Hyundai Ioniq PHEV Pack Plus vs Toyota Prius Plug-In Premium

Plano estratégico

CONFRONTO

Por Paulo Sérgio Cardoso 13-06-2020 19:15

Fotos: Gonçalo Martins

Hyundai Ioniq PHEV e Toyota Prius Plug-in são dois dos mais eficientemente energéticos, combinando interessantes autonomias máximas em modo elétrico que, na maioria dos casos, irão permitir utilização quotidiana quase sem acordar as (também muito eficientes) mecânicas térmicas a gasolina, ambas a trabalhar em ciclo Atkinson – não basta ter o apoio elétrico, há que otimizar as unidades a gasolina para o melhor desempenho.

Comecemos por dizer o que todos querem saber: o quanto gastam. Basicamente, esta resposta depende de três fatores: a quanto está a carga da bateria, qual é o trajeto e o número de quilómetros a percorrer até à próxima possibilidade de recarregá-la.

Tomando de base que saímos de casa com a bateria totalmente carregada – nesta situação, o computador de bordo do Hyundai começa por dizer que tem autonomia para 65 km, ao passo que o do Toyota reivindica 58,5 km – não será difícil em ambos realizar médias em torno dos 2 l/100 km de gasolina nos primeiros 100 km percorridos (havendo que acrescentar o gasto com a eletricidade para carregar os cerca de 9 kWh de capacidade das baterias). Nos dois casos, embora os motores elétricos tenham capacidade para rolar até perto dos 120 km/h, aconselhamos a forçar a atuação do motor a gasolina se se tiver de circular alguns quilómetros em vias rápidas/autoestradas, onde as mecânicas de 1,6 litros no Hyundai e 1,8 litros no Toyota tomam conta do recado, dificilmente ultrapassando médias de 5,5 l/100 km, em torno dos 120 km/h. Importa relembrar que se as baterias estiverem praticamente descarregadas, estes carros funcionam como híbridos convencionais, desligando o motor a gasolina assim que se levante o pé do acelerador.

Em termos reais de utilização, as autonomias elétricas acabam por se igualar, em torno dos 50 km, com os referidos consumos nos primeiros 100 km de utilização a não diferenciarem muito entre si. Ao fim de 150 km, o consumo médio poderá subir até cerca de 3,2 a 3,5 l/100 km, o que continuam a ser valores extremamente interessantes, aprovando a otimização do sistema híbrido. Por outro lado, saíndo de nossa casa com as baterias a zero, o consumo médio quotidiano rondará os 4,6 l/100 km no Hyundai e os 4,4 no Toyota. Os tempos reais verificados para carregamento das baterias em tomada doméstica são de 4h10m no Ioniq e 3h20m no Prius.

Para atingir estas interessantes metas, como já referimos, caberá ao condutor selecionar o modo de funcionamento ideal do sistema híbrido, podendo depois conjugá-los com os modos de condução do veículo (entrega mais branda ou enérgica em resposta ao acelerador), com o Hyundai a juntar três possíveis níveis de regeneração de energia controlados via patilhas no volante, que em modo de condução Sport se transformam em comandos para troca de relação da caixa automática de 6 velocidades, de dupla embraiagem – a Toyota mantém-se fiel ao esquema eCVT, de atuação descontraída em cidade, só pecando pelo ruído mais excessivo procurando-se acelerações máximas.

Com a recente atualização da gama Ioniq, a Hyundai introduziu novo sistema multimédia em ecrã tátil de maiores dimensões (10,25’’) e melhor colocado no topo da consola central, além de ter somado múltipla/completa e fácil de consultar informação sobre o funcionamento do sistema híbrido. O painel de instrumentos também foi alvo de intervenção, esteticamente mais apelativo e clarividente. Os botões da climatização, sensíveis ao toque, fecham a atualização ergonómica, agora bem mais funcional e moderna, também se olharmos para o que a Toyota apresenta no Prius, que mantém o travão de parque acionado por pé.

No modelo nipónico, uma das principais mais-valias da igualmente recente atualização será o aumento da lotação de quatro para cinco ocupantes, acompanhada pela introdução do sistema multimédia Touch 2, mais intuitivo face ao anterior, mas que peca ainda pelos gráficos de aspeto antiquado. Outra das novidades prende-se com a adoção da câmara de 360º (no Hyundai, apenas traseira) que ajuda à realização de manobras. Ainda nos conteúdos, o Toyota Prius acrescenta o sistema de som da JBL, head-up display, parqueamento automático, alerta de ângulo morto e faróis LED de máximos ajustáveis, com o Hyundai a responder com os ajustes elétricos do banco do condutor e bancos ventilados – equipamentos das respetivas versões de topo.

Face às versões híbridas convencionais dos dois modelos, a inclusão de baterias maiores roubou muito espaço às bagageiras, havendo ainda que contar com área para guardar os cabos de carregamento. Ainda assim, Ioniq e Prius continuam a poder ser utilizados como modelos de índole familiar, espaçosos e confortáveis, com o Toyota um pouco mais focado na descontração ao volante e o Hyundai a permitir um pouco mais de envolvimento dinâmico, ajudado por ser mais leve e baixo. O que ambas as marcas não dispensam são os sete anos de garantia geral (além das coberturas para as baterias), acrescentando racionalidade estratégica.

Os híbridos plug-in estão abrangidos por incentivos fiscais para empresas e empresários em nome individual, caso da total dedução do IVA e reduções nas Tributações Autónomas, que ajudam a tornar a sua aquisição mais real face aos preços de venda ao público. Relativamente aos seus maiores inimigos, os elétricos, têm a vantagem de permitir utilização sem constrangimentos, com gastos contidos e consistentes preocupações ambientais.

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Ficha Técnica

Características

HYUNDAI IONIQ

PHEV + Pack Plus

TOYOTA PRIUS

Plug-In Premium

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha 4 cilindros em linha
Capacidade 1580 cc 1798 cc
Alimentação Inj. direta/indireta (Atkinson) Inj. direta/indireta (Atkinson)
Distribuição 2 a.c.c./16v 2 a.c.c./16v
Potência 105 cv/5700 rpm 98 cv/5200 rpm
Binário 147 Nm/4000 rpm 142 Nm/3600 rpm
Motor elétrico
Tipo Síncrono Síncrono
Potência 61 cv 72 cv
Binário 170 Nm 163 Nm
Bateria Iões de lítio Iões de lítio
Capacidade da bateria 8,9 kWh 8,8 kWh
Módulo Híbrido
Potência 141 cv 122 cv
Binário 265 Nm -
Transmissão
Tração Dianteira Dianteira
Caixa de velocidades Auto, dupla embraiagem, 6 vel. Automática, do tipo eCVT
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson Ind. McPherson
Suspensão T Ind. duplos triângulos Ind. duplos triângulos
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,6 m Elétrica/10,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,470/1,820/1,450 m 4,645/1,760/1,470 m
Distância entre eixos 2,7 m 2,7 m
Mala 341 litros 360 litros
Depósito de combustível 43 litros 43 litros
Pneus F 205/55 R16 195/65 R15
Pneus T 205/55 R16 195/65 R15
Peso 1570 kg 1625 kg
Relação peso/potência - -
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 178 km/h 162 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,6 s 11,1 s
Consumo médio 1,1 l/100 km 1,3 l/100 km
Emissões de CO2 26 g/km 29 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica - -
Pintura/Corrosão - -
Intervalos entre revisões - -
Imposto de circulação (IUC) - -

Medições

HYUNDAI

Acelerações
0-50 km/h 3,5 s
0-100 / 130 km/h 10,4 s
0-400 / 0-1000 m 17,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 5,1 s
60-100 km/h (D) 6,2 s
80-120 km/h (D) 8,0 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36/8,9 m
Consumos
Consumo médio 3 l/100km
Autonomia -

Medições

TOYOTA

Acelerações
0-50 km/h 3,8 s
0-100 / 130 km/h 11,6 s
0-400 / 0-1000 m 18 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 5 s
60-100 km/h (D) 6,4 s
80-120 km/h (D) 8,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 39,3/9,6 m
Consumos
Consumo médio 3 l/100km
Autonomia -