Land Rover Defender

Uma revolução!

Reportagem

Por José Caetano 24-12-2019 09:10

A história do Defender começou em 1948. Então, no salão de Amesterdão, na Holanda, emblema novo apresentou-se ao Mundo. Chamava-se Land Rover e propunha 4x4 que abandonou as linhas de montagem apenas em janeiro de 2016, após 67 anos de produção sem quaisquer paragens! Na cronologia de modelo atualizado de tempos a tempos, mas sempre sem ruturas, para manutenção das características e da imagem na origem do estatuto icónico, nome próprio apenas a partir de 1983, com a designação 110 a remeter-nos para a distância entre eixos de 110 polegadas (2,800 m). Quase de seguida, lançamentos das versões 90 e 127, com 90 (2,326 m) e 127 (3,226 m) polegadas, respetivamente. Então, a marca passava por período de fulgor, mais acelerado depois da introdução do Range Rover, em 1970.

Atualmente, o fabricante introduzido pela Rover integra consórcio industrial com a Jaguar, que a indiana Tata Motors criou em 2008, após a compra das duas marcas inglesas à Ford. A Land Rover habitou-se a viver sob pressão, muitas vezes em sobressalto, passando de mão para mão (British Leyland em 1978, Rover em 1986, BMW em 1994, Ford em 2000...), encontrando-se aí a razão para a capacidade de reinvenção e a resiliência de fabricante que tem seis automóveis no catálogo-2019 (Discovery Sport, Discovery, Range Rover Evoque, Range Rover Velar, Range Rover Sport e Range Rover) e planos muito importantes para o futuro. No final de junho, a direção liderada por Ralf Speth, durante encontro com acionistas, prometeu o lançamento de mais três carros novos no período 2021-24. Na Land Rover, além da substituição do Defender, que antecipamos nestas páginas, equaciona-se a produção de compacto! Internamente, contam-nos, chamam-lhe Road Rover...

A estratégia percebe-se: os britânicos, para aumentarem a firmeza dos alicerces que sustentam a empresa, pretendem posicionar-se no mesmo patamar da rival Jeep – em 2018, melhor ano na história dos norte-americanos, com crescimento de 12,4% nas vendas, para mais de 1,6 milhões de automóveis! No mesmo período, a Land Rover acelerou 6,9%, para 411.875 viaturas. Conhecendo-se o sucesso do formato Sport Utility Vehicle (SUV), que vale (quase) 40% dos registos de carros novos na Europeu, conclui-se que a margem de crescimento é enorme. Como ponto de partida, plataforma nova (MLA). Adotando esta arquitetura modular, moderna, reduzem-se os tempos de desenvolvimento, aumenta-se a partilha de componentes, fazem-se mais unidades nas mesmas linhas de montagem e, sobretudo, garante-se poupança significativa de recursos financeiros. Atualmente, a Land Rover tem seis estruturas técnicas, incluindo duas em alumínio (DBU e DB7). Menos complexidade, precisa-se!

O plano de migração para MLA, muito ambicioso, iniciar-se-á em 2020, precisamente com o Defender que a Land Rover fabricará fora da Grã-Bretanha, de forma a proteger-se dos perigos excecionais do Brexit. A arquitetura encontra-se preparada para todas as tecnologias de eletrificação, incluindo sistemas mild-hybrid (48V) e recarga externa de baterias (plug-in). Complementarmente, também admite o recurso a fórmulas 100% elétricas, sem motores térmicos. A Land Rover encontra-se distante do objetivo de cumprimento do limite de emissões de CO2 imposto pela União Europeia para 2021, de 95 g/km. Atualmente, a média da gama é de 178 gramas.

Primeiras impressões

O primeiro contacto com a geração nova do Defender aconteceu próximo do quartel-general da Land Rover (Gaydon), nos subúrbios de Coventry, em Inglaterra, no complexo de testes da marca britânica. E, aqui, existem os obstáculos e os pisos indispensáveis para a certificação das competências de automóvel que descende do modelo na origem da companhia. Internamente, designam-no pelo nome de código L663 e Andy Deeks, elemento da equipa de engenheiros responsável pela otimização da fiabilidade e da resistência do carro novo, conduz-nos, muitas vezes aos solavancos, através de buracos e sulcos. E fá-lo de forma muito determinada, com o objetivo primeiro de impressionar-nos! Infelizmente, o interior, como o exterior, apresenta-se camuflado e isso impede a observação da extensão da.. revolução! Acabaram-se os tempos dos TT simples, puros e duros. No século XXI, os automóveis querem-se confortáveis e sofisticados. E os modelos icónicos não são exceções à regra!

Andy conta-nos: «Os testes não pararam em nenhum momento do plano de trabalho. Por exemplo, enquanto interpretava dados cruciais para o processo de desenvolvimento, conduziam-se protótipos, quase sempre em condições extremas. Garanto-lhe: este carro é tão capaz na estrada como no TT. Os componentes que falharam e não satisfizeram as exigências, depois de identificados e analisados todos os problemas, foram eliminados e colocados fora da versão de produção», explica. Sentado no banco do passageiro, digo-o sem qualquer tipo de hesitação: a seleção foi criteriosa! O carro movimenta-se sempre muito bem.

O automóvel novo é muito diferente do que a marca parou de fazer às 09h22 de 29 de janeiro de 2016, em Solihull. Esperava-se que fosse assim. Infelizmente, a Land Rover não revela nada sobre o modelo que fabricará em Nitra (Eslováquia).

Ainda assim, durante a experiência no centro de testes da Land Rover, algumas perguntas, algumas com respostas, outras sem... A suspensão impressiona pela forma como absorve impactos maiores e a carroçaria, submetida a cargas laterais ou velocidades maiores, revela-se bastante resistente. E Andy Deeks revela-nos o segredo: «Pensámos muito tempo na sucessão do Defender e este programa concentra tudo o que aprendemos durante anos. A plataforma, por exemplo, é baseada na arquitetura em alumínio que utilizamos nos modelos maiores da Land Rover, a D7U, mas passou por programas especiais de desenho e engenharia que originaram otimização significativa. A estrutura monocoque é leve e rígida, como precisamos! E abandonámos as longarinas e travessas ou os eixos rígidos», explica.

No cockpit, escuta-se o ruído da passagem sobre pedras e do movimento na lama, mas o conforto a bordo surpreende tanto como a sofisticação do que vemos. O Defender aproxima-se do Range Rover! «Comparando com o hardware disponível nesse modelo, este automóvel possui suspensões reforçadas, ainda melhor articulação das rodas, que são de maiores dimensões e mais distância ao solo. Este carro excede as capacidades habituais dos Land Rover no TT e é uma referência na fiabilidade e na resistência. Nestes itens, nunca produzimos melhor», acrescenta.

No Defender-2020, como no antecessor, duas variantes: curta (90, 3 portas) e longa (110, 5 portas). O nome das versões, ao contrário do que aconteceu até aqui, deixa de corresponder à dimensão da distância entre eixos (em polegadas). Nos dois carros, diz-nos Andy, «os melhores ângulos de ataque e saída na gama da Land Rover». No mais pequeno, com 4,3 m de comprimento, «o ângulo ventral e o diâmetro de viragem referenciais beneficiam muito a condução fora de estrada ». No catálogo, rodas de 18’’ a 22’’, com pneus para TT entre os opcionais. O software do controlo eletrónico de tração foi adaptado às especificidades de automóvel capaz até de… trepar paredes!

O sistema de tração integral, o melhor da marca, inclui diferenciais eletrónicos nos eixos. Os britânicos não confirmam a existência de redutoras, mas o recurso a caixa automática de 8 velocidades com 1.ª muita curta e apoiado por duas mãos cheias de assistências à condução dispensa-as. De série, a suspensão é em aço. Em opção, amortecimento pneumático. Independentemente da versão, hipótese de regulação individual da atuação dos amortecedores. Garantia de Andy Deeks: «É o melhor Defender de sempre. Conhecemos a história da marca e do modelo e as expectativas dos clientes. Sim, a complexidade técnica e tecnológica aumentou muito, mas este carro satisfaz até os mais conservadores». Entre os equipamentos, obrigatoriamente, versão nova Terrain Response.

«Durante o plano de desenvolvimento, quer nas simulações em computador, quer na condução na estrada, adotámos as fórmulas de testes mais exigentes na história da marca. Percorremos mais de 300.000 quilómetros, muitas vezes trabalhando 24 horas por dia. Interrompemos o programa sempre que detetámos fraquezas, para eliminá-las», acrescenta Andy Deeks. O engenheiro britânico reconhece que não foi sempre adepto da substituição do Defender. «Sim, questionei-me muitas vezes sobre este projeto. Agora, sinto-me felicíssimo com tudo o que conseguimos».

O L663 não tem a simplicidade do antecessor, mas é digno do nome... A fama do Defender deve-se à capacidade (e facilidade) de condução fora de estrada, que combinava com resistência e fiabilidade. «Esta 2.ª geração não é muito melhor só no conforto. Supera o original em tudo. Acredite. Não há obstáculo capaz de travá-lo», exclama Deeks.

Testes em África e no Médio Oriente

A Land Rover, para o programa de desenvolvimento do Defender II, socorreu-se de vários apoios externos, nomeadamente das relações de colaboração com a Fundação Born Free, promotora do programa Tusk para a preservação da vida selvagem no Quénia. A associação recebeu protótipo do automóvel novo para trabalhar na Reserva do Borana, na proteção de 47 leões.

Nos 140.000 hectares com planícies, terrenos acidentados com valas e declives rochosos pronunciados, rios, ribeiros e florestas densas, os elementos da equipa de especialistas acompanharam os animais, seguindo os sinais transmitidos pelas coleiras de radiolocalização e transportaram alimentos. A Land Rover aproveitou as deslocações diárias de 100 km para reunir dados importantes sobre o comportamento da viatura em terrenos acidentados e muito exigentes, informações essenciais para a otimização das competências TT e reboque.

Mais recentemente, no Dubai, com a Federação Internacional das Sociedades Cruz Vermelha, a Land Rover desenvolveu o Defender II nas dunas de areia e na autoestrada Jebel Jais, famosa pelas curvas que rasgam a montanha mais alta dos Emirados Árabes Unidos.

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