'Só voar é melhor’

Opel GT celebra 50.º aniversário

Reportagem

Por Auto Foco 20-10-2018 09:00

Mais de duas dezenas de fãs do Opel GT, provenientes de lugares tão distantes como a Oceânia, a Europa ou a Ásia, encontraram-se no sudoeste dos Estados Unidos para comemorar o 50.º aniversário do emblemático desportivo da marca alemã com uma tournée com partida e chegada a Las Vegas e passagem obrigatória pela também icónica Route 66.

A viagem de oito dias começou na capital mundial do jogo, de onde os participantes na efeméride se dirigiram para a Barragem Hoover e para leste, ao longo da Route 66, até o Four Corners Monument, o único lugar nos Estados Unidos onde quatro estados convergem: Arizona, Colorado, Novo México e Utah. Daí, a rota levou os Opel GT pelos parques nacionais Mesa Verde e Zion. A viagem terminou no ponto de partida, na cidade onde «tudo o que aí acontece, lá deve ficar», ao fim de 2000 quilómetros.

«Esta viagem foi uma experiência incrível, especialmente porque ter conduzido na Route 66 será inesquecível», afirmou Olaf Moldzen, diretor do Clube Opel GT Europeu, com as suas 28 delegações nacionais, 1450 membros e um total de 1550 unidades do desportivo clássico.

«Muitos condutores de outros veículos e pessoas à beira da estrada, quando nos viam passar, cumprimentavam-nos e faziam gestos de aprovação, com o polegar erguido. O GT provoca sempre reações entusiasmadas, muita gente continua a identificar-se com o conceito de carro desportivo».

 

A história

A história do Opel GT inicia-se no Salão Automóvel de Frankfurt de 1965. A grande estrela do stand da Opel era um irreverente concept de automóvel desportivo de 2 lugares, com uma silhueta esguia, nariz baixo, faróis escamoteáveis, guarda-lamas salientes e traseira curta. O Experimental GT foi o primeiro protótipo apresentado por uma marca alemã. A Opel classificou-o como um «estudo de automóvel de elevadas performances ». A sua autoria deve-se ao designer Erhard Schnell, que estreado, com a sua equipa, poucos meses antes, em Rüsselsheim, o primeiro centro de design de um fabricante de automóveis no continente europeu.

Schnell recorda o desenvolvimento do Experimental GT decorreu sob enorme secretismo… interno. «No começo era apenas um projeto de estilo. O meu chefe não dissera à administração que estava a trabalhar neste concept, mas quando se aproximou da sua conclusão teve de o fazer. Estávamos apreensivos quando mostrámos aquela criação tão irreverente, mas todos aplaudiram com entusiasmo», relembra ainda Schnell.

Tanto a imprensa como o público renderam-se às linhas do Experimental GT e teceram rasgados elogios ao avanço da Opel. A receção entusiástica foi motivo suficiente para que a passagem à produção recebesse luz verde. Decorridos seis anos sobre o primeiro esboço e apenas três sobre essa decisão, a primeira unidade Opel GT saía da linha de montagem. Corria o ano de 1968.

Diferente…

O Opel GT é um dos primeiros exemplos de colaboração franco-alemã. Na sequência de outros projetos em conjunto, a Opel encarregou os produtores franceses de carroçarias Chausson e Brissoneau & Lotz das operações de prensagem, soldadura e pintura, e da instalação do habitáculo do GT. As unidades eram depois enviadas para a Alemanha para montagem dos componentes do chassis e do motor/transmissão.

O Opel GT oferecia duas motorizações. O mais acessível 1.1 provinha do modelo Kadett e debitava 60 cv. O mais potente era um bloco 1.9 com 90 cv, oriundo do Rekord. O GT 1900 ganhou rapidamente popularidade, graças a performances de relevo para a época, como a velocidade máxima de 185 km/h e a aceleração 0-100 km/h em 11,5 segundos. A transmissão às rodas traseiras era efetuada através de uma caixa manual de 4 velocidades.

O GT de produção era bastante diferente do Experimental GT. A dianteira era mais larga e a projeção dianteira mais curta e a altura ainda mais baixa, devido à criação de uma protuberância no capot para contornar os componentes do sistema de alimentação do motor. Os recortes retangulares dos faróis do protótipo foram substituídos por molduras arredondadas. Mas esse design, que tornava o GT tão especial, tornou-se num problema. Não havia camuflagem que escondesse as suas formas invulgares durante os habituais testes de estrada da fase pré-produção.

No interior do habitáculo, saltavam à vista os bancos tipo bacquet, o peculiar volante de três raios e os mostradores redondos. Apesar da emoção subjacente ao GT, a Opel não abdicou de o equipar com os mais avançados sistemas de segurança da época, como cintos de segurança de três apoios, estrutura de tejadilho reforçada, proteção contra embates laterais e coluna de direção telescópica.

Vitórias e recordes

Com baixo centro de gravidade, estrutura rígida e suspensão evoluída, o GT era um automóvel ideal para corridas. Entre muitos sucessos contam-se as vitórias obtidas pelos Opel GT preparados pela escuderia italiana Conrero em provas de longa distância, no início da década de 1970.

Em 1971, Georg von Opel, neto do fundador da Opel, decidiu elaborar uma versão GT com motorização elétrica, capaz de atingir velocidades da ordem de 190 km/h, vindo a estabelecer vários recordes mundiais.

Em junho de 1972 a Opel construiu um GT com motor Diesel que fixaria dois recordes mundiais e 18 recordes internacionais em provas realizadas no centro de testes da Opel em Dudenhofen. Um desses impressionou: velocidade de 197 km/h em apenas 1000 metros foi um desempenho inédito para um carro com motor a gasóleo.

Cinco anos de produção apenas

O Opel GT esteve em produção até 1973. A produção alcançou um total de 103.463 unidades em apenas cinco anos, vendidos na Europa e para os Estados Unidos.

Um dos distintos proprietários de Opel GT é o ator Ken Dukan, que sobre a sua paixão pelo desportivo é perentório: «a publicidade original estava errada: voar não é melhor».

Em 1 de fevereiro de 2006, a Opel surpreendeu ao anunciar a produção de nova geração do GT. Um ano depois, o modelo regressou, agora sem ineditismo. Não era mais do que o rebadge (ou adaptação estética) do Pontiac Solstice e do Saturn Sky, com motor de 4 cilindros, 2 litros, injeção direta e turbo, debitando 264 cv. Foi sucessor do modelo original e efémero, pois esteve apenas três anos no ativo e saiu de cena sem deixar grandes saudades.

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