Mercedes-Benz A 160d vs Toyota Corolla 1.8 Hybrid

Uma questão de contas...

CONFRONTO

Por João Ouro 09-02-2020 19:05

Fotos: Gonçalo Martins

Nestes tempos de transição energética, a escolha entre um bloco Diesel convencional e uma motorização híbrida a gasolina faz todo o sentido. Para o efeito nada melhor do que as propostas a concurso, projetando o Classe A a ideia de um automóvel compacto premium, embora numa versão que é a mais acessível da própria gama, quer pelo equipamento básico (linha Style), quer pelo recurso a bloco de 1461 cc Diesel de origem Renault, de 95 cv, abaixo do A 180 d (idêntico motor, mas de 116 cv) e do A 200 d, este originário da Mercedes-Benz e com 150 cv.

Quanto ao Corolla, a fórmula é diferente, até porque a gama renunciou aos Diesel, optando agora pelas motorizações híbridas, graças à nova plataforma TNGA, a mesma que é aplicada no Prius e no CH-R. A mecânica é a conhecida 1.8 de 4 cilindros e 122 cv, entretanto revista, à qual se juntou também a transmissão e-CVT melhorada, do tipo variação contínua (uma única relação). Há menor arrastamento a baixa velocidade, é verdade, e o ruído nas acelerações bruscas também é inferior, mas, ainda assim, esse feitio não desapareceu por completo, apesar dos revestimentos especiais aplicados em vários locais nevrálgicos. O conforto a bordo não é sequer beliscado devido à natureza da mecânica, antes pelo contrário, uma vez que a suavidade é um dos sintomas em evidência, quer pelo baixo ruído, quer pela possibilidade de ativar o modo estritamente elétrico (EV), desde que haja carga nas baterias de iões de lítio, embora consignado às manobras de parque e a baixa velocidade. E é nessa ação conjunta que o agregado garante maior eficiência e melhor conforto acústico do que no caso da sonoridade emitida pelo propulsor tipicamente Diesel do Classe A, a baixo regime e ao ralenti, mesmo que a insonorização do Mercedes-Benz não seja criticável, tanto mais que não se registam vibrações nefastas, igualmente ausentes do funcionamento da transmissão manual de 6 velocidades. Já se sabe que o bloco em causa (injeção direta common-rail, turbo) recorre apenas a duas válvulas por cilindro e a conceção não é tão avançada como a da do adversário, este com apoio elétrico adicional. Apesar disso, os valores de consumo do Classe A são notáveis, sendo comum a média de 4,8 litros por cada 100 km. Curiosamente, é essa a fasquia alcançada pelo Corolla, com idênticos 4,8 l/100 km, embora seja mais fácil baixar esse patamar do que no caso do Classe A (até aos 4,5 litros/ 100 km, e às vezes menos...).

Quanto às prestações, jogo quase igual, embora o Toyota consiga melhores recuperações, uma vez que o oponente tem maiores dificuldades nas retomas em 5.ª e 6.ª relação, estas demasiado expostas ao escalonamento alongado da caixa. Quase irritante! De uma maneira geral, o bloco de 1.5 litros (com AdBlue) reage prontamente próximo das 2000 rpm, dando a sensação de estar muito à vontade nesse patamar, perdendo depois o fôlego nas rotações superiores, uma vez que a potência não é elevada. O modo Sport dissimula bem esse tipo de condição, tornando o Classe A mais reativo às pressões do pedal do acelerador, mas sem alterar em demasia os outros parâmetros, e isto apesar da boa firmeza da direção, cujo tato é bastante preciso. Menos aveludada do que no caso da do Corolla, este sempre com maior suavidade em estrada, atingindo velocidade máxima inferior: 180 km/h contra 193 km/h do rival.

A atitude dinâmica deverá ser elogiada em ambos, mas o acerto da suspensão do Toyota contempla reações mais confortáveis, este último com pneus Falken 225/45 e jantes em liga leve de 17’’. No Classe A, os pneus Continental Conti Eco Contact5 têm ótima aderência, mas a firmeza nota-se e o ruído de rolamento é superior. O amortecimento, por sua vez, tem menor resiliência no mau piso, aí com reações secas.

E as outras economias...

A matriz do agregado híbrido que movimenta o novo Corolla exibe menores emissões (110 g/km de CO2 contra 118 g/km do Classe A), de acordo com o ciclo WLTP, o que lhe confere menor impacto ambiental, uma premissa tão em voga na atualidade, sendo ainda possível adotar os modos ECO ou EV, este último sem paralelo no adversário. Mas, já se sabe, que o consumo médio efetivo é equivalente entre ambos, pelo que a vantagem coloca-se do lado do automóvel a gasóleo, uma vez que o custo da gasolina (ainda) é superior. Feitas as contas, é assim natural que o negócio compense no caso do Classe A para quem pretenda efetuar mais quilómetros ao ano, caso contrário não há como resistir à maior suavidade e ao conforto da condução do Corolla. Nada a ver! O esforço de aquisição inicial é praticamente idêntico (28.350 € no A 160 d e 28.385 € no Toyota 1.8 Hybrid), embora o Classe A também consiga um valor mais baixo no renting a 48 meses, muito por culpa da versão ensaiada, algo despida de equipamento (a lista de opções da gama é extensa) e adaptada às frotas. A ter em conta(s)!

Noutro contexto, as campanhas comerciais por parte da Toyota são mais agressivas, geralmente com proposta de retoma de viatura usada, ao mesmo tempo que a garantia geral da marca é imbatível, propondo 7 anos ou 160.000 km, acrescentando ainda 10 anos para o sistema híbrido e para as baterias. De confiança! Para o A 160d, a Mercedes-Benz oferece apenas os usuais 2 anos sem limite de quilómetros, embora este modelo tenha a vantagem de pagar menos IUC (Imposto de Circulação) anual do que o Corolla devido à menor cilindrada (e ao escalão respetivo). Essa diferença atinge 57 € anuais a favor do mais compacto Mercedes-Benz.

Note-se, por fim, que o interior do Corolla está melhor equipado de série (versão Comfort+Pack Sport) e há alguns detalhes luxuosos, como os forros parciais a pele nalguns locais à vista, o que transmite uma excelente sensação de qualidade, até porque a Toyota não facilita na montagem. Irrepreensível!

No modelo do grupo Daimler, a qualidade geral deverá ser elogiada e a modernidade é patenteada no equipamento e nas várias assistências à condução, por vezes pouco usuais na classe, sendo permitido aceder ainda a longa lista de opcionais invulgares. Mas não foi essa a pretensão da unidade em teste e, por exemplo, a menor dimensão dos ecrãs digitais acaba por diminuí-la no que diz respeito à atmosfera a bordo. Mais uma vez, trata-se de uma questão de contas, porque o Pack Advantage resolve esse dilema por... 2250 €.

No ponto de vista da classificação, o Corolla soma mais pontos em vários aspetos essenciais e isso é decisivo nas contas finais. Há domínios em que o Classe A 160 d não tem, objetivamente, os mesmos argumentos que o adversário, como por exemplo ao nível da garantia geral, de 7 anos ou 160.000 km no Corolla contra usuais 2 anos do Mercedes-Benz. A conceção da mecânica híbrida também regista mais pontos a favor, quer na suavidade da condução, quer nos consumos e nas emissões, e isto sem prejuízo do desempenho. E o Toyota está, ainda, mais equipado de série...

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Ficha Técnica

Características

MERCEDES A

160d

TOYOTA COROLLA

1.8 Hybrid

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha 4 cilindros em linha
Capacidade 1461 cc 1798 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, intercooler Inj. indireta+motor elétrico
Distribuição 1 a.c.c./8v 2 a.c.c./16v
Potência 95 cv/4000 rpm 122 cv/-
Binário 240 Nm/1750-2500 rpm 142 Nm+163 Nm (elétrico)
Transmissão
Tração Dianteira Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades Automática, do tipo CVT
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson Ind. McPherson
Suspensão T Eixo rígido Ind. duplos triângulos
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m Elétrica/11,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,419/1,796/1,440 m 4,370/1,790/1,435 m
Distância entre eixos 2,729 m 2,64 m
Mala 370 - 1210 litros 361 litros
Depósito de combustível 43 litros 43 litros
Pneus F 6,5jx16 - 205/60 R16 7jx17 - 225/45 R17
Pneus T 6,5jx16 - 205/60 R16 7jx17 - 225/45 R17
Peso 1425 kg 1360 kg
Relação peso/potência 15 kg/cv 11,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 193 km/h 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 12,4 s 10,9 s
Consumo médio 4,5 l/100 km 4,9 l/100 km
Emissões de CO2 118 g/km 110 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km 7 anos ou 160.000 km
Pintura/Corrosão 3/30 anos 3/12 anos
Intervalos entre revisões 25000 km 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 146,79 € 204,21 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 4,2 s
0-100 / 130 km/h 12,4 s
0-400 / 0-1000 m 18,5 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 6 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 8,9/14,3 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 11,8/16,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 39,2/9,8 m
Consumos
Consumo médio 4,8 l/100km
Autonomia 896 km

Medições

TOYOTA

Acelerações
0-50 km/h 4,1 s
0-100 / 130 km/h 12,6 s
0-400 / 0-1000 m 18,6 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 5,1 s
60-100 km/h (D) 6,7 s
80-120 km/h (D) 8,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,5/9,6 m
Consumos
Consumo médio 4,8 l/100km
Autonomia 896 km