Grandes males, grandes remédios!

Na Europa, para ‘ataque direto’ à sinistralidade, mais assistências eletrónicas nos automóveis

Opinião

Por José Caetano 16-04-2019 23:35

A Volvo antecipou o anúncio de planos para mais equipamentos de segurança ativa na próxima geração de automóveis, a partir de 2020 – estrategicamente, na comunicação e no marketing, brilhante –, mas havia gato escondido. A Comissão Europeia tinha, pronto a apresentar, plano para mais assistências eletrónicas à condução, obrigatórias, não voluntárias, de 2022 em diante!


No pacote de medidas para aprovação no Parlamento Europeu, depois das eleições de maio, encontra-se, também, o sistema de limitação de velocidade, recurso que não beneficia apenas a segurança. Também facilita o cumprimento de normas antipoluição  muito mais restritivas, por travar o consumo de combustível e melhorar a capacidade de híbridos e elétricos, sem recorrer a baterias maiores.


Mas, enquanto a Volvo anuncia limitação da velocidade a apenas 180 km/h, a CE, com base em estudo do Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (CEST), recomenda a integração de Assistente Inteligente apoiado por GPS e sistema de leitura de sinais de trânsito que adapte a velocidade de forma automática, em função das condições do tráfego e da tipologia da via. A tecnologia associar-se-á a outros equipamentos, incluindo a travagem de emergência e o controlo de manutenção na faixa de rodagem.


Mais: na proposta da CE, admite-se a desativação da limitação pelos condutores, através de mais pressão no pedal do acelerador. Mesmo assim, excedendo os máximos autorizados, emissão de sinais de alerta (sonoros, visuais) para informação dos excessos. Desligando-se e ligando-se os motores dos automóveis, sistema outra vez em funcionamento.


No resto, menos autonomia! A restrição da liberdade e a invasão da privacidade é uma certeza, concorde-se ou não com a iniciativa. A CE também pretende câmaras para monitorização do condutor, para deteção de sinais de fadiga, intoxicação (álcool, drogas) ou utilização de telemóveis. Os registos pressupõem, igualmente, o recurso a caixa negra. Logo, num acidente, identificação rápida e simples do(s) culpado(s).


O plano da CE, merecendo aprovação dos deputados europeus, impõe três dezenas de tecnologias entre o equipamento de série dos carros novos, mas sem inflacionamento do preço. Missão impossível. A associação dos construtores aplaude iniciativa para salvar até 25.000 vidas até 2035, de acordo com estimativas do CEST, por privilegiar a segurança ativa em vez da passiva, mais complexa e dispendiosa, mas reclama mais investimento na formação dos condutores e na qualidade das infraestruturas rodoviárias.

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