CO2-2018: mais em vez de menos!

Perseguição ao Diesel ‘compromete’ cumprimento do objetivo-2021: média de 95 g/km

Opinião

Por José Caetano 22-03-2019 12:25

Fotos: Gonçalo Martins

Notícia má para marcas e políticos nacionais e europeus! Em 2018, pelo 2.º ano consecutivo, aumento na média de emissões de dióxido de carbono (CO2) nos modelos novos matriculados na região, com mais em vez de menos em 20 dos 23 mercados analisados pela JATO Dynamics. O retrocesso superou o de 2016 para 2017 (então, apenas mais 0,3 g/km, para 118,1 gramas), atingindo 2,4 g/km, para 120,5 gramas. Só recuando até 2014 encontrarmos número maior: 123,3 gramas.


Para os fabricantes, motores económicos da União Europeu (UE) – também por representarem, direta e indiretamente, milhões de empregos… –, mais pressão, com o cumprimento da média-2021 de 95 g/km comprometido. A travagem nas emissões iniciou-se em 2016, com redução de 4,1 gramas para 1,6. No mesmo período, crescimento na procura de automóveis a gasóleo abrandou de 7% para 1%. Não é coincidência!

Esta tendência agravou-se em 2017: o primeiro aumento nas emissões em muitos anos (+0,3%), após quebra de 8% nas vendas Diesel… Em 2018, ainda pior: os registos de modelos novos a gasóleo diminuíram 18%. E, em setembro, substituiu-se o protocolo de homologação, com WLTP no lugar do NEDC de 1997, para números oficiais quase ao nível dos da condução quotidiana. E, assim, mais CO2.

Outros fatores contribuíram para retrocesso em vez de progresso: aumento na procura de automóveis a gasolina (em média, emitem mais 3,2 g/km) e o sucesso do formato SUV, que representou 35% dos registos de carros novos na Europa em 2018. A indústria, em 2015, cumpriu o limite de 130 gramas, dificilmente, mas o de 2021, com 100% dos carros com emissões iguais ou inferiores a 95 g/km (95% em 2020),  é… impossível. Os cálculos far-se-ão com base nas vendas, não em estimativas, nas gamas de cada marca, muito menos nos anúncios de produção! 


A eletrificação do automóvel encontra-se em marcha, mas produzirá resultados mais lenta do que rapidamente. Assim, aponte-se o dedo aos (ir)responsáveis políticos que apoiaram a perseguição aos Diesel, sem razões técnicas, nos motores modernos. Em 2018, por marcas, Toyota com a média mais baixa, com 99,9 g/km, à frente de Peugeot (107,7 g). Por países, Noruega na 1.ª posição, com 72,4 g/km e Portugal na 2.ª, com 105,4 g. O país nórdico é o que mais compra elétricos e híbridos (quota de 57%), o nosso mantém-se submotorizado! Ou ricos contra pobres.

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