A marcha lenta dos elétricos

Mais 20 anos de motores a gasóleo e 30 de mecânicas a gasolina, diz a BMW

Opinião

Por José Caetano 17-07-2019 10:35

A eletrificação do automóvel é irreversível. Mais na China e na Europa do que no resto do Mundo, a publicação de regras antipoluição cada vez mais restritivas obriga a ponto final na tecnologia dominante desde o início da história, há mais de 100 anos… Mas, sublinho-o, não de forma imediata nem instantânea, por decreto. A mudança de paradigma realizar-se-á muito mais lenta do que rapidamente, perseguindo-se ou protegendo-se os motores de combustão interna. E o crescimento do número de seita mediática que reivindica transformação da realidade da noite para o dia, não tornará possível o impossível, pelo menos de imediato.


Os números provam-no! O aumento do número de elétricos e híbridos expressa-se nas vendas, que aceleram à medida que aparecem mais automóveis eletrificados novos no mercado – Portugal não é exceção à regra, mesmo mantendo-se a política de não apoio à renovação de parque envelhecido, por exemplo privilegiando as tecnologias do futuro. Na Europa, no mês de maio, crescimento incrível (85%) da procura de viaturas sem gases de escape, por não contarem com mecânicas térmicos. Ainda assim, acelerando-se de 12.300 exemplares em 2018 para 22.300 em 2019, falamos apenas numa gota no oceano de 1,44 milhões de carros matriculados naquele período de 31 dias.


Mas, recordamo-lo: atualmente, fabricantes pressionadíssimos para reduzirem as médias das emissões de CO2 nas frotas automóveis. Na Europa, máximo de 95 g/km em 2021, limite bastante abaixo do registo de 2018, de 120,5 gramas. E a União Europeia, para 2030, tem como objetivo apenas 59,4 gramas. Sem a adoção de alguma fórmula de eletrificação, sim!, missão impossível. No entanto, os obstáculos à democratização/massificação mantêm-se, embora os membros da seita elétrica contestem o argumentário: autonomia limitada, preços muito elevados, infraestrutura limitada, tempos de carregamento demorados…


O Grupo BMW, no mesmo dia em que anunciou plano de eletrificação ambicioso, com 25 automóveis na gama até 2023, entre elétricos e híbridos com sistemas de recarga externa (plug-in), acredita que o futuro (próximo) é quase igual ao presente e ao passado, com motores de combustão interna dominantes. As certezas dos alemães: pelo menos, mais 20 anos de história para os Diesel e 30 para as mecânicas a gasolina. Exceções: 3 cilindros a gasóleo e V12 a gasolina fora de jogo, devido à impossibilidade de adaptá-los, de forma racional, às regras de emissões  poluentes mais restritivas.

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Opinião