A eletrificação da Noruega

Autoridades nacionais e municipais coordenam política de incentivos bem-sucedida

Opinião

Por José Caetano 01-06-2019 11:00

Concordando-se que o parque automóvel ilustra o estado de uma nação, a Noruega encontra-se bem e recomenda-se. O reino escandinavo posiciona-se no topo de muitos rankings importantes para a classificação da qualidade de vida, ocupando mesmo a 1.ª posição no índice de desenvolvimento humano desde 2009. Este país escandinavo tem apenas 5,3 milhões de habitantes, com mais de 1,5 milhões concentrados dentro e nas proximidades da capital, Oslo.


A cidade que é Capital Verde da Europa de 2019, título foi-lhe atribuído pela Comissão Europeia, embora a Noruega não figure entre os 28 países membros da organização criada, formalmente, em 1958, após a assinatura do Tratado de Roma. O reino resistiu sempre à entrada no clube, por contar com recursos mais do que suficientes para fazê-lo, incluindo petróleo (vale um quarto da riqueza nacional), gás natural ou minérios. Assim, explica-se o facto de possuir o 4.º maior rendimento per capita do Mundo.


Dispondo-se de dinheiro, as mudanças de paradigmas tornam-se mais fáceis, também no automóvel. Na Noruega, plano para ponto final no comércio de carros equipados só com motores de combustão interna em 2025. E o país acelera muito rapidamente para o futuro. Em 2018, no frente a frente com 2017, as matrículas de modelos eletrificados atingiram quota recorde de 57%! No mesmo período, a procura do Diesel travou 28%... Circulando-se na região da Noruega, o êxito do programa reconhece-se facilmente, tão grande é o número de híbridos e elétricos que encontramos durante todos os trajetos! 


Este sucesso expressa-se, igualmente, nos níveis de poluição. A Noruega figura no top-10 dos países menos poluídos do Mundo, com o setor da mobilidade a contribuir para classificação tão prestigiante: o país possui sistema de públicos moderno e sustentável, que eliminou por completo os combustíveis fósseis e automóveis cada vez eficiente – o ano passado, 1.ª posição no quadro das emissões de CO2 dos carros novos, com média de 72,4 g/km, menos 11,4 gramas do que em 2017. Portugal é 2.º na mesma lista, com 105,4 g/km, valor 1,2 gramas acima do apurado 12 meses antes. A Noruega é exceção. Portugal, não. Na Europa, só mais dois países registam progressos: Finlândia e Holanda. No Velho Continente, pelo 2.º ano consecutivo, mais emissões em vez de menos, com média de 120,5 g/km, o pior registo desde 2015. 

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