Fusão PSA-FCA: o negócio do ano

Português Carlos Tavares à frente do quarto maior fabricante mundial de automóveis

Opinião

Por José Caetano 18-01-2020 11:05

A indústria automóvel, confrontada com nuvens (muito!) negras na linha do horizonte, reage… Imposta politicamente, mais na Europa do que no resto do Mundo, a mudança no paradigma dominante há mais de 100 anos, com corrida à eletrificação para alguma hipótese de cumprimento de normas de proteção ambiental híper-restritivas, também pressupõe abandono da produção das mecânicas térmicas alimentadas por combustíveis fósseis. PSA e Fiat Chrysler Automobiles (FCA), fundindo-se, fortalecem-se, por garantirem economias de escala que diminuem os investimentos e aumentam as receitas e os lucros, pelo menos no plano teórico.


O processo de fusão iniciado com o Memorando de Entendimento assinado na semana antes do Natal consolidar-se-á durante 2020, com português no comando do consórcio industrial novo: Carlos Tavares, de 61 anos, foi nomeado para mandato de cinco anos para liderar o quarto maior fabricante de automóveis do Mundo! Em 2018 ou no período fiscal que terminou a 31 de março de 2019, PSA e FCA, combinadas, venderam 8,53 milhões de viaturas. Mais, apenas o Grupo Volkswagen (10,90 milhões), a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi (10,64 milhões) e a Toyota (10,60 milhões). A General Motors, n.º 1 entre 1931 e 2005 e em 2011, é 5.ª na tabela, com 8,38 milhões…


Esta fusão, em termos de participações acionistas, não penaliza PSA nem FCA. As empresas partilham 50% do consórcio novo e, também, a ambição e o objetivo de desenvolverem fórmulas inovadoras e sustentáveis para o futuro da mobilidade. Os fabricantes complementam-se: a PSA mantém posição sólida na Europa, com Citroën, Opel e Peugeot, a FCA tem-na na América do Norte e na América Latina, principalmente com as norte-americanas Chrysler, Dodge, Jeep e RAM. No futuro, confirmando-se as expetativas por trás do acordo, aumento nas vendas de automóveis para 8,7 milhões por ano, crescimento no volume de negócios para 11.000 milhões de euros. O lucro operacional estimado é de 6,6%.


Desconhece-se, ainda, o nome da empresa nova, mas PSA e FCA concordaram com a instalação de quartel-general na Holanda e a cotação nas bolsas de Paris, Milão e Nova Iorque. No conselho de administração, 11 elementos, cinco nomeados pela PSA e cinco pela FCA… Entre os administradores encontrar-se-ão representantes dos trabalhadores dos dois fabricantes. Na lista de prioridades do administrador-delegado Carlos Tavares, progresso na eficiência, com otimização dos investimentos, partilhando plataformas, motores e tecnologias.


Esta fusão é a maior na indústria automóvel desde a aquisição da Chrysler pela Mercedes em 1998. O valor de mercado estimado da empresa é de 42 mil milhões de euros. No consórcio, 14 marcas e, para Tavares, todas com futuro! O português tem muito(s) crédito(s): em 2017, quando a PSA comprou a Opel à GM, o emblema alemão somava década de prejuízos (mais de 20.000 milhões de euros); na primeira metade do ano passado, lucro de 700 milhões de euros.

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