Renault Mégane R.S.

Pressão!? Pffff...

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Por João da Silva 12-09-2018 12:00

Fotos: Gonçalo Martins

No comunicado de apresentação do Mégane R.S., a Renault afirma que «o design exprime o desempenho», expressão com a qual concordamos, sobretudo com a carroçaria pintada nesta expressiva tonalidade «Laranja Tonic» que enfatiza os pormenores exclusivos do desportivo, como os painéis laterais específicos que alargam ( ao Mégane GT) os guarda-lamas 60 mm à frente e 45 mm atrás, distância ao solo reduzida 5 mm, ampla entrada de ar e lâmina F1 emblemática do design Renault Sport, grelha dianteira específica com padrão 3D em ninho de abelha, saídas de ar laterais para otimizar o escoamento dos fluxos de ar nas cavas das rodas, embaladeiras específicas, defletor traseiro redesenhado para melhorar a aerodinâmica, para-choques traseiro com difusor integrado e a saída de escape central típica do Mégane R.S., realçada por embelezador.

No interior, menos espalhafato

No habitáculo, a decoração é mais sóbria, predominantemente em preto, mas com apontamentos em vermelho que lhe conferem ambiência inspirada na competição e diversos elementos exclusivos como as bacquets em couro (1700 €), quadro de instrumentos desportivo, volante específico R.S., pedais e apoio de pé em alumínio, tejadilho em preto e sistema R-Link com modernizado RS Monitor, dispositivo de telemetria e indicação de dados que sintetiza informações captadas por quarenta sensores que transmite em direto no ecrã tátil inúmeros parâmetros: aceleração, travagem, ângulo de volante, funcionamento do sistema 4Control e temperaturas e pressões.

1.8 Turbo 'virado do avesso'

No Mégane R.S. IV, o 4 cilindros 1.8 turbo de injeção direta foi profundamente revisto – nova cabeça, estrutura reforçada e refrigeração mais eficaz –, debitando 280 cv e 390 Nm. O turbocompressor de dupla entrada (Twin Scroll) foi mexido para aumentar o débito de ar fresco que alimenta o motor: a linha de admissão foi redesenhada com a adição de segunda tomada de ar. Estas e outras modificações nos materiais subiram potência e binário e reduziram, segundo o fabricante, emissões e consumos (-11% e 8%, respetivamente).

Além da caixa manual de seis velocidades, está disponível a nova caixa de dupla embraiagem EDC (e que equipava a unidade que testámos) também com seis relações e leis de passagem específicas associadas aos modos Multi-Sense, sendo que o tempo entre as trocas de caixa depende do modo selecionado. Há quatro modos: Comfort e Normal (passagens sem esticões), Sport (trocas mais rápidas com sonoridade amplificada) e Race (ainda mais rápidas). Nos dois modos mais desportivos, a EDC conta com as funções Multi Change Down (na fase de travagem no modo manual, é possível reduzir várias relações em simultâneo com a patilha esquerda premida) e Launch Control (graças a pré-carga da embraiagem e do turbo, arranques ultra eficazes).

Com o modo Race selecionado, arrancamos a fundo para num ápice ultrapassar os 100 km/h (nas nossas medições fizemo-lo em 6 s, mais 0,2 s do que a marca anuncia), delirando com a ruidosa sonoridade que acompanha o desenvolvimento da mecânica, com a caixa a soltar um empolgante estouro a cada troca. E para uma avaliação a sério do Mégane R.S. escolhemos a Serra de Sintra, o nosso palco de eleição para testar automóveis desportivos. Depois das medições efetuadas dirigimo-nos a Sintra pela autoestrada de Cascais com o sistema Multi-Sense no modo Comfort (regulação específica da resposta do motor e das passagens de caixa que reduz o consumo de combustível), em que registámos um consumo em torno dos 8 litros a cada 100 km. Já em plena serra, selecionámos o modo Sport (resposta do motor mais viva, sonoridade mais elevada, direção mais rígida e algum atraso na intervenção do ESP) e deitámos mãos à obra: o motor é muito progressivo e alguma pujança que lhe parece faltar no arranque acaba por desaparecer à medida que vai ganhando velocidade, com a caixa de dupla embraiagem a gerir muito bem potência e binário disponíveis. A certa altura, optámos pelo modo manual, trocando de caixa nas patilhas junto ao volante, mas depressa optámos pelo seletor na consola, pois as patilhas são fixas e não rodam com o volante, pelo que por vezes não estão onde precisamos... Gostámos do desempenho dos travões (são agora 15 mm maiores) e do equilíbrio do carro em todas as situações, inclusive travagens a meio de curvas. As quatro rodas direcionais conferem ao Mégane R.S. maior manobrabilidade (fantástica), facilitando viragens em apertados ganchos, bastando rodar um pouco mais o volante a meio da curva para que as rodas traseiras apontassem na direção contrária (isto só acontece abaixo de 60 km/h), ajudando a manter a frente na curva, o que em carros de tração dianteira é muitas vezes um problema em condução mais entusiasmada...

E também sem 'rede'

A certa altura, arriscámos o modo Race, mais adequado para utilização em circuito, pois desativa o controlo de estabilidade e sintoniza o sistema 4Control para agilidade superior, ou seja, é afinação para piloto. Fica o aviso: sem rede, o Mégane R.S. é um cavalo difícil de domar, sobretudo em estradas civis de montanha, onde não há escapatória e portanto pouco espaço para o improviso. Contudo, ao fim de algum tempo, é fácil de perceber como funciona o carro e torna-se fácil de confiar no excecional equilíbrio do chassis. Em algumas ocasiões mais no limite, em que a traseira se soltou, bastou uma ligeira contra brecagem e alguma carga no acelerador para colocar o carro nos eixos (o risco compensa...).

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