‘Ele sabe o caminho!’

Testámos o Classe G nas pistas utilizadas para o seu desenvolvimento, na montanha de Schöckl, nos arredores de Graz, Áustria

Reportagem

Por João da Silva 01-12-2018 09:00

Em 1972, a Daimler-Benz AG e a Steyr-Daimler-Puch estabeleceram um acordo de cooperação de onde resultaria um veículo com superior capacidade de todo-o-terreno, equipado com sistema de tração integral e bloqueios de diferencial a 100%. Muito mudou até aos dias de hoje na fábrica da Magna Steyr, onde há mais de 35 anos é produzido o Classe G, mas há algo que se mantém: «continua a ser um todo terreno puro e duro. Disso não abdicamos», afirma com orgulho Maximilian Kniepeiss, engenheiro de testes e de desenvolvimento do G, durante a visita à fábrica da Magna Steyr, onde trabalham 10 mil pessoas, 2800 das quais exclusivamente dedicadas ao Classe G.

O todo-o-terreno da Mercedes é produzido manualmente na fábrica de Graz. Manualmente? «A diversidade do modelo a isso o obriga», explica Maximilian, acrescentando que «até hoje, o fabrico é manual e apenas numa linha de produção, demorando mais de cem horas a completar um G, quase o triplo dos veículos fabricados de forma automática».

Permitem-nos tirar fotografias a tudo, ou melhor, a quase tudo. A certa altura, o locutor de serviço pede que não se fotografe um G com configuração militar: verde tropa, banco traseiro corrido com encosto vertical. Logo a seguir à zona da colocação dos motores, operação efetuada com ajuda de um braço mecânico, encontramos os artesãos especializados no couro, que analisam a pele em busca de defeitos para depois calcularem o melhor padrão de corte para não desperdiçarem matéria-prima. «Dedicamos muito tempo ao fabrico de um banco de pele, pois exigimos que sejam robustos e duráveis», esclarece Maximilian.

E eis chegado o momento de rumar à Montanha Schöckl. Ainda a circular dentro da fábrica a um rimo lento, vejo um radar de velocidade. «Um radar aqui dentro?» «Com os novos produtos, há muita gente nova a entrar na fábrica. É preciso manter a disciplina. Não há multas, mas quem infringir muitas vezes vai ter problemas…», clarifica Maximilian, o meu «motorista». A Montanha Schöckl pertence a uma família e é preciso uma autorização especial para testar os carros lá: «Não é permitida a entrada a veículos particulares e é preciso ter cuidado com as pessoas a caminhar e a andarem de bicicleta. Mas tudo funciona bem, pois as áreas estão bem definidas e toda a gente cumpre».

Ao fim de uma hora de caminho, entramos numa íngreme pista de gravilha pincelada por pedregulhos de meio metro de altura espalhados por uma espécie de caminho. Além das rochas, há raízes de árvores fortíssimas a atravessarem a estrada, abanando o G de tal forma que nos sentimos dentro de um shaker.

Atiro-me à montanha russa com Maximilian agora como copiloto: «É seguir sempre em frente, o G conhece o caminho, ele nasce nesta montanha e não sente esforço a percorrê-la». Sigo o que me diz, mas, numa zona mais estreita, com receio de bater com a frente do carro numa rocha ou numa árvore, hesito um pouco na progressão. Maximiliam intervém: «Guie-se pelos piscas, é para isso que eles estão nos cantos do capot. E mantenha o pé direito encostado do lado direito quando estiver a dosear o acelerador, isso vai evitar a trepidação e permitir manter velocidade constante, o mais importante na travessia de obstáculos. É por isso que esse espaço é tão apertado aí junto ao acelerador».

Ao fim de cerca de meia hora, chegamos ao topo do Schöckl. Ao olhar para o que o G ultrapassou quase como se pisasse o alcatrão de uma autoestrada, tão elevado é o conforto mesmo quando debaixo das rodas não há senão pedras de todo o tamanho e feitio, é impossível não deixar escapar uma exclamação de agrado e, até, fantasiar um pouco. Por momentos imaginei que me sentava no Classe G e percorria o Mundo inteiro seguindo sempre em frente.

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