Créditos de Carbono: compra e venda

Fabricantes como países: para emitirem mais CO2 (FCA), pagam a quem emite menos (Tesla)!

Opinião

Por José Caetano 19-04-2019 13:00

A fonte da notícia possui credibilidade q.b.:  Finantial Times. Recentemente, o título informou que o consórcio italo-americano Fiat Chrysler Automobiles, para cumprir a média de emissões de CO2 da frota europeia, de 95 g/km, negociou com a Tesla o pagamento de centenas de milhões de euros, de forma a que os modelos do construtor californiano possam contabilizar-se como seus e, assim, colocar-se a salvo das multas milionárias que a União Europeia prepara para aplicar aos fabricantes que violem os limites dentro do espaço comunitário.


O expediente não é novo, nem sequer exclusivo do automóvel. Na América do Norte, no passado recente, FCA, Honda e Toyota adotaram-no, também após negociação com a Tesla, para escaparem a penalizações nos EUA! A compra de créditos de carbono é comum até entre países e encontra-se regulamentada por convenção internacional. Assim, permite-se que quem produz a mais disponha de fórmula de escape para o problema, pagando a quem emite a menos e sempre abaixo dos montantes das multas! 


O cálculo da média das emissões de CO2 realizar-se-á com base nas vendas de automóveis novos e não nos números da produção, nem na quantidade de carros eletrificados integrados nas gamas. Portanto, não existindo alternativas instantâneas, a compra de créditos de carbono tornar-se-á regra em vez de exceção, considerando as informações mais recentes. Pelo 2.º ano, a média de CO2 aumentou em 20 dos 23 mercados analisados pela JATO Dynamics. O retrocesso superou o de 2016 para 2017 (então, apenas mais 0,3 g/km, para 118,1 gramas), atingindo 2,4 g/km, para 120,5 gramas. Valor maior, apenas recuando a 2014: 123,3 gramas. A travagem iniciou-se em 2016, com redução de 4,1 gramas para tão-somente 1,6. No mesmo período, o crescimento na procura de carros a gasóleo abrandou de 7% para 1%. Esta tendência acelerou em 2017, com primeiro aumento em muitos anos (+0,3%), depois de quebra de 8% nas vendas Diesel… Em 2018, ainda pior: os registos de modelos novos a gasóleo diminuíram 18%. Não existem coincidências! 


Outros fatores contribuíram para retrocesso em vez de progresso: aumento na procura de carros a gasolina (em média, emitem mais 3,2 g/km) e o êxito dos SUV, que representaram quase 35% dos registos na Europa em 2018. A indústria, em 2015, cumpriu o limite de 130 gramas, mas o de 2021, com média de 95 g/km para a frota automóvel, repetimo-lo, é irreal.

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