Êxito do formato SUV 'mata' MPV

Monovolumes são cada vez menos populares. Na BMW, Série 2 Active e Gran Tourer, 'adeus'!

Opinião

Por José Caetano 07-07-2019 11:25

Na BMW, abandono da categoria dos monovolumes, formato adotado recentemente, com Série 2 Active Tourer (F45) e Gran Tourer (F46). O primeiro foi introduzido em 2014 e o segundo em 2015. Ambos assentam na plataforma UKL2 para compactos de traçãodianteira, configuração sem histórico no emblema de Munique até à apresentaçãodos dois modelos. Confirmou-o Peter Henrich, diretor de produto da marca alemã. Os carros atraíram milhares de clientes novos para o consórcio, cumprindo bem missão exigente. Esta decisão faz parte do pacote de medidas para implementar até ao fim de 2022, para poupanças de muitos milhares de milhões de euros, condição para o aumento da rentabilidade perseguido por administradores e acionistas da empresa. Pela mesmíssima razão, também à vista, ponto final na produção do Série 3 GT.

Originalmente, a BMW desenvolveu os monovolumes compactos para atacar o Classe B da Mercedes, mas é o mercado que determina as escolhas dos fabricantes e os Sport Utility Vehicles (SUV) são prioritários. É o formato mais-sucedido na Europa, com quota de mercado  muito acima dos 30%, o facto na origem de multiplicação rápida da espécie, igualmente no catálogo da marca da hélice, que não é a exceção à regra na indústria automóvel. Confirmam-no estudos muito recentes da JATO Dynamics, consultora de referência no setor.

No período de 10 anos, os MPV (acrónimo de Multi Purpose Vehicles) perderam muita popularidade, independentemente de manterem as qualidades por trás do sucesso excecional do formato durante as décadas de 1990 e 2000, da funcionalidade ou versatilidade do habitáculo à habitabilidade e capacidade de carga. Em 2009, os monovolumes, somando os maiores aos mais pequenos, representaram 1/8 dos automóveis novos registados no Velho Continente, com vendas na ordem dos 1,8 milhões de exemplares. O ano passado, as matrículas totalizaram apenas 892.000 carros, com travagem na quota para 5,7%. E o declínio da categoria coincidiu no tempo com o boom na procura de SUV, sempre a acelerar desde a introdução da 1.ª geração do Nissan Qashqai, em 2007.

A razão da mudança explica-se muito facilmente: os SUV partilham qualidades com os MPV, incluindo o conforto, mas têm imagens mais atrativas/modernas. O ano passado, os primeiros representaram 5,4 milhões de automóveis matriculados na Europa (34% de quota). Na comparação com 2017, crescimento de 18%! Portanto, BMW & Cia. cada vez mais de olho no formato da moda.  

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