Instinto de sobrevivência

Opel legitimamente no mapa do futuro da indústria automóvel

Opinião

Por José Caetano 09-08-2019 11:00

A Opel tem 157 anos de história(s). Originalmente, a empresa fundada por Adam Opel, em janeiro de 1862, fabricava máquinas de costura. Em 1886, primeira revolução, com o arranque da produção de bicicletas. Depois, antecipando os progressos no campo da mobilidade, em 1889, entrada em cena dos automóveis. Seguiram-se anos de (alguma) estabilidade, que coincidiram com a construção da base para a mudança de paradigma no transporte individual… Em 1929, a General Motors entrou no capital da companhia, movimento que antecipou quase nove décadas de controlo absoluto, de 1931 a 2017.


Na relação Opel-GM, muitas tempestades, outras tantas bonanças… Mas, há dois anos, ponto final no casamento, com crise no consórcio norte-americano a abrir as portas do fabricante de Rüsselsheim à PSA Peugeot Citroën. A companhia francesa, como (quase) todos os protagonistas da indústria automóvel, necessita de volume para competir nos quatro cantos do Mundo. Produzindo-se e vendendo-se mais automóveis, as hipóteses de sobrevivência aumentam!
Em março de 2017, a PSA liderada pelo português Carlos Tavares aceitou pagar 2,2 mil milhões de euros pela Opel. O negócio criou o 2.º maior fabricante da Europa, atrás só do Grupo VW. Então, os alemães acumulavam resultados negativos e perdiam mais de 1000 milhões de euros por ano. Não menos grave: mesmo encontrando-se muito mais desenvolvidos tecnologicamente do que os ex-parceiros na GM, confrontavam-se com mais dúvidas do que certezas sempre que projetavam o futuro, devido à incapacidade de acelerarem a revolução que garantisse o cumprimento nas normas antipoluição na Europa.


À integração na PSA seguiu-se a implementação de plano de ação novo, que originou o fim de diversos modelos e a revisão dos programas que estavam em marcha, incluindo o da sucessão do Corsa. O projeto foi chumbado e os franceses entraram em cena com ideias e soluções mais modernas. Na 6.ª geração do segmento B, plataforma e motores partilhados com o Peugeot 208. Logo, também não é coincidência que os dois modelos contem com versões elétricas pela 1.ª vez, obviamente com tecnologias iguais.


Ainda menos por acaso: a Opel regressou ao lucro e, no plano teórico, parece capaz de cumprir os limites de emissões de CO2 na Europa a partir de 2020, missão impossível no final de 2018. Então, a gama dos alemães apresentava média de 126 g/km, registo muito acima das 108 gramas dos franceses. Substituindo as plataformas da GM pelas arquiteturas técnicas da PSA e socorrendo-se das tecnologias de eletrificação dos proprietários novos, os alemães protagonizaram recuperação sem paralelo, que honra a história de resiliência da marca. E, assim, reentraram no mapa do futuro da indústria automóvel.

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