrificação prioritária, embora a democratização da tecnologia imponha massificação dependente de sucesso que exige incentivos à compra de modelos dispendiosos.


Ainda assim, mais pancada nos Diesel, de novo com a Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E) como protagonista. A entidade patrocinada pela portuguesa ZERO concluiu, após exames a Qashqai e Astra, que «o nível de poluição dos carros a gasóleo novos é mil vezes acima do normal».


Aquele nível regista-se nos picos da limpeza/regeneração dos filtros de partículas, equipamento adotado pela indústria em 2010. No continente, existem mais de 45 milhões de carros com o dispositivo – 775.000 no nosso País. O estudo concluiu que a operação não é contabilizada nos protocolos de homologação, beliscando a credibilidade dos resultados. A Federação, reconhecendo os méritos da tecnologia (ulalá!), argumenta que «apenas a retirada progressiva dos carros a gasóleo eliminará os problemas que as partículas originam, como o aumento dos riscos de cancro e doenças cardiorrespiratórias».


A regeneração dos filtros de partículas realiza-se em condições específicas, que dependem do tipo de equipamento. Este teste «encomendado», limitado e sem rigor científico, por adotar fórmula que não é a mesma do protocolo aprovado pela Comissão Europeia, soma demagogia a alarmismo na perseguição aos Diesel! A T&E ignora o contributo da indústria para a descarbonização do continente: desde 2005, nos gases de escape, menos 42%...

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