O painel de bordo do GLC tem conceção e ‘design’ mais simples e ‘limpos’ do que o do DS 7, mas a ergonomia dos comandos e a legibilidade dos monitores são referenciais, tal como a qualidade de construção A Mercedes-Benz ainda não estendeu a digitalização total ao GLC, mantendo-se fiel aos mostradores analógicos para velocímetro e conta-rotações Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Botão do programa de modos de condução Dynamic Select que regula acelerador, caixa, direção e débito da climatização (Eco) Monitor tem definição superior ao do DS 7 e maior facilidade de comando tátil ‘direto’ no ecrã, e menos no ‘touchpad’ na consola Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé ‘Touchpad’ na consola controla também o ecrã de bordo, mas requer mais prática na utilização, sob risco de imprecisão Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Não se pode dizer claramente que é mais-valia num SUV, mas a posição de condução do GLC é muito mais próxima à de berlina que a do DS 7 Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé O GLC Coupé tem dinâmica superior à do DS 7, é mais estável em curva e ainda absorve melhor os ressaltos mais ligeiros do piso, garantindo desde logo condução mais ‘envolvente’. Todavia, a suspensão é algo ‘seca’ nas maiores irregularidades Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé GLC Coupé: 17,2 cm mais longo; DS 7 Crossback: 1,8 cm mais alto DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT O centro de gravidade mais elevado do SUV francês confere-lhe um comportamento dinâmica menos eficaz e ágil do que o do alemão. O amortecimento mais brando das suspensão também contribuiu para esse privilégio ao conforto DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT Obsessão pelos pormenores: o botão de seleção dos modos de condução é exemplo da pretensão estética, por dentro e por fora do DS 7 Ecrã digital ao centro do tablier concentra todas as funções de bordo do SUV francês, mas o seu comando tátil nem sempre é eficaz Painel de instrumentos 100% digital configurável enfatiza vanguardismo e sofisticação tecnológicos. Legibilidade afetada por eventuais reflexos DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT O cronógrafo analógico da B.R.M. (escamotável) e o botão de start-stop do motor (abaixo) são ícones do estilo do SUV francês DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT Posição mais elevada do que no GLC e em bancos que favorecem mais o conforto do que a ergonomia em geral. Revestidos a pele em ambos Na versão topo de gama do DS 7, com acabamento de luxo Opera, a dotação de equipamento é do tipo ‘tudo incluído’ e a qualidade de construção e a tecnologia não são inferiores às do GLC Só a ‘apresentação’ é que... difere

Mercedes-Benz GLC 200 D Coupé vs DS 7 Crossback 2.0 BlueHDI EAT

‘Metrosuves’

CONFRONTO

Por Ricardo Jorge Costa 15-12-2019 15:05

Fotos: Gonçalo Martins

A Mercedes-Benz torna mais acessível a porta de entrada na gama do GLC Coupé com nova versão em patamar inferior de potência do motor Diesel de dois litros, com 163 cv, e sem tração integral (apenas traseira), baixando-lhe 3150 euros o preço (de base e sem opcionais), para 59.950 € contra 63.100 € com o sistema 4Matic. O fabricante alemão aplica a mesma fórmula na versão a gasolina 200, de 198 cv, e no GLC (carroçaria comum) igualmente no Diesel 220 d de 194 cv, e também com inerente favorecimento no preço.

No entanto, a unidade do GLC Coupé que aqui confrontamos com o DS 7 Crossback tem 4400 euros em extras, que lhe inflacionam o custo final até aos 64.350 euros, que projeta desde logo o custo do SUV médio da Mercedes-Benz para longíssimo do poder de compra da esmagadora maioria dos portugueses, remetendo-o a uma elite endinheirada que aprecia a estética fortemente estilizada, o status e o prestígio dos SUV de nova geração, que já abandonaram a vocação original para a evasão na natureza.

Um público tão ou mais ambicioso no culto da imagem é o alvo preferencial do DS 7 Crossback, modelo que cultiva a ostentação visual e é o exemplo da ambição estatutária da ainda jovem marca do Grupo PSA, de ser premium. O construtor francês tem sido esclarecedor sobre a sua capacidade de produzir bons automóveis e a pretensiosismo da DS foi assumido desde a sua criação, primeiro como submarca da Citroën, em 2009, e depois como emblema autónomo, em 2014. Mas a DS nasceu já envelhecida, passou quase uma década a definhar com uma gama de modelos da Citroën em fim de ciclo de vida sob maquilhagem vanguardista, e num último assomo rejuvenesceu. Ou melhor, renasceu, por arrasto da modernização técnica e tecnológica do consórcio industrial a que pertence. Novas plataformas e motorizações, novos estilos e conceções interiores, e todas as tecnologias mais avançadas da indústria automóvel em cada segmento têm dinamizado o Grupo PSA e, por consequência salvadora, proporcionaram à DS assumir, enfim, o seu sentido original: a jovialidade sofisticada.

O Mercedes-Benz GLC Coupé mede mais 17,2 cm de comprimento e baseia-se numa plataforma que dista mais 13,5 cm entre eixos do que a do DS 7 Crossback. Medidas exteriores acrescidas que revertem em cotas interiores condizentes – mas apenas na habitabilidade, em que o SUV alemão é significativamente melhor, reservando-se ao francês a bagageira mais ampla. Nos lugares posteriores, os mais sensíveis para os passageiros – uma vez que os dianteiros são quase sempre privilegiados –, o GLC Coupé tem mais centímetros livres em todas as direções mesuráveis, enquanto o 7 Crossback contrapõe com mais 55 litros de capacidade de carga na configuração normal da bagageira.

Ainda por dentro dos dois automóveis, outras dissemelhanças e uma… igualdade. Explicando: no interior, em que a qualidade de construção é equiparada – de facto, a DS pode comparar-se à prestigiada Mercedes –, há um mundo de diferenças. Desde logo, no design e na matriz conceptual do habitáculo, com o painel de bordo no epicentro. O Crossback usa e abusa dos elementos estéticos impactantes, o GLC restringe-os ao mínimo indispensável. Para acirrar a sua pretensão premium, o DS 7 carrega-se de equipamentos de conforto e cortesia, digitaliza-se integralmente, o Mercedes-Benz privilegia a sofisticação discreta, com o desenho de mão dada com a ergonomia. O SUV francês exagera e peca neste aspeto. Entre exemplos, destaca-se a qualidade superior de definição dos ecrãs do carro germânico e do software do sistema de infoentretenimento, permitindo melhor legibilidade e uma utilização mais intuitiva. Díspares também são as posições de condução: a do DS 7 é tipicamente de SUV, sobre-elevada, e a do GLC Coupé mais baixa, mais próxima à de uma berlina/carrinha, o que não quer dizer mais virtuosa, pelo contrário, atentando às preferências dos apreciadores de SUV, que gostam de guiar nas alturas.

Vamos para o volante, ligamos a ignição (nos dois em botões) e arrancamos para a estrada – asfaltada, porque estes SUV são assumidamente (e quase exclusivamente) urbanos e estradistas. Como a maioria dos seus congéneres modernos. As performances dos dois veículos não refletem o rendimento dos seus motores. Ou seja, o mais potente e leve, o DS 7 Crossback, tem prestações semelhantes às do GLC Coupé. Ou os 180 cv e 400 Nm retirados do bloco Diesel do Grupo PSA são insuficientes para os 163 cv e 360 Nm da mecânica da Daimler, e ambos com cilindrada idêntica: dois litros. E como se explica isso? Talvez na maior desmultiplicação da transmissão, de nove velocidades no Mercedes e de sete no DS. Ambas automáticas e de conversor de binário. As prestações de GLC Coupé 200 d e DS 7 Crossback 2.0 BlueHDi não são fator de diferenciação. Ambos são suficientemente enérgicas para agilizar os dois SUV em todos os ambientes rodoviários, respondendo com elasticidade desde baixos regimes, sempre amparados nas respetivas transmissões para lhes otimizar o débito a cada momento e solicitação do acelerador. Jogo muito igual, que o funcionamento dos motores (sonoridade e vibrações contidas) ou das referidas caixas desempata, embora a do modelo alemão seja mais eficiente pelo maior número de relações.

Todavia, o seu consumo, sim, faz diferenças. E neste caso, o carro mais pesado e menos potente é mais económico: o Mercedes, com 6,5 l/100 km médios aferidos neste teste, em ciclo misto, gasta menos 1,5 l/100 km (em redor de) do que o DS, o que não é depreciável.

Ainda na estrada observa-se a maior das diferenças, de todas – e não são poucas, como já as descrevemos –, entre os contendores em confronto: o comportamento dinâmico. O Mercedes GLC Coupé tem melhor estabilidade em curva e deve-a às qualidades superiores do chassis – a que a maior distância entre eixos não é escamoteável para essa valorização – à afinação mais correta do amortecimento das suspensões (nos dois automóveis independentes às quatro rodas), restringindo o natural adorno da carroçaria, a que também não é alheio o centro de gravidade inferior. Comparativamente, o DS 7 Crossback inclina-se mais perante os movimentos da direção – e quanto maior for a velocidade, acentua-se esta tendência -, motivando algumas descompensações em percursos mais sinuosos. Todavia, sem fazer perigar a estabilidade e a segurança.

De resto, o SUV francês nem sequer contrapõe com conforto superior ao do GLC Coupé, que junta a eficácia da dinâmica à filtragem das irregularidades do piso, embora nos ressaltos mais pronunciados (tipo bandas sonoras e afins) enferme de maior secura no amortecimento, gerando batidas inconvenientes. 

A DS tem automóvel pretensioso no topo da gama, que aponta assumidamente ao segmento premium e nem por isso deve ser criticada por excesso de otimismo, ousadia ou de soberba. O DS 7 Crossback é um ótimo automóvel, quiçá demasiado impactante visualmente, recheado de equipamento de vanguarda e espaçoso e confortável q.b., e ainda com motor Diesel bastante enérgico. Todavia, o Mercedes-Benz GLC Coupé 200 d equipara-se na qualidade de construção, na dotação tecnológica, na habitabilidade e nas performances, e ainda se superioriza na dinâmica, no consumo e – imagine-se – no preço.

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Ficha Técnica

Características

MERCEDES GLC

200 d Coupé

DS 7 Crossback

BLUEHDI GRAND CHIC

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha 4 cilindros em linha
Capacidade 1950 cc 1997 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, intercooler Inj. direta CR, TGV, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v 2 a.c.c./16v
Potência 163 cv/3200-4600 rpm 180 cv/3750 rpm
Binário 360 Nm/1600-3000 rpm 400 Nm/2000 rpm
Transmissão
Tração Traseira Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 9 velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Eixo multibraços Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,8 m Elétrica/10,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,742/1,890/1,602 m 4,570/1,895/1,620 m
Distância entre eixos 2,873 m 2,738 m
Mala 500-1400 litros 555 litros
Depósito de combustível 66 litros 55 litros
Pneus F 235/60 R 18 8jx18 - 235/55 R18
Pneus T 235/60 R 18 8jx18 - 235/55 R18
Peso 1810 kg 1610 kg
Relação peso/potência 11,1 kg/cv 8,9 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 208 km/h 218 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,7 s 9,4 s
Consumo médio 5,1 l/100 km 4,9 l/100 km
Emissões de CO2 133 g/km 128 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/30 anos 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 261,8 € 258,78 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 2,9 s
0-100 / 130 km/h 8,9 s
0-400 / 0-1000 m 16,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,9 s
60-100 km/h (D) 5 s
80-120 km/h (D) 6,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38/9,4 m
Consumos
Consumo médio 6,5 l/100km
Autonomia 1015 km

Medições

DS

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 9,3 s
0-400 / 0-1000 m 16,6 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4 s
60-100 km/h (D) 4,9 s
80-120 km/h (D) 6,3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,2/8,9 m
Consumos
Consumo médio 7,4 l/100km
Autonomia 743 km