BMW X1 sDrive16d Auto vs Mazda 1.8 CX-30 Skyactiv-D Auto

Insuspeitas aspirações

CONFRONTO

Por Ricardo Jorge Costa 09-01-2021 09:10

Fotos: Gonçalo Martins

A promoção insuspeita do Mazda CX-30, automóvel de fabricante dito generalista, a este confronto com um legítimo produto de marca premium, como o BMW X1, justifica-se pelo padrão de qualidade meritório a que o construtor japonês tem elevado a sua nova geração veículos, de que o SUV compacto com estilo de coupé da moda é fiel exemplo. Qualidade que se generaliza aos elementos nevrálgicos do automóvel, da plataforma à conceção do interior, das tecnologias das motorizações e de assistência à condução, informação e conectividade, ao design, e que eleva, neste caso, o CX-30, a aspirante ao posicionamento premium do seu segmento, em que se alinham, além do BMW X1, os seus pares de estatuto elitista, Audi Q3, Mercedes-Benz GLA e Volvo XC40.

Isso sem que a Mazda tenha alguma vez assumido essa aspiração no mercado. Pelo menos, até ver. Desde logo, pelo estabelecimento do preço, como se comprova entre os dois contendores aqui presentes, em que há 5000 euros a separá-los nos valores de base nos respetivos catálogos e larguíssimo fosso de 15.000 euros entre as versões em análise. Tal fica a dever- se à tradicional política de oferta das marcas premium, que reservam as preferências dos clientes na dotação do seu carro para vasta e encarecida lista de opcionais – há 11.000 euros em extras no X1 a confronto. Em contraponto, a Mazda, como a maioria dos seus congéneres generalistas (e em particular os asiáticos) restringe a escolha a pouco mais de um par de níveis de acabamento, a que permite o enriquecimento com igualmente restrito volume de opcionais – a preços incomparavelmente inferiores aos da BMW.

Perante este argumentário, impõe a costumeira questão fundamental: será o CX-30 equiparável ao X1 – como produto automóvel; e sendo- o, atentando ao preço muitíssimo mais baixo, incluindo os valores de aquisição através do cada vez mais comum renting, a sua competitividade comercial seria imbatível? Ou terá o X1 virtudes evidentemente superiores que justifiquem inflacionamento do investimento do consumidor? É este o mote deste confronto, cuja resposta ditará o seu resultado final.

A BMW renovou recentemente um dos seus SUV mais compactos (o X2 é 8,7 cm mais curto e 7,2 cm mais baixo), com modernização subtil na imagem exterior e dos conteúdos da tecnologia de bordo. Nesta chamada, o crossover alemão dispõe de já conhecido motor a gasóleo de entrada de gama, com três cilindros, 1,5 litros e 116 cv. Eis as marcas premium a acolherem, sem complexos, a arquitetura tricilíndrica das motorizações, mais proveitosa pela eficiência no consumo e nas emissões. A Mazda, que dispensaria tais pruridos, recorre a mecânica mais ostensiva, mas só na capacidade (1,8 litros e 4 cilindros), porque é em tudo semelhante, na potência e no binário (270 Nm), à da BMW. A transmissão, ainda semelhante no automatismo das respetivas caixas de velocidades, difere no número de relações: seis na nipónica e sete na germânica. O funcionamento destas para o desempenho dos veículos, por um lado, é idêntico no que confere às prestações (acelerações, recuperações) – ou sem diferenças mensuráveis –, por outro dissemelhante na eficácia e consequente agrado na condução, com claríssima vantagem da caixa da BMW. No resto, ambos os SUV enfrentam a preceito todos os ambientes rodoviários por onde circulem, exibindo performances satisfatórias, adequadas a uma utilização quotidiana e eclética – quer em cidade, estrada ou autoestrada. No X1, esta qualidade é otimizada através da possibilidade de recurso ao botão do programa Experiência de Condução, para escolher entre um dos três perfis de condução (Comfort, Sport e Eco) que afetam a resposta do acelerador, o peso da direção e os pontos de engrenagem da caixa. O modo Eco, que ajuda a reduzir o consumo e as emissões, desliga o motor 16d da transmissão a velocidades de cruzeiro entre 50 e 160 km/h, o que significa que, nessas circunstâncias, o X1 se desloca pela sua própria inércia, permitindo conter os gasto médio de gasóleo até 5,8 l/100 km, sem especial zelo pela poupança. Sem este recurso e maior na cilindrada do Skyactiv-D, o CX-30 não é tão eficiente, consumindo mais um 1 litro/100 km.

O comportamento dinâmico dos concorrentes aproxima-os outra vez, ambos nivelados por cima, com o CX-30 a exibir melhor estabilidade em curva, sem que isso penalize a filtragem das irregularidades mais pronunciadas do piso, no que se equipara à competência do X1. A direção precisa e comunicativa (ainda que ótima no BMW) e a travagem eficaz são outras virtudes comuns aos opositores. Acedendo aos habitáculos, é muito mais o apuro qualitativo da construção e dos materiais aplicados pela Mazda que merece elogios, e não tanto a confirmação dos elevados padrões naquela conceção, pela BMW, a que se acrescenta – e no X1 sobressaindo sobre o CX-30 – uma superior sofisticação tecnológica, num ambiente globalmente mais acolhedor, até pela cor e luminosidade. Sublinhe-se (as honrarias), a qualidade de construção da (deste) Mazda pouco ou nada perde para a da (deste) BMW.

Na habitabilidade, o X1 posiciona-se em patamar de referência na classe, e desde logo secundariza a do CX-30, embora sem depreciação para o Mazda, que disponibiliza quase tão amplo espaço para as pernas e ao nível dos ombros dos passageiros nos lugares traseiros. Apenas, nestes últimos, os 6 cm de altura que o SUV alemão acrescenta ao japonês, permitem acolher ocupantes de maior estatura.

Também estes bancos, no BMW, permitem deslocar-se 13 cm (sobre calhas longitudinais) e, assim, aumentar o espaço para as pernas ou a capacidade da bagageira que, em configuração normal, totaliza 505 litros – igualmente superior à do Mazda, significativos 75 litros – ou um máximo de 1550 litros (mais 144 litros do que no CX-30) com os encostos dos bancos traseiros rebatidos – na mais versátil proporção tripartida de 40:20:40 (apenas bipartida 60:40 no concorrente).

De acordo com o resultado final deste confronto, respondendo, por este, ao mote deste duelo de automóveis com posicionamentos de mercado distintos (BMW X1 premium; Mazda CX-30 generalista), o SUV compacto alemão faz prevalecer o seu preço esmagadoramente superior à aproximação do concorrente japonês na qualidade geral como produto automóvel a um custo bastante mais acessível. Garante-o, acima do mais, com superioridade na habitabilidade (ainda que ligeira) e na capacidade de carga (acentuada), acrescentando-lhe índices superiores de conforto (embora subtis), incluindo o conforto conferido pelas suspensões (rolamento); mas também na motorização, devido a mais eficiente caixa de velocidades, apesar das prestações similares, mas consumo inferior, e um comportamento dinâmico pouco menos eficaz.

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Ficha Técnica

Características

BMW X1

sDRIVE16d

MAZDA CX-30

1.8 SKYACTIV-D AUTO

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha 4 cilindros em linha
Capacidade 1496 cc 1759 cc
Alimentação Injeção direta CR, TGV, Intercooler Injeção direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12 v 2 a.c.c./16 v
Potência 116 cv/4000 rpm 116 cv/4000 rpm
Binário 270 Nm/1750-2250 rpm 270 Nm/1600-2600 rpm
Transmissão
Tração Dianteira Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades Automática de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,4 m Elétrica/10,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,447/1,821/1,598 m 4,395/1,795/1,540 m
Distância entre eixos 2,67 m 2,655 m
Mala 505 - 1550 litros 430 - 1406 litros
Depósito de combustível 51 litros 51 litros
Pneus F 225/55 R17 215/55 R18
Pneus T 225/55 R17 215/55 R18
Peso 1575 kg 1446 kg
Relação peso/potência 13,6 kg/cv 12,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 190 km/h 183 km/h
Acel. 0-100 km/h 11,5 s 12,6 s
Consumo médio 5,1 l/100 km 6 l/100 km
Emissões de CO2 133 g/km 158 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km 3 anos ou 100.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 147,21 € 259,5 €

Medições

BMW

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 11,7 s
0-400 / 0-1000 m 17,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 5,6 s
60-100 km/h (D) 7,1 s
80-120 km/h (D) 9,2 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,4/8,8 m
Consumos
Consumo médio 5,8 l/100km
Autonomia 879 km

Medições

MAZDA

Acelerações
0-50 km/h 3,5 s
0-100 / 130 km/h 11,5 s
0-400 / 0-1000 m 17,7 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 5,5 s
60-100 km/h (D) 7 s
80-120 km/h (D) 9,1 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,2/8,9 m
Consumos
Consumo médio 6,8 l/100km
Autonomia 650 km