BMW 118d vs Mercedes-Benz A 200 d Auto

Jogo de dados…

CONFRONTO

Por João Ouro 28-03-2020 13:20

Fotos: Gonçalo Martins

À medida que se analisam os enunciados técnicos das versões do Série 1 e do Classe A a jogo é praticamente impossível não reparar que há inúmeras coincidências. Como o BMW foi o último a chegar, quase se poderá dizer que o automóvel de Munique copiou alguns dos parâmetros do compacto da marca de Estugarda, embora essa mimetização tenha sido uma prática corrente entre ambos ao longo dos tempos, eternos adversários na categoria e, agora, cada vez mais próximos.

Vamos, então, às parecenças, que se iniciam logo nas dimensões exteriores, mesmo que o Classe A até tenha maior distância entre eixos e um comprimento total um nadinha superior (10 cm). Apesar disso, todas as medidas são muito equivalentes, o que se reflete depois no espaço que existe nos habitáculos e nas áreas destinadas às bagagens, neste último caso com mais 20 litros úteis anunciados para o Série 1, embora ambos atinjam iguais 1200 litros após o rebatimento dos encostos. Nesse domínio, o modelo bávaro conta com estrado divisório e a volumetria progrediu face ao antecessor, ao mesmo tempo que a abertura elétrica do portão é prática, assim como o acesso ao compartimento, nomeadamente na largura do bocal de entrada e ao nível da altura do piso. Ou seja, um bocadinho mais versátil do que no caso do oponente, mesmo que a diferença seja ligeira. E é sempre assim...

A amplitude à frente, por exemplo, é quase igualzinha, algo que é mensurável pelas medidas efetuadas, quer na distância do encosto do banco do condutor até à zona dos pedais, quer na própria largura entre portas e ao nível dos ombros, aí com 1,41 metros no Série 1 e 1,40 m no Classe A. Ao centímetro... A posição de condução do BMW é mais ergonómica, mas parece estar (agora) ligeiramente descentrada, compensando-se isso através do formato mais desportivo das bacquets, incluídas na linha M (em opção), que permitem ótimo encaixe e apoios. No baby Mercedes-Benz poder-se-á criticar a conhecida posição do seletor da caixa automática, na haste à direita do volante, o que às vezes confunde, mesmo que haja patilhas no volante para ação sequencial. E ainda bem que é assim! Detalhes.

Mais importante é a verdadeira reviravolta técnica operada no Série 1, uma vez que o modelo passou a ter tração à frente (e isso nunca tinha acontecido...), o que alterou a identidade dinâmica e a relação com a estrada, sendo possível guiá-lo de modo previsível, mas de forma menos entusiasta, tendo em conta a genuína motricidade às rodas dianteiras, agora com um comportamento nada sobrevirador, mesmo se se exagerar em curva. Tudo parece mais fácil e as reações são idóneas! Essa alteração não descartou o excelente tato que é dado pela assistência da direção (variável), à boa maneira da BMW, ainda para mais com a adoção dos pormaiores da linha desportiva M, entre os quais se inclui o recurso a pneus Continental Premium Contact6 com as medidas 235/35 e com jantes de 19’’. É assim afastada qualquer tipo de crítica negativa no domínio da eficácia, embora a firmeza dessas ligações ao solo seja notada, em especial no asfalto irregular. Nesse aspeto, o automóvel da Mercedes-Benz arrecada mais pontos, que se apreendem no conforto obtido, mesmo que a versão em causa também recorra a suspensão rebaixada e a pneus Pirelli Cinturato 225/45 com jantes em liga leve de 18’’ (opção), cuja firmeza também se evidencia, mas sendo, ainda assim, menos notada do que no caso do adversário.

Interessa dizer, mais uma vez, que os coeficientes aerodinâmicos (incluindo o fator de resistência e a superfície frontal) se equiparam bastante (Cx de 0,26 no 118d e 0,25 no A 200 d), embora a progressão da mecânica Diesel do modelo da estrela seja mais efetiva, o qual obtém melhores resultados ao nível das acelerações e no que se refere às principais recuperações. O escrutínio efetuado permite constatar essa diferenciação, apesar do bloco da BMW reagir bem a partir dos regimes intermédios, tendo até o melhor binário máximo (350 Nm) desde as 1750 rpm.

Nenhum deles é referência no que diz respeito à acústica Diesel (o Série 1 até é pior ao ralenti e a baixa rotação...), mas a insonorização cuidada dos habitáculos e a qualidade geral dos revestimentos quase permite dissimular essa génese, sem lesar o conforto. E este Classe A até é menos ruidoso (ligeiramente...!) nas velocidades estáveis e na autoestrada, a rolar, embora a precisão da direção não tenha a eficácia da do BMW, mesmo ao optar pelo modo Sport. No BMW, por outro lado, o ajuste da configuração Dynamic é mais evidente, novamente sem prejuízo do conforto, até porque o apoio dos bancos desta versão Desportiva M é bastante bom, ao mesmo tempo que a rigidez estrutural se adapta bem à pressão.

É difícil não vulgarizar a condução do novo Série 1, tanto mais se recordarmos a da do antecessor, mas há alguns progressos a ter em conta, que projetam outra modernidade, claro!, graças à nova plataforma e às maiores ajudas eletrónicas, mesmo que neste último capítulo o Classe A seja imbatível. Tanto num caso como noutro, e com devidas exceções, há vários dispositivos ligados à segurança ativa (e ao conforto!) que são relegados para a lista das opções, o que fará subir a parada, ainda mais se se agregarem certas mordomias. Os valores base destas versões são elevados e, com mais extras, os preços finais não são nada fáceis, sendo por aí que se poderá jogar uma eventual decisão, perante a semelhança dos outros dados...

O caráter premium dos modelos em causa não está em dúvida, mas os preços finais das versões ensaiadas (linhas M e AMG, respetivamente) atingem um patamar muito elevado, e até exagerado, uma vez que se tratam de automóveis compactos do segmento familiar médio-inferior, à semelhança de VW Golf ou Renault Mégane, por exemplo. As mecânicas de 150 cv alcançam prestações parecidas e os consumos são baixos, o que permite autonomias alongadas. Em ambos, o ruído tipicamente Diesel não é (muito) inconveniente e os índices de conforto têm avaliação meritória, até porque se tratam, lá está!, de versões bem equipadas. O custo mais acessível do A 200 d é determinante na classificação final...

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