Mercedes-Benz Classe A 250 e vs Audi A3 Sportback 40 TFSIe

Melhor que Diesel?

CONFRONTO

Por Paulo Sérgio Cardoso 23-01-2022 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Aos poucos (e acima de tudo por imposições legais), as marcas vão migrando o interesse das propostas Diesel para as soluções híbridas PHEV. Mas para o utilizador, estas serão realmente mais interessantes e funcionais? Ou não passam, ainda, de uma ‘fachada’ ecologicamente correta?

São várias as formas de um automóvel (ou tecnologia) ser melhor que outro(a). Tudo depende do ponto de vista. Para uns, basta que seja mais barato; para outros, o que mais interessa é se anda bem! E outros, ainda, estarão mais preocupados com os custos de utilização e com a pegada ecológica. E poderíamos continua a listar...

Para as empresas, ainda uma importante fatia do nosso mercado – mesmo em tempos de pandemia e confinamento, com carros de serviço parados à porta de casa ou a serem devolvidos, mas acreditando que tudo irá, aos poucos, voltar ao normal... –, o custo de aquisição e as deduções fiscais que o Estado português contempla para híbridos Plug-In como estes Audi A3 Sportback 40 TFSIe e Mercedes A 250 e faz deles propostas muito mais atraentes mesmo face aos Diesel base de gama. E para quem os utiliza, as generosas descargas de binário e os mais de 200 cv combinados entre motor a combustão e unidade elétrica, representam alento emotivo calcando o acelerador lá no fundo! Depois, só fica a faltar uma tomada por perto para que tudo isto faça sentido relativamente aos custos de utilização.

As soluções mecânicas PHEV presentes nestes dois carismáticos compactos premium apresentam algumas diferenças que lhes pode toldar a personalidade. No recém-chegado Audi A3, motor 1.4 turbo a gasolina (150 cv) ligado a motor elétrico de 109 cv alimentado por bateria de 13 kWh, com rendimento máximo combinado de 204 cv (também existe versão 45 TFSI de 245 cv). No Classe A 250 e, o trabalho combinado do motor 1.3 turbo de 160 cv e da máquina elétrica resultam em 218 cv, mas estando associado a bateria de maior capacidade, 15,6 kWh (em ambos os casos, valores de capacidades brutas). Ou seja, o Mercedes apresenta uma superior autonomia real em modo puramente elétrico, entre 68 e 70 km (por nós aferidos), ao passo que o Audi A3 também não teve problemas em completar interessantes 55 km sem ligar o motor térmico. Alcances que permitirão à maioria dos utilizadores realizar as suas deslocações diárias apenas em modo elétrico, o que se reflete num gasto real de cerca de 1 € de eletricidade/dia, em tarifa doméstica reduzida – os tempos de carga rondam as 5h-5h30m.

Além das vantagens que têm por base a bateria de maior capacidade, o Classe A ainda permite que a mesma seja carregada a velocidades mais rápidas, ligado a uma wallbox de 7,4 kW, ao passo que o carregador de bordo do Audi A3 não aceita mais que 2,9.

Em ambos os casos, com a potência conjunta (ou individual) entregue ao eixo dianteiro, notam-se algumas perdas de motricidade pedindo-se a combinação máxima das mecânicas, como resultado dos elevados valores de binário que trabalham em prol de performances ao nível de muitos desportivos! No Mercedes, não obstante a presença de caixa automática de oito velocidades, esta é mais lenta nas reduções e desmultiplicações face à transmissão de seis relações da Audi, o que ajuda a explicar as (ainda) mais lestas retomas de velocidade; o Classe A consegue impor-se nas acelerações e, em particular, nos regimes mais altos.

Mas, no dia-a-dia, conte-se com consumos elétricos na ordem dos 17 kWh/100 km no A3 e de 15,3 kWh no Mercedes, somando-se, depois, médias em torno dos 2 litros para completar os primeiros 100 km. Num funcionamento puramente híbrido (ou seja, terminada a carga da bateria), os consumos médios rondarão 5 litros nos dois modelos, sendo que o motor 1.4 turbo do Audi se mostrou um pouco menos guloso, a solo, face ao 1.3 da Mercedes. Para aferir estes e outros dados relacionados com a condução, os gastos ou o funcionamento do sistema híbrido, ambos contam com completo rol informativo nos respetivos computadores de bordo e sistemas multimédia.

Também em ambos há modos de condução que afetam a sensibilidade de direção e acelerador e que podem ser conjugados com os módulos de utilização da tecnologia híbrida, com funções que permitem forçar a ação individual do motor elétrico (útil para circular em ambiente urbano e com capacidades para rolar até cerca dos 140 km/h), armazenar carga da bateria para posterior utilização ou para entregar à eletrónica a gestão da eficiência dos motores – em que geralmente o motor a gasolina toma as rédeas a partir dos 80-90 km/h. O Audi acrescenta útil, mas mais gastador autocarregamento da bateria em andamento (função Battery Charge) pelo motor a combustão. Face aos motores Diesel (sejam os de base ou os mais caros, com potências de 150 cv), estes conjuntos mecânicos híbridos PHEV somam ainda a superior serenidade na condução, seja via (silenciosos) motores elétricos, seja ainda pela elasticidade e quase ausência de vibrações por parte das mecânicas a gasolina. Sem esquecer o facilitismo proporcionado pelas caixas automáticas e a fluidez na entrega do binário.

A contribuir para o melhor aproveitamento de todo o ciclo energético a bordo (entenda-se, ajudando à maior regeneração energética possível via travagem e desaceleração), A3 e Classe A contam já com vários sensores e muita eletrónica que ativa uma condução preditiva, ou seja, que sugestiona o condutor a desacelerar face à proximidade de zonas mais lentas (por exemplo, cruzamentos) ou de inferiores limites de velocidade.

Aqui presentes em versões com vertentes e acabamentos desportivos (S line no A3 e AMG Line no Classe A) o Mercedes apresenta preço base mais elevado que se justifica pela oferta, de série, de sistema de navegação (com a referida tecnologia de condução preditiva), jantes de 18’’, iluminação exterior LED, bancos em pele e tecido e sensores de parqueamento com câmara traseira. Mas ao analisar os valores de renting fornecidos pela LeasePlan (para contratos de aluguer operacional com duração de 48 meses/80.000 km, incluindo manutenção e seguro, para clientes particulares), o Mercedes surge com as mensalidades mais baixas...

Embora de interiores inteiramente focados na digitalização e modernidade de interação ergonómica, as soluções da Mercedes são mais simples, intuitivas e centralizadas ao nível de botões físicos – além de que os comandos por voz podem ser realmente úteis, numa (quase) conversa com o MBUX.

Ambos os modelos proporcionam qualidade à condução, fazendo do condutor o centro das atenções. O Audi conta com eixo traseiro multibraços, mas tira poucos dividendos dessa arquitetura mais evoluída: o amortecimento resulta algo firme face ao Mercedes e, curiosamente, com menor sensação de contacto com a estrada. Ou seja, embora competente e extremamente seguro, falta ao A3 a interação dinâmica que caracteriza o atual Classe A, modelo que também melhor dissimula a sensação do peso acrescido pela bateria.

Para clientes empresariais e havendo a possibilidade de carregamento da bateria em horário noturno (casa) ou no local de trabalho, estas versões PHEV de Audi A3 e Mercedes Classe A são, à cabeça, mais baratas (deduzindo IVA), mais económicas e mais despachadas face às mecânicas Diesel. Só a quem faça muitos quilómetros diários em autoestrada o Diesel poderá ser ainda solução a considerar... A presença da bateria rouba espaço à bagageira e acresce peso aos conjuntos. O A3 é mais espaçoso, tem superior garantia geral e o motor a gasolina é mais expedito; o Mercedes responde com melhor interação dinâmica e superior autonomia elétrica.

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Ficha Técnica

Características

AUDI A3

Sportback 40 TFSIe

MERCEDES A

250 e

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha 4 cilindros em linha
Capacidade 1395 cc 1332 cc
Alimentação Inj. direta, Turbo, Intercooler Inj. direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v 2 a.c.c./16v
Potência 150 cv/5000-6000 rpm 160 cv/5500 rpm
Binário 250 Nm/1550-3500 rpm 230 Nm/1620-4000 rpm
Motor elétrico
Tipo - -
Potência 109 cv (80 kW) 102 cv (75 kW)
Binário 330 330 Nm
Bateria Iões de lítio Iões de lítio
Capacidade da bateria 13 kWh 15,6 kWh
Módulo Híbrido
Potência 204 218 cv
Binário 350 450 Nm
Transmissão
Tração Dianteira Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 6 vel. Automática de 8 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,1 m Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,343/1,816/1,458 m 4,419/1,796/1,452 m
Distância entre eixos 2,63 m 2,729 m
Mala 280-1100 litros 310-1125 litros
Depósito de combustível 40 litros 35 litros
Pneus F 8jx17-225/45 R17 7.5x18-225/45 R18
Pneus T 8jx17-225/45 R17 7.5x18-225/45 R18
Peso 1635 kg 1680 kg
Relação peso/potência 8 kg/cv 7,7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 227 km/h 235 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,6 s 6,6 s
Consumo médio 1,4 l/100 km 1,1 l/100 km
Emissões de CO2 26 g/km 24 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos ou 80.000 km 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos 3/30 anos
Intervalos entre revisões 30000 km 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 137,14 € 137,14 €

Medições

AUDI

Acelerações
0-50 km/h 2,9 s
0-100 / 130 km/h 7,0/10,7 s
0-400 / 0-1000 m 15,0/27,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,8 s
60-100 km/h (D) 3,5 s
80-120 km/h (D) 4,6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,8/9,4 m
Consumos
Consumo médio 2,4/4,8 l/100km
Autonomia 600 km

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 2,8 s
0-100 / 130 km/h 6,8/10,4 s
0-400 / 0-1000 m 4,9/27,0 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,1 s
60-100 km/h (D) 3,8 s
80-120 km/h (D) 4,5 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,3/9,3 m
Consumos
Consumo médio 2/4,5 l/100km
Autonomia 550 km