Corvette Stingray

Histórico

Apresentação

Por José Caetano 01-12-2019 14:50

As marcas norte-americanas perderam protagonismo no mapa da indústria automóvel, mas a história dos fabricantes dos EUA é rica e vastíssima. A Chevrolet, empresa criada em 1911, é o motor da General Motors desde 1918. O consórcio sedeado em Detroit, a cidade conhecida como capital dos motores, manteve-se 77 anos no topo da tabela dos maiores fabricantes mundiais (produção e vendas). Perdeu esse estatuto em 2007, por inadaptação à globalização do setor e exposição à crise financeira com epicentro no lado de lá do Atlântico. O Corvette apresentado em 1953, originalmente na forma de roadster, ganhou, muito rapidamente, o título de desportivo de referência made in América do Norte. Harley Earl (designer) e Ed Cole (diretor) foram os pais do modelo com nome proposto por Myron Scott (responsável de comunicação), inspirando-se nos navios de escolta ou patrulha oceânica protagonistas na II Guerra, por combinarem facilidade de manobra – entenda-se agilidade e rapidez – com construção económica.

Quase seis décadas depois do lançamento do original (somente 300 exemplares no 1.º ano de produção, todos descapotáveis e brancos…), GM e Chevrolet apresentam-nos a 8.ª geração, a 1.ª com motor central-traseiro, que mantém outro nome introduzido em 1963, por ocasião do lançamento do C2, na estreia do Coupé: Stingray. O C8 sucede ao C7 fabricado de 2014 a 2019 e vender-se-á globalmente a partir de 2020, o que pressupõe lançamento na Europa, mercado que os norte-americanos abandonaram há apenas dois anos, quando entregaram a Opel à PSA Peugeot Citroën. A marca não conta quaisquer pormenores sobre o programa, mas garante que tem plano para homologar o modelo no Velho Continente, mas apenas depois do início da produção na fábrica de Bowling Green, no Kentucky, planeada só para o final do ano.

Na 8.ª geração do Corvette, GM e Chevrolet concretizam, finalmente, o sonho de Zora Arkus-Duntov, o engenheiro de origen belga apresentado, erradamente, como o pai do «Desportivo da América do Norte». E, assim, em vez de evolução, assiste-se a revolução, com a adoção de arquitetura nova: pela 1.ª vez na história, motor central. Mark Reuss, director do consórcio norte-americano, explica as razões da mudança: «O Corvette é a expressão máxima do nosso potencial de inovação… A fórmula tradiconal, do motor dianteiro, atingiu o limite de desempenho e, por isso, impunha-se desenho novo».

Vantagens do motor central

Visualmente, o C8 rompe com a imagem iconográfica do Corvette, desaparecendo, por exemplo, o capot muito longo, o cockpit recuado ou a traseira curta. Modificando-se o posicionamento do motor, reinventou-se o desenho do desportivo, tornando-o muito menos polarizador de opiniões. Mantêm-se, todavia, as linhas apaixonantes e excitantes. Esta arquitetura tem vantagens (re)conhecidas: repartição otimizada do peso entre os dois eixos e, consequentemente, progresso na agilidade em curva e na estabilidade em linha reta; sentando-se o condutor mais à frente, aumenta-se a sensação de controlo do carro e a rapidez de reação aos movimentos no acelerador e no volante; finalmente, melhora-se a visibilidade, que também ganha muito com a colocação mais baixa do painel de bordo. O Corvette novo é, ainda, o mais rápido da história (considerando somente as versões básicas), com arranque 0-96 km/h em menos de 3 s, equipado com o pacote desportivo Z51!

Na conceção do C8, os designers da marca norte-americana inspiraram-se nos mundos da aeronáutica e do automobilismo. No Corvette-2020, linhas agressivas e futuristas. A fórmula estende-se do exterior ao interior, onde a promessa é de qualidade excecional quer nos materiais, quer na construção, com nível de atenção ao detalhe sem qualquer precedente na história do modelo. Entre as fontes de inspiração, os aviões de combate F22 e F35 ou os monolugares da Fórmula 1. Complementarmente, muitas mais opções para personalização, vide as 12 cores para a carroçaria, as seis para o interior (e as seis para os cintos) ou as três propostas de bancos (GT1, GT2 e Competition Sport).

O túnel central é a coluna vertebral do C8, que tem estrutura leve e muito rígida, como acontece na generalidade dos desportivos modernos de referência, todos produzidos por marcas europeias. Também por isso, os engenheiros conservaram imagem de marca do automóvel: o painel do tejadilho remove-se facilmente e coloca-se verticalmente no compartimento de carga traseiro… O chassis também beneficia com a revolução e tem qualidades novas, nomeadamente o conforto de rolamento que não compromete a dinâmica desportiva. A Brembo fornece sistema de travagem que inclui programa eBoost para reações mais potentes, precisas e rápidas (o condutor pode regulá-los em função das necessidades!) e a transmissão inclui o diferencial que adapta, eletronicamente, a entrega de binário às rodas posteriores. Opcionalmente, versão 4.0 da suspensão Magnetic Ride Control que gere a firmeza do amortecimento em função das características do piso e da condução. O splitter dianteiro e o aileron traseiro, combinados, produzem carga aerodinâmica na ordem dos 181 kg, que melhora a capacidade dinâmica do Corvette Stingray – mais tração, estabilidade a alta velocidade e precisão e rapidez de movimentos em curva!

O coração do C8 é o motor LT2 da Chevrolet. Trata-se de V8 atmosférico com 6,2 litros que liberta 495 cv e 637 Nm, se apoiado por escape de alto rendimento... Descontando as versões de topo que aparecem apenas depois do lançamento do modelo básico, é o Corvette mais potente de sempre. Outra novidade: pela 1.ª vez, caixa automática de 8 velocidades, de embraiagem dupla, com programa manual comandado em patilhas no volante, sequencialmente. Por fim, mais dois programas de ação à disposição do condutor, ou seis em vez de quatro: Weather, Tour, Sport, Track, MyMode e Z Mode.

Nos EUA, Corvette por 60.000 dólares (54.000 €). Na Europa, ver-se-á!

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Apresentação