Um ‘casamento’ quase obrigatório

Fiat Chrysler Automobiles e Renault ‘zangaram-se’, mas o ‘namoro’ não acabou!

Opinião

Por José Caetano 28-06-2019 12:54

A Fiat Chrysler Automobiles (FCA), saturada do «sim-não-sim-não» da Renault, retirou a proposta de fusão com a marca francesa, com troca de participações acionistas, de 50%. O consórcio italo-americano culpou o estado francês pelo fracasso. Paris detém 15% do construtor e colocou obstáculos que travaram o acordo. Somando-se as reticências da Nissan, que mantém Aliança com a marca do losango, zanga no namoro impediu o casamento... imediato.


Mas, afinal, a FCA não renunciou, definitivamente, à fusão. A Renault manifestou-se muito interessada na construção de consórcio novo e todo-poderoso. Assim, antecipa-se namoro (muito) mais prolongado. Os franceses comunicaram a deceção pelo fim de relação promissora e atrativa quer no plano financeiro, quer no industrial. Jean-Dominique Senard e John Elkann, os homens-fortes dos fabricantes, acreditam nesta associação e mantêm-se em contacto, a razão por trás do reacendimento da paixão!


Para apoio a fusão que ameaça aliança franco-nipónica com 20 anos, Paris impõe quatro condições: concordância da Nissan, que perde protagonismo, repartição equilibrada do número de administradores e manutenção de empregos em França e do compromisso com a Alemanha para a produção de baterias para automóveis elétricos e híbridos. No entanto, este negócio implica revisão da parceria com o fabricante nipónico e a redução da participação acionista do estado, de 15% para 7,5%.


Não existindo mudanças nos protagonistas, procuram-se alternativas para a assinatura de acordo que beneficia FCA e Renault. A Nissan exige contrapartidas para dizer «sim» a fusão que também pode beneficiá-la (e às dependentes Datsun e Mitsubishi Motors), incluindo redução na participação de 15% que mantém na marca do losango. Esta, possui 43,4% do fabricante nipónico. Registando-se reequilíbrio dos poderes, negócio avante!


Em 2018, FCA e PSA também equacionaram a formação de consórcio, mas o projeto foi abandonado precocemente, devido a interesses divergentes. Mas, a indústria passa por período de transformação que exige capacidade de adaptação, ou futuro e sobrevivência em risco! A fusão do construtor italo-americano com o francês, confirmando-se, criará o 3.º maior fabricante mundial, atrás apenas de Grupo VW e Toyota, antecipando-se vendas anuais de 8,7 milhões de automóveis, além da poupança de muitos milhares de milhões de euros tanto nas compras de componentes como no desenvolvimento e na produção de produtos novos.

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