Nissan Juke 1.0 DIG-T

O velho fez-se novo

Apresentação

Por José Caetano 27-01-2020 10:15

A categoria dos Sport Utility Vehicles (SUV) é que a mais acelera na Europa, nas vendas de carros novos, com os subcompactos do segmento B no topo da procura (para o período 2018-2023, as estimativas são de 30% de crescimento, de 1,9 para 2,4 milhões de registos por ano!). A Nissan, em 2010, com o Juke, descobriu filão de ouro, beneficiando da ausência de concorrência. Nove anos depois e após carreira comercial bem-sucedida (apenas no Velho Continente, mais de um milhão de exemplares comercializados), lançamento da 2.ª geração. Contratempo: território outrora desocupado, com a multiplicação rápida da espécie, apresenta-se hiperpovoado, com o automóvel novo, ao contrário do original, que estava (quase…) sozinho no mercado, tanto cá dentro como lá fora, a contar com mais duas dezenas de rivais!

Produzido em Sunderland, na maior fábrica de automóveis no Reino Unido – o divórcio da União Europeia é dor de cabeça quer para a Nissan, confirmando- se a adoção de impostos que limitem a liberdade comércio, quer para os 7000 funcionários –, o Juke II assenta na plataforma CMF-B desenvolvida em colaboração com a parceira de Aliança (Renault), que partilha com as gerações novas de Clio e Captur. A arquitetura técnica é moderna e admite tecnologias de eletrificação, mas não encontramos versões híbridas nem elétricas na gama do modelo. O Diesel perdeu (muita!) popularidade na Europa e, por isso, também ficou fora do catálogo.

No lançamento, Juke novo apenas com mecânica a gasolina de 3 cilindros e 1 litro com injeção direta e sobrealimentação turbo. A Nissan argumenta que o motor com 117 cv e 200 Nm apoiado por transmissão manual de 6 velocidades (caixa automática de 7, de embraiagem dupla, entre os opcionais), satisfaz 73% da procura na categoria na Europa. Confirmando-se as expectativas, argumentos suficientes para recuperação muito veloz nas vendas, para cerca de 100.000 exemplares por ano. Em Portugal, o objetivo-2020 é de 3000 unidades, para lugar no top-3 da classe, com Renault Captur e Peugeot 2008, mais dois automóveis com gerações novas preparadas para entrarem em cena!

Maior e melhor

O Juke novo é maior em comprimento do que o modelo antecessor (75 mm), mas mais pequeno do que o Captur II (18 mm). A mudança para a plataforma CMF-B, igualmente a base do Renault, explica, também, o aumento de 105 mm na distância entre eixos. O crescimento das dimensões eliminou fragilidades do carro de 2010, vide habitabilidade limitada nos bancos traseiros e capacidade medíocre da mala. Nos lugares posteriores, o espaço para pernas progrediu 58 mm e, na bagageira, o volume acelerou quase 20%, para 422 litros (rebatendo- se os encostos dos bancos de trás, 1305 litros!). Sem surpresa, os acessos ao interior e ao compartimento de carga também melhoraram. Assim, no quotidiano, utilização muito mais fácil.

Visualmente, este Juke II distingue-se do I, mas mantém elementos de desenho icónicos… Assim, reconhecimento mais fácil, manutenção de imagem diferenciadora na paisagem automóvel – faróis redondos de grandes dimensões (LED) colocados abaixo das luzes diurnas em formato de boomerang. Comparando os carros de 2010 e 2019, o novo também tem uma linha de cintura mais agressiva e um tejadilho flutuante, elementos que contribuem para a silhueta do tipo coupé. Tudo combinado, imagem mais desportiva e moderna, impressão de agilidade, dinamismo e robustez. Nesta categoria, desenho no topo da lista das razões por trás da compra de todos os carros novos!

O interior do Juke também muda – e muito significativamente! A Nissan acabou com a consola central inspirada no depósito de combustível de moto e também abandonou o equipamento de mergulho que inspirava os apoios de braços nas portas. No desenvolvimento da 2.ª geração, após escutarem e analisarem as opiniões de milhares de proprietários do automóvel original, trabalhou-se muito na promoção da qualidade percebida. E recorrendo a materiais melhores e otimizando os acabamentos, cumpriu-se a missão! Nas versões de topo, obviamente as mais equipadas, aproximação aos rivais com posicionamento comercial premium (VW T-Roc & Cia.!), com revestimentos suaves na maioria nas zonas que tocamos, nomeadamente no painel de bordo e nas portas.

Dinâmica otimizada

O caderno de encargos também exigia progressos na posição de condução (dimensões dos pilares dianteiros da carroçaria penalizavam a visibilidade), nos acessos aos lugares posteriores e no desempenho dinâmico do automóvel. Também nestes pontos, missão cumprida! O desenho novo e a plataforma CMF-B tornaram-no possível... O Juke II tem bancos mais baixos, que melhoram o acesso ao interior. Paralelamente, o crescimento da distância entre eixos beneficiou a habitabilidade, o comportamento e o conforto de rolamento. O motor de 3 cilindros satisfaz as necessidades. A mecânica tem funcionamento muito silencioso e sem vibrações, características que confirmam os progressos na fórmula do downsizing adotada para redução nos consumos de combustível e nos gases de escape. O 1.0, quer assistido pela caixa manual, quer apoiado pela DCT de embraiagem dupla – este sistema, em alternativa ao modo automático, dispõe de programa sequencial que ativamos e comandamos em patilhas no volante –, reage enérgica e rapidamente q.b. ao acelerador. A Nissan, devido à diminuição do peso do automóvel (menos 23 kg), reivindica progressos de 15% nas performances (velocidade máxima de 180 km/h, aceleração 0-100 km/h em 10,4 s), que não impediram redução de 30% nas emissões de CO2 (135 g/km). A pressa é inimiga da eficiência e a mecânica da Nissan, aumentando o ritmo na condução, ressente-se.

No Juke, comando D-Mode para eleição de dois programas de condução: Eco ou Sport. O sistema intervém na rapidez de resposta do motor ao acelerador, o tato da direção e a velocidade de passagem das relações, nas versões automáticas. Na estrada, comportamento ágil, preciso e seguro. Aumentando-se a rigidez e combinando- a com a diminuição do peso, a otimização da geometria das suspensões ou a adoção de rodas maiores, conforto de rolamento e dinâmica melhores do que no automóvel de 2010. O subcompacto tem tração dianteira, enquanto o original dispunha de versões com quatro rodas motrizes – e mecânicas mais potentes, incluindo três 1.6 Turbo, com 190, 218 e 214 cv.

Precursor do formato SUV no segmento B, o Juke, com o envelhecimento e o aumento do número de concorrentes, de nenhum para quase duas dezenas, perdeu notoriedade. A Nissan, com a 2.ª geração do subcompacto, reposiciona-se em categoria cada vez mais popular no mercado (expetativa de crescimento de 30% nas vendas entre 2018 e 2023, de 1,9 milhões de exemplares por ano para 2,4 milhões). Qualidade(s), tem!

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Ficha Técnica

Caracteristicas

NISSAN JUKE

1.0 DIG-T

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 999 cc
Alimentação Inj. direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12v
Potência 117 cv/5250 rpm
Binário 200 Nm/1750-3750 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,210/1,800/1,595 m
Distância entre eixos 2,636m
Mala 422-1305 litros
Depósito de combustível 46 litros
Pneus F 6,5jx16-215/65 R16
Pneus T 6,5jx16-215/65 R16
Peso 1182 kg
Relação peso/potência 10,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,4 s
Consumo médio 6 l/100 km
Emissões de CO2 135 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Intervalos entre revisões -
Imposto de circulação (IUC) -

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