Tolerância zero demagógica

Motores a gasóleo mais modernos produzem menos gases de escape do que os a gasolina

Opinião

Por José Caetano 07-12-2018 12:10

Na Europa, pouco racionalmente, caminha-se para a tolerância zero aos motores de combustão interna. Depois de França e Reino Unido, também a Espanha pretende bani-los em 2040. Escócia e Dinamarca são mais ambiciosas, propondo-se fazê-lo em 2030.

Tratando-se de três países entre os cinco mais importantes do Velho Continente como mercados automóveis (sobram só Alemanha e Itália), encontramo-nos na antecâmara de revolução. Não surpreende, conhecendo-se todas as pretensões do lóbi político que marcha contra o setor, surfando a onda de descrédito do Diesel. A bola de neve, após a denúncia, em setembro de 2015, de que o Grupo VW manipulara mais de 11 milhões de viaturas a gasóleo comercializadas em todo o Mundo, nunca mais parou de ganhar dimensão.

A mudança de paradigma, irreversível, pelo menos na aparência, far-se-á mais lenta do que rapidamente, devido ao irrealismo da pretensão de executá-la por decreto, do dia para a noite! E, porventura, ignorando-se as consequências para indústria que vale 6,1% do emprego na União Europeia, ou 13,3 milhões de postos de trabalho, milhares de milhões de euros em impostos e superávite comercial de 90,3 mil milhões de euros. E, não menos importante, na região, não há setor que privilegia mais o futuro, o desenvolvimento do conhecimento e a investigação tecnológica, com investimentos na ordem dos 54 mil milhões de euros por ano.

Entre as consequências instantâneas da caça ao Diesel, travagem a fundo na procura. Durante o 3.º quadrimestre do ano, os automóveis com motores a gasóleo representaram só 34,7% das vendas na UE (comparativamente ao mesmo período do ano passado, abrandamento de 18,2%). Em contrapartida, híbridos e elétricos aceleraram muito, mas as quotas são modestas (só 4,2% e 2,1%, respetivamente).

No início de novembro, outra certeza sobre a demagogia dos políticos europeus – nos EUA de Trump, tema na gaveta! A associação dos construtores (ACEA) publicou as conclusões de estudo à geração mais recente de mecânicas com tecnologia obsoleta. Resultado que surpreende só os ignorantes: as mecânicas modernas produzem menos gases de escape, incluindo partículas e NOx. No caso do CO2, como as emissões são proporcionais aos consumos, gasóleo melhor do que gasolina. Solução em vez de problema, acabando-se com a demagogia e a mentira!

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