PSA e VW no ‘olho do furacão’

Em 2021, CO2 a mais pode representar penalizações de 34 mil milhões de euros!

Opinião

Por José Caetano 08-06-2019 10:05

O mercado automóvel, na Europa, é o espelho da(s) incerteza(s) na região, obviamente alimentadas pela instabilidade política com origem no crescimento dos extremismos e, sobretudo, na saída do Reino Unido da União Europeia (UE), divórcio (re)marcada para 31 de outubro. Bruxelas mantém-se firme no braço de ferro com Londres e nem a demissão de Theresa May da liderança do governo britânico originou qualquer mudança de plano. No entanto, em abril, após sete meses de declínio, as vendas de carros novos mantiveram-se no mesmo nível do período homólogo do ano passado. Se não aceleraram, também não travaram! Menos mal…


Recuperando-se os números de abril, da JATO Dynamics, variação de 0%, com o registo de 1,34 milhões de automóveis, número igual ao do mês que encerrou o 1.º quadrimestre de 2018. Ainda assim, na região, no acumulado do ano, o mercado mantém-se no vermelho, com quebra de 2,5%, para 5,47 milhões de matrículas. Um resultado (muitíssimo) abaixo da expetativa… Por países, Espanha, Itália, Polónia e Suíça venderam mais, Alemanha, Reino Unido venderam menos. A tendência negativa registou-se, também, em Portugal e nos estados do Benelux e da Escandinávia.

Confirma-se, igualmente, a crise do Diesel, com a procura de automóveis com motores a gasóleo em declínio acelerado (-12%), para uma quota de 32%. Como contraponto, a popularidade da gasolina é cada vez maior: estas mecânicas representaram quase 60% das vendas. Crescimento, ainda, no número de registos de carros eletrificados: 6,9% do total. Os elétricos alimentados por baterias empurraram o sucesso, com progressão excecional de 71% (!), para 22.900 exemplares. 

Por consórcios, Grupo VW, Renault-Nissan, Fiat Chrysler Automobiles e Ford em baixa, PSA, Daimler e BMW em alta. No entanto, na linha do horizonte, nuvens cada vez mais negras! A partir de 2021, fabricantes obrigados ao pagamento de multas, excedendo-se o limite de emissões de CO2: 95 g/km para a média da frota de cada construtor. Considerando os resultados de 2018 e as penalizações aprovadas pela Comissão Europeia (CE), estimam-se pagamentos na ordem dos 34 mil milhões de euros! Atualmente, nenhum fabricante está a salvo... O ano passado, apenas quatro das 18 marcas mais vendidas no Velho Continente reduziram os gases de escape.


Antecipando-se o pesadelo: no Grupo VW, sem revolução (26,6 gramas acima do limite-2021 no final de 2018!), multa de 2525 € por carro, para total de 9,2 mil milhões de euros – o ano passado, lucros de 12,15 mil milhões de euros; para o consórcio PSA (+23,1 gramas), problemas maiores: 2194 € por carro, 5,4 mil milhões de euros – ganhando apenas 2,83 mil milhões de euros, que dor de cabeça para o patrão do fabricante, o português Carlos Tavares! 

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Cashbolas
08-06-2019 15:13

Independentemente do costrutor, os consumos dos veiculos são sempre muitos superiores ao anunciado nas especificações. Tudo isto serve para lançar poeira nos olhos de cada utilizador e é utilizado para garantir a sobrevivencia dos cosntrutores e salvaguardar os postos de trabalho. NADA MAIS:

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