Cada vez mais, ignora-se o óbvio!

No 1.º semestre de 2019, venderam-se mais carros novos a gasolina do que Diesel

Opinião

Por José Caetano 20-07-2019 10:30

Sim, confesso-o! Mais pontual do que regularmente, acompanhei o Big Brother. Nesse programa, para entretenimento dentro de casa e dos telespectadores, todos os concorrentes do reality show cumpriam missões, incluindo a de «ignorarem o óbvio», que impunha ausência de reação a todos os tipos de estímulos externos sempre que recebiam visitas do exterior. No automóvel, episódio semelhante, com a celebração da passagem dos motores a gasolina para a frente dos Diesel nos registos de automóveis novos no nosso País.


A maioria dos políticos, desboca, despropositada e muito precocemente, vitoriam prenúncio de mudança de paradigma no mercado automóvel nacional, depois de semestre com mais vendas de carros novos com motores a gasolina do que a gasóleo, esquecendo-se (ou ignorando-o?) que esta alteração ameaça o cumprimento do objetivo nacional de redução das emissões poluentes. Afinal, a eletrificação de parque envelhecido realizar-se-á muito mais lenta do que rapidamente, por faltarem estratégias ou incentivos quer para a compra de modelos mais eficientes (e, aqui, Diesel na primeira linha), quer para eliminação de todos os obstáculos à adoção massiva da tecnologia do futuro.


Os números de 2018 são esclarecedores. Na Europa, precisamente devido ao aumento da procura de carros a gasolina, movimento que coincidiu com travagem nas vendas de mecânicas a gasóleo e mudança no protocolo de homologação, com o WLTP no lugar do NEDC adotado na década de 1990, as emissões de CO2 aceleraram 2,4 g/km, para 120,5 gramas, na comparação com 2017. Em 2017, só 118,1 gramas... Portugal acompanhou a tendência, com aumento de 1,2 g/km, para 105,4 gramas, mas o País encontra-se submotorizado e massacrado por fiscalidade que penaliza a compra e a utilização de automóvel! Também aqui, «ignora-se o óbvio», com receitas à frente da proteção do meio ambiente.


No 1.º semestre de 2019, pela 1.ª vez em 15 anos, mais 15.130 modelos novos a gasolina do que a gasóleo – matricularam-se 50.667 Diesel, com crescimento na procura de 29,3%, comparativamente a janeiro-junho de 2018, acentuando-se a tendência de quebra na quota dos Diesel de 61% em 2017 para 53,25%. E, assim, no final do ano, garantidamente, em vez de menos, mais CO2...!

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