30 anos de Mazda MX5

‘Gozar’ a vida

Reportagem

Por Paulo Sérgio Cardoso 21-12-2019 16:05

Fotos: Gonçalo Martins

Nasceu em 1989, atualizou-se em 1998 (geração NB), modificou-se em demasia em 2005 (NC) e regressou às origens em 2015 com a atual geração, ND, que tem a honra de se apresentar em edição especial comemorativa do trigésimo aniversário do MX-5, apenas e só o roadster mais popular do mundo – ao longo das quatro gerações, a marca nipónica já comercializou mais de 1,1 milhões de unidades, sendo que mais de 350 mil foram entregues em solo europeu.

Para o efeito, esta edição numerada e limitada a não mais que 3000 unidades para todo o mundo (em que apenas 10 estão adjudicadas para Portugal; guiámos a 492!), disponível nas carroçarias Soft Top (capota em lona manual) e RF (com tejadilho rígido retrátil de acionamento elétrico), destaca-se ainda mais pela original pintura em «Racing Orange», tonalidade estreante na marca. Em contraste, as jantes «Rays», negras e em alumínio forjado, de design específico e pensadas para o efeito, onde nem falta a inscrição «30th Anniversary».

A combinação laranja/negro será perfeita para que uma edição especial se destaque na paisagem (e, mais tarde, valorize comercialmente...), conferindo alguma exuberância presencial e estética a roadster que tem historial de 30 anos de simplicidade ao serviço do prazer de condução, devidamente atualizado até aos cânones da presente geração. Na edificação do sucesso dinâmico está conjunto que alberga dimensões contidas, reduzido centro de gravidade e baixo peso que, no caso deste 30th Anniversary, pode ser explorado via mecânica atmosférica com 2 litros de capacidade e 184 cv, a única disponível para o efeito, com tudo entregue ao eixo traseiro e devidamente percecionado com a ajuda de autoblocante.

O tom laranja é utilizado no habitáculo em diversos elementos: molduras das saídas de ventilação, paineis das portas, costuras nos bancos e nas aplicações em Alcantara que revestem as baquets Recaro e, parcialmente, no tablier. Ao contrário do modelo da primeira geração, o atual ND não tem porta-luvas; no NA existem duas luzes interiores nas laterais da consola central que ajudam a ver o piso do carro.

Além da participação da Recaro no fabrico de bancos, também a Bose se juntou à edição comemorativa com sistema de som específico com 9 altifalantes. A Bilstein tratou dos amortecedores, a Brembo do sistema de travagem do eixo dianteiro e a Nissin do traseiro – assinaturas bem expressas nas pinças pintadas no laranja da carroçaria. Os bancos aquecidos, o sistema de acesso mãos-livres e os poderosos faróis LED com orientação inteligente do feixe de luz (e não apenas comutação automática entre médios e máximos) refinam o equipamento do 30th Anniversary, não faltando sistema de navegação e sistema multimédia com compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto para ligação de smartphone.

Na primeira geração, direção assistida ou ar condicionado eram considerados luxos, pelo que não entraram na unidade que testámos! Além dos puxadores de portas, pequenos, o NA nascido em 1989 tem nos faróis escamoteáveis imagem de marca da época. Já a antena colocada na zona traseira é pormenor que se manteve: elétrica no modelo de nascença e, agora, algo inestética, grande e negra.

O que também perdura são os sentimentos ligados à condução e que terão vincado os 30 anos do roadster. Agora, tal como no início da história, a mecânica é espontânea e muito reativa em resposta ao acelerador, incutindo nervosismo mesmo no modelo original, com unidade 1.6. O curso curtinho e ótimo feeling da caixa de velocidades é outra das extensões puristas, agora com seis relações mais esticadas no lugar da original de cinco, de raport curto.

Agora, também como sempre, as mesmas reações de um chassis que nasceu para criar diversão a baixa velocidade e de leitura exímia da estrada, quer pela direção, que pela sensibilidade tátil das rodas traseiras. Agora, diferente e melhor que nunca, o nível de performance garantido pelos 184 cv (bem notórios face à anterior versão de 160 cv, que existiu no ND até 2018), a capacidade de curvar de forma mais estável e segura, o conforto mais presente e as ajudas eletrónicas em alta, caso do aviso de saída de faixa, presença de veículo em ângulo morto ou alerta de carros à retaguarda quando na saída de um lugar de estacionamento. Estes sim, verdadeiros sinais dos tempos da evolução de um modelo que já tem o seu lugar garantido na história do automóvel e cujo nome já se confunde com o próprio conceito de roadster. 

A simplicidade será a base do sucesso de um roadster como o MX-5 que, ao longo de 30 anos, soube atualizar-se na medida certa, sem perder pitada do conceito original nem o foco na condução prazenteira. As 10 unidades laranja da edição 30th Anniversary que estão afetas a Portugal irão marcar uma geração, ficando bem numa garagem (e na estrada!) ao lado das edições comemorativas do 10.º e 20.º aniversário do MX-5. Para colecionar!

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