O futuro da navegação

Eletrificação e condução autónoma na ‘agenda’ da TomTom

Reportagem

Por José Caetano 15-12-2019 18:05

Na indústria automóvel, vive- se época de oportunidades, tão excitante como perigosa. Por isso trabalha-se na mudança de paradigma, o que pressupõe a substituição dos motores térmicos dominantes há mais de 100 anos. A corrida cada vez mais acelerada à eletrificação é apoiada pela exigência de travagem a fundo nas emissões poluentes resultantes dos consumos de combustíveis fósseis. Em paralelo, como atalho para a mobilidade autónoma do futuro, assiste-se, ainda, à democratização das assistências eletrónicas à condução. As companhias tecnológicas lideram o ritmo do progresso, estimuladas pelos fabricantes.

Criada em 1991, a TomTom apresentou o 1.º equipamento portátil de navegação há 15 anos. Muito recentemente, com a introdução do Go Premium, a empresa comemorou a venda de 100 milhões de dispositivos (ver caixa na página 56)... Em menos de duas décadas, a tecnologia de origem militar democratizou- se, impondo-se como ferramenta indispensável para muitos condutores. Entretanto, a firma holandesa também evoluiu e especializou-se no fornecimento de mapas e na monitorização do trânsito em tempo real. No nosso País (e em Espanha), Sofia Veríssimo é o rosto de marca de referência na eletrónica de consumo. Entrevista.

Sofia Veríssimo

P. – A TomTom tem 28 anos. Originalmente, a empresa ganhou notoriedade como produtora de equipamentos de navegação e sistemas de controlo, gestão e monitorização de trânsito, mas os tempos mudaram. Atualmente, qual é o peso dos dispositivos portáteis no volume de negócios? E a importância das aplicações para smartphones? E o impacto do fornecimento de equipamentos aos fabricantes de automóveis? O terceiro parece cada vez mais relevante…

 

R. – As vendas de soluções para os consumidores mantiveram-se regulares ao longo dos anos, com mais de 100 milhões de equipamentos comercializados desde 2004, quando apresentámos o 1.º GO. Atualmente, em todo o Mundo, vendemos cerca de 5000 GPS por dia. Os nossos produtos funcionam como guias para os condutores, quer informando-os, quer inspirando-os nas viagens. E a comunidade de utilizadores que criámos facilita tomadas de decisão mais inteligentes, deslocações cada mais fáceis, rápidas e seguras. A aposta é no futuro da mobilidade, melhorando os mapas e os serviços da navegação tradicionais ou os sistemas de assistência de condução avançados (ADAS). O objetivo é estabelecermo- nos como o fornecedor preferencial no planeamento de percursos para a condução autónoma.

P. – Conhecendo o quartel-general de Amesterdão, incluindo a incrível sala de monitorização de tráfego, pergunto: mantêm o recurso às mesmas ferramentas para obtenção de informações e fornecimento das condições do trânsito em tempo real?

 

R. – Diariamente, a TomTom fornece informações sobre trânsito a muitos milhões de condutores. Este serviço, combinado com o portefólio exclusivo de outros serviços na nossa cloud, incluindo as câmaras de controlo de velocidade e as estações de recarregamento das baterias de automóveis elétricos, são bastante populares entre os utilizadores de GPS, fabricantes de carros e smartphones, plataformas de mobilidade inteligente e, também, autoridades de trânsito. Posicionámos a Tom- Tom como referência em serviços de informações sobre trânsito e viagem. Simultaneamente, desenvolvemos ferramentas para análises de dados de estradas que melhoram a mobilidade e facilitam as tomadas de decisões nos transportes. O serviço de trânsito, por exemplo, fornece informações muito precisas sobre filas de trânsito e atrasos. E, assim, melhoram- -se os cálculos das rotas e os tempos estimados de chegada ao destino. Utilizamos uma ampla variedade de fontes de informações de trânsito em tempo real. A comunidade, crescente, tem mais de 550 milhões de fontes e é o segredo do sucesso da empresa. Essas fontes, todos os dias, geram mais de 20.000 milhões de localizações anónimas.

P. – No automóvel, promove-se uma mudança de paradigma, com a eletrificação prioritária, à frente da condução autónoma. Em todos os casos, a navegação é apoio fundamental – até para adaptação automática da viatura às condições da estrada ou da circulação (e existem cada vez mais exemplos de modelos que adaptam a velocidade ou a atuação da suspensão em função das informações dos navegadores)…

 

R. – É verdade. Um dos nossos serviços apoia os construtores no desenvolvimento de carros elétricos, por informar os condutores sobre as estações de carga mais próximas disponíveis. Isto reduz a ansiedade associada à limitação da autonomia, uma barreira ao êxito da tecnologia. O mapa ADAS inclui informações como condições da estrada, curvas e sinais de trânsito para melhorar o conforto, a segurança e a eficiência na condução. Também já equipamos mais de meio milhão de viaturas com Nível 1 e Nível 2 de condução autónoma, de diversos fabricantes. Trabalhando com os nossos parceiros e melhorando a conetividade entre viaturas, otimizar-se-á a mobilidade inteligente. Aumentando-se o número de automóveis na estra- da com sistemas de condução autónoma, reduzir- se-á o número de carros, o que beneficiará a segurança e libertará o Mundo de congestionamentos de trânsito e emissões poluentes. O nosso mapa HD permite a localização exata dos veículos autónomos, o que facilita a conceção de modelos detalhados dos ambientes em redor das viaturas e o planea- mento dos percursos até aos destinos.

P. – O que propõem de diferenciador e como antecipam o futuro? Pensam, por exemplo, em soluções que melhorem a segurança, por não obrigarem o condutor a retirar os olhos da estrada e as mãos do volante?

 

R. – Os mapas são o núcleo da atividade da empresa. No ano passado, atingimos marco importante, com 1,5 mil milhões de alterações mensais nos nossos mapas digitais, que entregamos aos clientes semanalmente. Temos uma plataforma que usa machine learning e inteligência artificial para garantir tempos de ciclo curtos entre a deteção de alterações no mundo real e a atualização do mapa. Cerca de 70% dos colaboradores da empresa trabalham nas áreas da pesquisa e do desenvolvimento.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Reportagem