Peugeot 2008 1.2 Puretech 130 GT Line vs Fiat 500X Sport 1.3 Turbo DCT

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CONFRONTO

Por João Ouro 07-02-2021 09:30

Fotos: Gonçalo Martins

O protagonismo da gasolina começa a desenhar-se em vários segmentos com o regresso das preferências aos modelos equipados com essas motorizações. E isso não é exceção na categoria dos SUV compactos, numa escolha que se poderá justificar inteiramente em vez dos Diesel. Nesse contexto, eis ‘frente-a-frente’ entre os atores 2008 e 500X Sport

O regresso à gasolina tem tido alguns reveses nalguns dos mercados, nomeadamente com o aumento médio das emissões de CO2, exigindo o recurso a modernos filtros de partículas, embora no caso dos NOx (óxidos de nitrogénio) isso seja ao contrário, já que esses blocos são mais amistosos do que os Diesel. Mesmo sem diabolizar as mecânicas a gasóleo, nalguns casos menos poluentes, há aspetos em que os motores a gasolina são bem melhores, pautando-se por outra suavidade e ruído menos notado, sem as típicas vibrações associadas aos Diesel.

É nesse território de mais conforto que surgem novas propostas a que o mercado responde de forma interessada.  Na verdade, esses modelos nunca deixaram o palco, mas passam a ter agora outro protagonismo em vez de papéis secundários. Entre os novos intérpretes – e no segmento dos SUV compactos –, confrontámos o novo 2008 da Peugeot com motor de 3 cilindros de injeção direta e 130 cv (também há a versão de 100 cv) com o Fiat 500X impulsionado por unidade de 4 cilindros de 150 cv. Ambos adotam os códigos de imagem que são comuns aos denominados SUV (Sport Utility Vehicle), numa colagem à moda atual e com versões bem equipadas:  GT Line no Peugeot (faróis LED, jantes de 17’’e duas saídas de escape) e Sport no Fiat – este com óticas LED, jantes de 19’’ (350 €) e detalhes exclusivos.  As dimensões das carroçarias são parecidas, embora o 2008 esteja agora mais perto do irmão 3008, juntando alguns detalhes de design já conhecidos, como as óticas atrás tipo garras (LED).

Ao mesmo tempo aumentou o comprimento (14 cm) e a largura (3 cm) face ao anterior, assim como a distância entre eixos. Partilha a plataforma com o novo 208 do segmento B, mas as medidas em causa refletem os ganhos obtidos na habitabilidade, que permitem fazer jogo igual ao do 500X, embora este disponha de centímetros adicionais, na 2.ª fila, na distância até aos encostos da frente. Contudo, a posição para as pernas é aí mais vertical e menos confortável do que Peugeot, enquanto a largura e a altura ao teto são idênticas. Menos coincidente é a qualidade dos forros e de alguns materiais, com vantagem para o modelo francês, que acrescenta a decoração mais moderna.  A bagageira do Peugeot é mais prática de utilizar, mediante entrada mais ampla e um estrado separador que se fixa em duas posições, além de ter melhores revestimentos. Na volumetria para carga, mais vantagens do 2008, com mais 55 litros do que a do 500X.

A estrutura do 2008 é proveniente da colaboração da PSA com a chinesa Dongfeng, resultando na otimização da rigidez e na redução do peso, e a compatibilidade com as mais avançadas tecnologias de apoio à condução, que podem ser configuradas no ecrã central de 10’’ no topo do tablier. No resto, a atual geração i-Cockpit da Peugeot: instrumentação digital com projeção holográfica de alguns dados e volante compacto em posição inferior, que continua a motivar opiniões divergentes.  Nesses aspetos, a diferença é visível para o 500X, cujo interface é menos atraente, apesar dos equipamentos exclusivos. 

Na estrada, o modelo de Turim é firme e a suspensão tem reações secas, a que se junta a ótima aderência por parte dos pneus Dunlop Sport Maxx 225/40 ZR19 – conjunto que garante bom equilíbrio e reduzido adorno da carroçaria a curvar, mas que não é imune a ligeiros esticões devido à força do motor e a resposta hesitante da transmissão automática de dupla embraiagem em certos momentos. Nada de mais! Se não se exagerar no acelerador é possível guiar o 500X de forma tranquila, mas quando se decide aproveitar melhor a potência há que contar com esse efeito. A aceleração e as recuperações medidas são melhores do que as do 2008, mas este também surpreende pela resposta pronta do bloco de 3 cilindros. No Peugeot, o desempenho é ampliado pelo modo Sport, que modifica a assistência da direção e projeta um tato mais desportivo, inclusive com outro som de escape, coordenando-se bem a ação do volante com a precisão da caixa manual de 6 velocidades. Esta tem um escalonamento longo em 5.ª e 6.ª, abrandando as recuperações, mas favorecendo os consumos. Aliás, outra grande diferença é o intervalo desses registos: no Peugeot com médias entre 6 e 7,5 l/100 km (de 7,5 a 8 l/100 km se se insistir no modo Sport), enquanto no Fiat o valor mais favorável começa exatamente a partir dos 8 l/100 km, sendo fácil chegar perto dos 10 l/100 km.

No 2008, o comportamento é exemplar e a travagem até à imobilização do veículo, a partir de 100 km/h, é curta, de apenas 34,6 metros. Noutros tempos só mesmo num Porsche! A insonorização está uns furos acima da do oponente, com o ruído do motor de 3 cilindros pouco audível. Outra nota, ainda, para a direção, mais informativa, embora o 500X disponha de novas leis da assistência elétrica, suspensão rebaixada (13 mm) e amortecedores específicos, controlando-se melhor os movimentos a curvar. O Fiat não tem modos de condução diferenciados, mas o escape duplo entoa acústica animada no tatear do acelerador, em especial nos regimes elevados, em que o motor respira melhor. Elogie-se a atuação do pedal do travão e a forma como estanca a velocidade. Apesar desses atributos, o Fiat não evita a supremacia do rival em vários aspetos, o que se reflete ao longo da tabela de pontuação.

Ponto a ponto, a vantagem do novo 2008 face ao 500X desenha-se com facilidade, mesmo que a versão Sport do Fiat exiba excelentes argumentos, equipada com mais potente motor de 4 cilindros (150 cv) e ligado a caixa automática de dupla embraiagem (DCT). Esta mecânica assegura melhores prestações do que as do Peugeot, com motor de 3 cilindros de 130 cv e transmissão manual, mas cujo conjunto não é tão brusco na utilização, especialmente nas passagens de caixa, e ainda permitindo por modos de condução diferenciados (Eco, Normal e Sport). A dinâmica do 2008 é mais eficaz, assim como o conforto, a que se junta o interior mais atrativo e de conceção mais moderna.

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