No Grupo VW, ‘gato escaldado...’

Problemas técnicos e tecnológicos ‘atrasam’ sucessão do Golf; 8.ª geração apenas em 2020

Opinião

Por José Caetano 29-03-2019 12:00

É a rentabilidade que determina a solidez (sobrevivência?) dos fabricantes, não os números da produção ou das vendas. Na indústria automóvel, vê-lo-emos ainda mais e melhor no futuro próximo, quando as empresas forem confrontadas com o pagamento de multas à União Europeia (UE) pela violação dos limites das emissões de CO2, extremos e irrealistas, por isso ridículos, em vez de equilibrados e razoáveis. Vide o exemplo do Grupo VW, sob fogo desde setembro de 2015, após denúncia pública da manipulação dos gases de escape em 11 milhões de automóveis Diesel.


O escândalo abalou, muito fortemente, os alicerces do fabricante, que trabalha, ainda, na recuperação da imagem, por exemplo privilegiando a eletrificação do automóvel. O programa encontra-se em marcha, com o lançamento do 1.º elemento da gama i.D. à vista – encomendas possíveis a partir de 8 de maio, antecipa o diretor de vendas da VW, Juergen Stackmann, mesmo confirmando-se a estreia mundial do modelo apenas no IAA de Frankfurt, em setembro. O plano de recuperação/reestruturação também obriga a progressos importantes na produtividade/rentabilidade, com menos despesa para mais receita (leia-se aumento da margem operacional, com objetivo de 6% na linha do horizonte, muito acima dos 3,8% de 2018 e dos 4,2% de 2017).


Em 2016, a quente, na ressaca de 2015, acordo com os sindicatos para a eliminação de 30.000 postos de trabalho em todo o Mundo, necessário para poupanças de 3000 milhões de euros/ano. Até ao momento, plano sobre carris, com reduções de 6300 empregos e 2,4 mil milhões de euros de despesas. Mas, (muito) mais, precisa-se… Até 2023, menos 7000 trabalhadores apenas na marca principal do consórcio, que conta com 185.000 funcionários no Mundo e economias adicionais de 5,9 mil milhões de euros. Complementarmente, recorrendo a expedientes como as reformas antecipadas ou o não preenchimento de vagas, mais 5000 a 7000 indivíduos a menos na empresa.


O programa não afeta apenas a VW… Na Audi, por exemplo, procuram-se soluções que garantam a sucessão de modelos como R8 e TT, comprometida pela prioridade ao desenvolvimento de automóveis muitíssimo mais eficientes, nomeadamente elétricos. Para os alemães, mais resultados positivos, com 100% da estratégia nova no terreno. 


Mas, por vezes, passos à frente apenas depois de passos atrás! Explica-se, assim, o adiamento para 2020 da estreia comercial da 8.ª geração do Golf, originalmente programado para 2020. O ano passado, na Europa, o compacto manteve o estatuto de n.º 1 nas vendas, mas o número de matrículas abrandou 8%, na comparação com 2017.

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