Mercedes-Benz GLB

Equação familiar

Apresentação

Por João Ouro 22-03-2020 17:25

Tudo leva a crer que o propósito da Mercedes-Benz é que o estreante GLB tenha um protagonismo mais familiar, graças à distância entre eixos tão longa (2,829 metros), 10 centímetros acima do Classe B, com o qual partilha a plataforma MFA II, que é comum a toda a família compacta do construtor. Essa dimensão exterior reflete-se no habitáculo e no espaço disponível a bordo, a par da possibilidade de juntar inédita 3.ª fila, formada por dois bancos individuais.

Nessas versões (em opção, por 950 €), a fila do meio também desliza (avança e recua 14 centímetros) e a inclinação dos encostos pode ajustar-se em várias posições, sendo possível negociar a distância para as pernas dos passageiros ou aumentar a área destinada às bagagens. Nas versões normais com cinco lugares, a volumetria standard atinge 570 litros, sendo possível alcançar 1805 litros com o rebatimento assimétrico dos lugares da 2.ª fila (40:20:40 ou 40:60 em opção). Com a lotação máxima (7 lugares), o espaço para bagagens diminui para 130-150 litros. Toda esta funcionalidade é visível quando se acede ao interior, ao mesmo tempo que é fácil elogiar a qualidade geral dos revestimentos, tratando-se de um modelo produzido no México (Aguascalientes), que obedece aos rigorosos padrões do construtor. Lá como cá!

Nota menos elogiosa para o acesso estreito à 3.ª fila (não, não é fácil entrar...), ao mesmo tempo que o espaço é apertado, tratando-se de lugares indicados para o transporte de crianças ou, então, para viagens curtas ou ocasionais, mesmo que a marca assegure que adultos até aos 1,68 metros possam aí viajar de forma confortável. Talvez, mas sem sorrisos escancarados ou, então, por pouco tempo, uma vez que obriga a maiores contorcionismos, embora até se possa avançar a 2.ª fila, como já se disse, para negociar melhor o espaço com os ocupantes dos bancos da frente.

Ao volante, o GLB propõe uma posição ampla, confortável e mais elevada do que no caso dos irmãos da gama, sem esconder os traços genéticos de família, decalcando até vários conteúdos e equipamentos, assim como o design dos difusores da ventilação, embora haja detalhes bem diferenciados (tablier mais vertical) com efeitos em alumínio que asseguram o caráter tipicamente SUV. Aliás, a aparência é tão robusta que até faz lembrar (quase) um veículo TT, algo que é igualmente sugerido pelas proporções exteriores e pelo formato da carroçaria (75% em aço de alta resistência), projetada no tamanho do capot, da grelha frontal e das óticas LED, assim como pelos ombros laterais musculados, maior altura do montante C, barras de tejadilho específicas (separadas) e portas mais prolongadas até baixo, em conjunto com proteções específicas das cavas das rodas (e inferiores). Tudo conta!

Em estrada, a elevada altura ao solo (200 mm) não provoca grandes balanços da estrutura, inclusive nas atitudes em curva (suspensão McPherson à frente, multibraços atrás), e as versões 4Matic (tração integral) também acrescentam maior aderência e estabilidade.

Em território off-road, o novo automóvel da Mercedes-Benz chega a surpreender (e muito!), tal a facilidade com que supera subidas, obstáculos, lombas e declives acentuados, de acordo com a permissão dada pelos inerentes ângulos TT, a saber: 18º de ataque, 18,3º de saída, 13,9º ventral e 35º de inclinação máxima. Talvez não se esperasse tanto de um modelo deste género, mas, in loco, confirmámos esses atributos numa pista fechada e preparada para o efeito, na Andaluzia, perto de Málaga (Espanha). Com pack Off-road incluído (opcional), a progressão em terrenos acidentados é ainda maior, já que esse modo adapta toda a eletrónica da tração 4Matic (repartição 50:50) e ajusta a intervenção do ABS, sendo ainda possível recorrer ao sistema DSR (Downhill) para descidas mais radicais, regulando-se a velocidade automaticamente entre 2 e 18 km/h (e de forma prévia). Esse modo ativa-se na tecla dos programas de condução (Dynamic Select) e as perícias em TT podem ser monitorizadas através de câmaras e imagens a 360º. Perfeito!

Em estrada, a tração 4Matic (variável) pode ter uma configuração mais desportiva, uma vez que além dos modos ECO e Comfort (80:20, eixo à frente e atrás), também existe o Sport (70:30), capaz de alterar a resposta das mecânicas a jogo, das caixas de velocidades (de dupla embraiagem; 7G-DCT no GLB 200 e 8G-DCT nos restantes) e do grau de assistência das direções. Mais uma vez, o amortecimento adaptativo é item opcional (por 1250 €), numa gama alinhada pelas linhas Style, Progressive e AMG (4650 €), além da versão Edition 1, incluindo vários pack de equipamentos e jantes em liga leve de 17’’ a 20’’. Nada falta, à semelhança dos outros compactos da gama, desde o sistema MBUX («Olá Mercedes») às inúmeras assistências à condução, como cruise-control ativo, alerta de faixa e de ângulo morto. Os faróis LED High Performance, por exemplo, custam 1050 €.

É difícil resistir à grandíssima condução do AMG 35 4Matic (306 cv), ainda mais se se escolher o modo Sport, mas a avaliação das versões 220 d (190 cv) e 200 (gasolina, 163 cv) é bastante positiva, tanto pelo conforto gerado, como pelas prestações. Na eficácia dinâmica, prova igualmente superada!

Não haverá versão híbrida plug-in, segundo os responsáveis da marca, mas a 100% elétrica já se encontra agendada para 2021. Entretanto, em meados deste mês (no dia 11), a marca de Estugarda desvendará a nova geração do GLA, o qual terá um posicionamento mais desportivo, inclusive ao nível da imagem, até porque este novo elemento da família (é já o 6.º da dinastia dos compactos iniciada no A) posiciona-se acima do referido GLA, mas abaixo do GLC, mesmo que o comprimento total (4,634 m) seja quase equivalente.

À primeira vista, o novo GLB não parece ter um tamanho muito grande, já que as dimensões são equilibradas e compactas, embora a distância entre eixos tenha aumentado 10 cm face ao Classe B, por exemplo. Daí a vertente (ainda) mais familiar, contemplada pelo habitáculo prático, funcional e versátil, com lotação de 5 a 7 lugares. Não falta qualidade à condução e as versões 4Matic com pack Offroad estão muito à vontade no TT. Êxito mais do que provável.

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