A coluna da direção com ajuste em altura e profundidade por comando elétrico é opcional (490 €), mas a versão S line está muito bem equipada. Destaque para os amplos ecrãs digitais (12,3’’), tanto à frente do condutor, como no topo da consola O habitual Audi Drive Select também inclui o mais exigente modo de condução Offroad, que regula a altura da suspensão pneumática Unidade Diesel de 6 cilindros em V (286 cv) com sistema ‘mild-hybrid’ apoiado por bateria adicional de 48V Há várias configurações possíveis mediante se inclua ou não a 3.ª fila de bancos. Se for esse o caso, a volumetria de 770 litros desce para 295 l Bancos confortáveis, forrados a pele (de série) O acesso à última fila a partir da ‘bancada central’ e com o rebatimento do banco e do encosto lateral não é muito fácil, já que o vão é estreito A abertura em separado do portão é prática com a parte inferior rebatível (estrado). Há vários detalhes funcionais e a 3.ª fila é opção por 1850 € O volante em pele combina com as restantes aplicações metalizadas nos frisos do tablier e na consola central. Há inúmeras personalizações à medida, desde o ‘pack’ M (8890 €) até aos forros mais exclusivos a pele da linha Individual As várias ajudas eletrónicas estão agregadas no ‘pack’ designado por Assistente de Condução, opcional que atinge o custo de 1140 € O bloco 3.0 de 6 cilindros da BMW está em posição longitudinal e recorre a turbo de geometria variável Bancos à frente com ajustes elétricos (1350 €) Atrás, a posição dos assentos não é tão panorâmica como no caso da do Q7, mas a distância até aos encostos da frente é igualmente ampla

Audi Q7 50 TDI QUATTRO S Line vs BMW X5 xDrive30d

SUV ou... SUV eis a questão!

CONFRONTO

Por João Ouro 20-02-2021 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

Se a questão fosse fácil não era preciso discuti-la, uma vez que a excelência destes modelos é indesmentível. Grandes SUV, grandes Diesel. Há inúmeras semelhanças a ter em conta, mesmo que os pontos em comum possam ser escrutinados de forma desigual.

No lado do Q7, a revisão incide na imagem exterior e no redesenho do ambiente interno, inclusive com mais equipamentos e outras funcionalidades, numa evolução significativa face ao antecessor lançado em 2015. Cinco anos depois, a frente foi revista, há outras óticas (LED), novos contornos, cores diferentes e, sobretudo, mais tecnologias.

Na linha da frente também se encontra a versão 50 TDI Diesel com sistema mild-hybrid, ou seja, apoiada por pequeno motor elétrico (16 cv) que é alimentado por uma bateria extra de iões de lítio (48V) colocada à retaguarda. Esse funcionamento reflete-se de forma impercetível e garante uma maior eficiência – leia-se menores consumos e emissões –, abrangendo funções de motor de arranque e alternador, além de ajuda suplementar à capacidade da aceleração do V6 com 286 cv. Ao mesmo tempo também permite circular por inércia até ao máximo de 40 s, desligando o motor quando se levanta o pé do acelerador (entre 55 e 160 km/h). O start-stop também o desativa abaixo dos 22 km/h, mais cedo do que é habitual e numa lógica que lê o abrandamento do Q7 até este se imobilizar. Estas estratégias favorecem o consumo e isso entende-se nos registos médios de 8,3 a 8,7 l/100 km, valores baixos para um automóvel que tem mais de 5 metros, cerca de 2,2 toneladas e lotação para sete pessoas. Nada mau, se se pensar nas credenciais a jogo: 241 km/h de velocidade máxima e 6,5 s até aos 100 km/h. A média de consumo no X5 é mais elevada, mas ainda assim suportada por patamar a partir dos 8,8 a 9 l/100 km, adaptando- -se às exigências da condução, podendo optar-se pelo mais poupado Eco Pro.

A potência do Audi é superior à da do X5, mas isso não se reflete ao nível das prestações, as quais se equiparam nas reprises e nas acelerações. O tamanho e maior peso do Q7 contribuirão para isso, é certo, mas a melhor dinâmica do BMW também marca pontos nesse domínio, acabando por esbater essa inferioridade de 21 cv, ultrapassando o adversário no valor do binário máximo anunciado: 620 Nm logo a partir das 2000 rpm – em vez dos 600 Nm do Audi Q7. Em quaisquer dos casos, muita força para dar e… vender, como é habitual dizer-se! Destaque ainda para menor ruído e vibrações inferiores do V6 da Audi, provavelmente pela influência da ligeira hibridização e graças à melhor insonorização a bordo. Junta- se o conforto da envolvência digital, visível nos amplos ecrãs na consola/tablier (táteis de 12,3’’) e no painel à frente do volante. Os monitores do X5 têm igual amplitude e as funcionalidades do conhecido iDrive foram melhoradas, mantendo-se o botão rotativo de controlo na consola com novas teclas de atalho.

Dinâmicas insuspeitas

Tendo em conta as dimensões é surpreendente a dinâmica obtida por ambos, embora seja possível apontar alguns aspetos divergentes: o X5 é mais assertivo nos trajetos sinuosos e tem uma direção à imagem da BMW, precisa, direta e rápida – e a fazer lembrar outros automóveis da marca –, ao passo que o Audi aposta num conforto à escala, ou seja, do tipo XXL, graças à suspensão pneumática e aos pneus Goodyear Eagle F1 285/45 com jantes de 20’’. A assistência da direção elétrica é mais pesada, embora sem exagero, mas bem diferente da do BMW, talvez por culpa do efeito autodirecional a que recorre no eixo traseiro, este mais conveniente nas velocidades elevadas e na resposta integrada com a tração quattro.

O amortecimento variável é um dos elementos em evidência, conjugado com o Audi Drive Select, que também inclui o modo Offroad (baixa e levanta a altura ao solo), além das configurações allroad, Efficiency, Comfort, Auto e Dynamic. No BMW há a hipótese de recorrer a amortecimento adaptativo – esta versão não o possuía –, assim como à diferenciação dada pelos usuais graus de condução, desde o Eco Pro ao Sport. Os pneus Pirelli PZero 265/50 com jantes de 19’’ conferem-lhe uma firmeza e aderência a toda a prova, bem avaliada numa travagem segura e de menor distância a partir de 100 km/h, cuja eficácia está acima da do rival. É por aí que se perspetivam as diferenças objetivas, tendo como garantido que a 4.ª geração do X5 está melhor do que nunca na relação com a estrada, graças às melhorias do chassis e das suspensões, projetado para obedecer o melhor possível em curva e anulando as transferências de massa comuns aos SUV. Aliás, os balanços da carroçaria do X5 são inferiores aos do Q7, mas ambos passam com distinção nesse exame.

Não é só na dinâmica que o BMW revela progressos, uma vez que também melhorou alguns aspetos práticos, mas aí com o Q7 a superiorizar-se nesta versão S line, mais aristocrata e luxuosa, mesmo que a lista de opções seja extensa, inclusive com uma 3.ª fila de bancos adicional (1850 €). Não faltam centímetros nos habitáculos, aqui e ali com vantagens repartidas: maior largura à frente e atrás no X5 (ligeira), empate na altura e maior comprimento atrás para as pernas dos passageiros no caso do Q7. A maior distância entre eixos do Audi é preponderante, como se vê na volumetria do compartimento de carga com 770 litros, contra 650 litros do rival. É evidente a vantagem de contar com uma 3.ª fila (rebatível e controlada por comando elétrico), embora aí o espaço seja apertado, apenas aconselhado para viagens ocasionais e/ou para crianças. Ao meio, os bancos individuais rebatem, deslizam e reclinam, numa transfiguração modular, do tipo puzzle. Já a entrada para a 3.ª fila não é nada fácil, demasiado estreita, mesmo com o banco lateral dobrado.

Quanto às aptidões TT, o X5 tem melhores ângulos de entrada de 25º, saída com 22º e ventral de 20º, além dos 214 mm na distância ao solo. No Q7 podem surpreender, embora sejam inferiores: entrada de 23,1º, saída de 14,4º, rampa com 13,1º e altura ao solo de 210 mm (90 mm variáveis). Por fim, as transmissões automáticas de oito relações são fáceis de comandar, sem grande arrastamento ou hesitações; mais eficaz e rápida a da do BMW (da ZF), novamente a conferir uma matriz mais dinâmica ao modelo de Munique, mesmo que depois, ponto a ponto, a vitória final até sorria ao SUV de Ingolstadt.

Ponto a ponto, o confronto entre Q7 e X5 é muito equilibrado, embora possa ser diferenciado nalguns aspetos essenciais. Na 4.ª geração do SUV da BMW fica evidente a dinâmica (ainda) mais acentuada, numa matriz suportada pela ótima resposta do chassis, da suspensão e da direção, a que se junta, neste caso, as prestações do bloco 3.0 Diesel associado à caixa automática ZF. Tudo isto sem abanar o conforto e a funcionalidade. O renovado Q7 consegue estar à altura nesses aspetos, inclusive com ótimos registos do bloco 50 TDI (mild-hybrid), a par da elevada eficácia dinâmica, acrescentando ainda um notável conforto por parte desta versão S line.

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Ficha Técnica

Características

AUDI Q7

50 TDI QUATTRO S LINE

BMW X5

xDRIVE30d

Motor
Arquitetura 6 cilindros em V 6 cilindros em linha
Capacidade 2967 cc 2993 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2x2 a.c.c./24v 2 a.c.c./24v
Potência 286 cv/3500-4000 rpm 265 cv/4000 rpm
Binário 600 Nm/2250-3250 rpm 620 Nm/2000-2500 rpm
Transmissão
Tração Integral permanente Integral permanente
Caixa de velocidades Automática de 8 vel. Automática de 8 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. multibraços, pneumática Ind. braços duplos
Suspensão T Ind. multibraços, pneumática Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,5 m Elétrica/12,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 5,063 / 1,970 / 1,740 m 4,922 / 2,004 / 1,745 m
Distância entre eixos 2,994 m 2,975 m
Mala 295-770-1995 litros 650-1870 litros
Depósito de combustível 75 litros 80 litros
Pneus F 9jx20-285/45 R20 8,5jx19-265/50 R19
Pneus T 9jx20-285/45 R20 8,5jx19-265/50 R19
Peso 2240 kg 2185 kg
Relação peso/potência 7,83 kg/cv 8,24 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 241 km/h 230 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,3 s 6,5 s
Consumo médio 8,4 l/100 km 7,7 l/100 km
Emissões de CO2 220 g/km 201 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos/80.000 km 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 791,97 € 636,44 €

Medições

AUDI

Acelerações
0-50 km/h 2,4 s
0-100 / 130 km/h 6,5 s
0-400 / 0-1000 m 14,8 / 27,2 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,2 s
60-100 km/h (D) 3,8 s
80-120 km/h (D) 4,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 42 / 9,3 m
Consumos
Consumo médio 8,5 l/100km
Autonomia 882 km

Medições

BMW

Acelerações
0-50 km/h 2,1 s
0-100 / 130 km/h 6,6 s
0-400 / 0-1000 m 14,7 / 27,5 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,2 s
60-100 km/h (D) 3,9 s
80-120 km/h (D) 4,9 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,2/8,8 m
Consumos
Consumo médio 8,8 l/100km
Autonomia 909 km