BMW R1250 RT

Variável positiva

Motos- Apresentações

Por Paulo Ribeiro 21-07-2019 21:05

Fotos: ASF

E, quando se pensa que pouco pode ser feito para evoluir uma das melhores propostas do mercado para viajar, eis a surpresa! As fortíssimas habilitações turísticas da BMW R1200 RT valeram verdadeiro doutoramento com adoção do novo motor de 1250 cc. Claro que a pergunta surge rápida: mas foram os 84 centímetros cúbicos que o novo bloco (1254 cc) tem a mais face ao anterior (1170 cc), responsáveis por tamanha mudança? A resposta é, também, imediata. E é negativa. Porque mais, muito mais!, do que o nada desprezível aumento de prestações, com mais 9 cv e 18 Nm, foi a inovadora distribuição variável a provocar significativas mudanças de caráter.

Apenas cinco anos depois da introdução do boxer de refrigeração líquida, por muitos visto como último patamar de evolução do dois-cilindros-opostos, o novo motor viu crescer o diâmetro dos cilindros bem como o curso dos pistões mas viu, também e mais importante!, chegar novo sistema de distribuição: o BMW ShiftCam. Motivo de profunda transformação, adaptando o comportamento motriz às necessidades e desejos do condutor, disponibilizando dois patamares substancialmente diferenciados. Mas, e ao contrário de outros sistemas semelhantes, com transição extremamente suave, quase impercetível entre os dois! De forma simplificada, a explicação assenta na existência de duas cames para cada válvula, com funcionamento determinado pela rotação e aceleração. A escolha é feita através de pequeno motor elétrico acionando dois pinos que, por meio de ranhuras específicas, determinam a posição da árvore de cames. Logo, qual a cames/ressalto que vai trabalhar a válvula… Mais simples é a explicação das sensações, com grande facilidade de controlo e enorme suavidade em todos os momentos. A começar pelo comportamento mais aveludado em baixas rotações, ajudando a rodar de forma tranquila e serena em cidade e aumentando a diversão em estrada rumo a novas experiências turísticas. Pode rodar-se na sexta e última das relações da caixa de velocidades a meros 40 km/h, apreciando tranquilamente a paisagem para, acelerando-se de forma decidida, ver o motor ganhar nova vida e sem queixas. Melhor em baixas, está, acima de tudo, muito melhor a subir de rotação, guardando as emoções fortes e diversão máxima para lá das 5000 rpm. Ou seja, mantém o tradicional equilíbrio e suavidade mas muito mais refinados, sendo notória a resposta mais educada e obediente às ordens do acelerador. Que não menos entusiasmante, apenas mais polida, tal como a caixa de velocidades, inalterada mas com comportamento mais suave graças às mudanças no motor. Mas ainda e sempre com o tradicional clank ao engatar a primeira relação…

Sem alterações significativas no capítulo ergonómico ou estético (apenas o novo spoiler por baixo do motor), as mudanças continuaram na dotação eletrónica ganhando enorme comodidade com a possibilidade de montagem da Next Generation da suspensão eletrónica Dynamic ESA, de ajuste completamente automático em função da condução e da estrada, e adaptação imediata e automática à carga a bordo. Resultado: comportamento estável em todas as circunstâncias e conforto acrescido em todas as estradas.

Bem-estar a bordo que tem contributo da enorme proteção aerodinâmica, exponenciada através da (fácil) regulação elétrica do grande ecrã, aumentando defesa aos elementos reforçada pelos apêndices aerodinâmicos junto ao guiador. E que protege também o passageiro, mimado com boa posição em banco espaçoso, de boa acessibilidade e pernas não muito fletidas, possuindo ainda bem colocadas pegas para as mãos e banco aquecido. Trunfos importantes para as mais longas tiradas, que o condutor pode encarar sem stress graças ao guiador alto e largo q.b., onde os braços caem de forma natural minimizando o esforço. Mesmo nas mais reviradas estradas ou nas ruelas de um qualquer centro histórico onde as dimensões parecem reduzir de forma milagrosa, sensação já conhecida da R1200 RT, com ciclística retocada. Onde o quadro reforçado, garantia de absoluta estabilidade mesmo em velocidades de cruzeiro muito elevadas e com carga máxima, surge apoiado em recalculada geometria que ampliou a facilidade com que aborda cada curva. Comportamento mais que surpreendente numa moto deste peso e dimensões, permitindo ritmos entusiasmantes em todo o tipo de estradas, com absoluta segurança e máximo conforto.

Atributos reforçados pela completa eletrónica que, entre equipamento de série ou opcional, contempla os conhecidos dois modos de motor, sendo o Rain oferecedor de enorme suavidade na resposta do acelerador face ao Road, com intervenção mais madrugadora do controlo de tração e amortecimento também suavizado, mas também eficaz controlo de tração dinâmico DTC e o ABS-Pro. Maior eficácia e enorme segurança sobretudo em curva onde é possível acelerar ou travar sem o receio de ver a traseira escorregar ou a roda dianteira fugir rumo à quase certa queda, aumentando o raio de ação dos excelentes Metzeler Roadtec Z3.

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