Presidente da VW comete 'gaffe' sobre nazismo

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Por Auto Foco 15-03-2019 15:46

Há uma regra fundamental para qualquer alto responsável da Volkswagen, empresa que esteve associada ao regime nazi na fase final da primeira metade do século XX, é não o mencionar ou algum dos seus lemas emblemáticos numa intervenção pública, a menos que esteja a desculpar-se, o que tem acontecido nalgumas ocasiões.

Todavia, foi próprio o presidente-executivo do grupo automóvel alemão, Herbert Diess, a cometer a ‘gaffe’, ao ficar muito próximo de replicar uma frase ligada ao nazismo durante uma conferência de imprensa sobre o Capital Markets. Segundo a BBC, Diess estava a referir-se às finanças da empresa e levantou o EBIT – ‘Earnings Before Interest and Taxes’, ou ‘Lucro Antes de Juros e Impostos’ (a partir dos valores do EBIT é possível saber qual é o verdadeiro lucro de uma empresa em seus resultados operacionais) e terá dito "Ebit macht frei", que significaria "lucro antes de juros e impostos liberta-o".

Numa apreciação literal, a expressão não parece grave, mas rapidamente provocou celeuma na Alemanha, por se assemelhar a "Arbeit macht frei”, o célebre lema “o trabalho liberta” está associado aos campos de concentração nazis na 2.ª Guerra Mundial, e que está no arco do icónico portão de ferro de Auschwitz.

Dada a sensibilidade da questão, Diess pediu desculpas pelas semelhanças. A BBC refere que o CEO da VW, numa nota emitida às redações, apressou-se a esclarecer que “em nenhum momento” teve intenção que essa declaração “fosse inserida num contexto falso” e que, na altura em que a proferiu, não pensou nessa possibilidade.  Diess reconheceu a expressão “Ebit macht frei” como uma “infeliz escolha de palavras”, frisando que a Volkswagen tem uma “responsabilidade especial na ligação ao Terceiro Reich”.

A Volkswagen pede desculpas regularmente por seu envolvimento com o regime nazi de Adolf Hitler e Diess visitou o campo de concentração de Auschwitz no ano passado com alguns funcionários aprendizes do fabricante. Nesse encontro, o gestor afirmou que “o antissemitismo e a direita radical estão novamente a florescer", por isso é "importante mantermos vivas memórias do incrível grau de desprezo pela humanidade, que excedeu todos os limites do que possamos imaginar".

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