Lotus Exige Sport 350

Ação!

Apresentação

Por José Caetano 01-01-2020 11:15

A Lotus, mais de sete décadas depois da apresentação do Mark I derivado do Austin 7, não abdica da filosofia que Colin Chapman estreou em 1948: peso mínimo para performance máxima. Então, o britânico, quando ainda estudava na Universidade de Londres, reconstruiu a carroçaria do automóvel económico fabricado de 1922 a 1939 (mais de 270.000), recorrendo a material compósito desenvolvido a partir de alumínio, otimizou a arquitetura e a geometria da suspensão posterior para melhorar a dinâmica na condução e aumentou a potência da mecânica com 4 cilindros e 0,7 litros, que tinha apenas 10,5 cv na configuração modernizada em… 1923.

Chapman aventurou-se com o Mark I em várias corridas privadas, aí encontrando financiamento e parceiros para a criação da Lotus, quatro anos depois, de olho na competição. Os automóveis foram tão bem-sucedidos, devido à criatividade e ao talento do desenhador e engenheiro, que a marca conseguiu aumentar a produção para satisfazer procura que não parava de aumentar. Em 1956, o britânico atingiu a Fórmula 1, mas a carreira paralela de piloto levou-o apenas ao G.P. de França de 1956. No circuito de Reims, durante os treinos livres, Colin colidiu com Mike Hawthorn, parceiro de equipa na Vanwall, feriu-se e passou para o lado de fora das pistas, privilegiando a técnica à condução!

O resto da história conhece-se melhor. Chapman, transpondo para o automóvel conceitos da indústria aeronáutica, revolucionou a F1, onde dividiu protagonismo com John Cooper. Sob a direção de Colin, de 1962 e 1978, a Lotus ganhou sete títulos de construtores, seis de pilotos e, ainda, a edição de 1965 das 500 Milhas de Indianápolis. Em simultâneo, popularizou a monocoque, estrutura em alumínio que estreou em 1962, (campeão em 1963 e 1965), provou a importância da aerodinâmica no desenho dos monolugares, etc. A escuderia saiu do Mundial, mas continua no top-5, com 81 vitórias – melhores, somente Ferrari (237), McLaren (182), Williams (114) e Mercedes (97)!

Colin Chapman morreu em dezembro de 1982, aos 54 anos, vítima de ataque cardíaco. No mesmo dia, a Lotus experimentou a primeira suspensão ativa na F1! A equipa adotá-la-ia em 1983, no 92. A competição está no ADN da marca. Encontrava-se no Elite-1958, desportivo de dois lugares com monocoque em fibra de vidro, motor dianteiro (4 cilindros, 1,2 litros, 105 cv) e tração traseira, encontra-se no Exige-2016: esqueleto em alumínio, carroçaria em materiais compósitos, motor central (6 cilindros, 3,5 litros, 350 cv) e tração traseira.

Muito recentemente, a Lotus atualizou o modelo que introduziu em 2000, primeiro apenas como versão mais extrema do Elise de 1996 (tornou-se produto autónomo somente em 2012, por ocasião do lançamento da Série III). Os princípios de construção desenvolvidos por Colin Chapman mantêm-se. Estrutura leve, chassis equilibrado, número mínimo de componentes e equipamentos. O Sport 350 posiciona-se na base da gama, abaixo do Sport 410 (416 cv) e do Cup (436 cv). Nos três desportivos, motores de 6 cilindros, de origem Toyota, todos com sistemas de sobrealimentação baseados em compressores volumétricos (o do Sport 350 é da Harrop). Existem duas variantes: coupé e roadster. Nas estradas muito sinuosas da região montanhosa de Montserrat, situada cerca de 50 km a noroeste de Barcelona, experimentámos apenas a primeira. Como cartão de visita, 3,21 kg/cv!

 

Divertido e excitante

No léxico da Lotus, sem surpresa, ignora-se a palavra conforto. No Exige, entradas e saídas do cockpit obrigam-nos a exercícios de contorcionismo. Os bancos estão poucos centímetros acima do piso e o acesso ao cockpit de dois lugares é estreitíssimo, principalmente em altura. Em contrapartida, a posição de condução é incrível. O volante não possui regulação, o assento desloca-se apenas longitudinalmente, os retrovisores exteriores ajustam-se de forma manual e a proximidade do passageiro sentado ao lado, excessiva, limita muito a liberdade de movimentos! Num desportivo puro e duro, compreende-se. Nem compromissos, nem concessões. Aqui, como mordomias, só a climatização e o som ou o comando elétrico dos vidros, que são fabricados em plástico, pois claro. Compreende-se a fórmula: grama a grama, aumenta-se e diminui-se o peso e, na Lotus, menos em vez de mais sempre no topo das prioridades...

O motor arranca após pressão no comando da ignição localizado à esquerda do volante e a leveza do Exige sente-se quase instantaneamente. A direção não tem assistência elétrica e, por isso, torna a condução em cidade fatigante, característica que recompensa com rapidez e precisão incríveis. As inserções em curva são intuitivas e limpas, mesmo exagerando-se na velocidade de entrada. A sensação é sempre de controlo da ação, devido à rigidez e ao equilíbrio do chassis. Conforto? Zero! A suspensão combina amortecedores Bilstein com molas Eibach e não tolera pisos irregulares, mas mantém o carro sobre os carris até nos limites da aderência, que aparecem depois de derrubadas as barreiras do bom-senso! Ainda assim, exagerando-se, conte-se com a capacidade de sistema de travagem de competição, com os discos de grande diâmetro mordidos por pinças de quatro pistões da especialista AP Racing, nome que constitui certificado de garantia de potência e resistência à fadiga acima da média.

Os genes de carro das corridas explicam a condução divertida. O desportivo, em Montseratt, movimentou-se muito ágil, precisa, rápida e seguramente de curva para curva e impressionou, também, pela estabilidade direcional nas retas – até conduzindo-se a alta velocidade. Mas, além da leveza excecional e da regulação ótima do chassis, registámos o comportamento formidável de motor que reage de forma instantânea nas acelerações e nas recuperações. Assim, performances excitantes, vide 0-100 km/h em menos de 4 s! A caixa otimiza as sensações. O escalonamento é curto e o comando arrebatador.

A experiência de condução do Exige Sport 350 é intensa. De série, «Dynamic Performance Management» (DPM) com três modos de ação: Drive, Sport, Race. O segundo e o terceiro aumentam a rapidez de resposta do motor ao acelerador e o terceiro intervém na atuação do controlo de tração (ativando-o, permite-se que a traseira escorregue ligeiramente antes do socorro eletrónico). Os britânicos também melhoraram diversos componentes aerodinâmicos: a asa traseira, redesenhada, gera mais carga descendente (downforce), por isso baixando o centro de gravidade do automóvel, o que beneficia a dinâmica, e melhora a refrigeração do motor!

No programa Exclusive, muitos equipamentos para personalização, incluindo tejadilho, aileron, difusor, splitter e bancos em fibra de carbono.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

LOTUS EXIGE

Sport 350

Motor
Arquitetura 6 cilindros em V
Capacidade 3456 cc
Alimentação Inj. indireta, Compressor, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c/24 v
Potência 350 cv/7000 rpm
Binário 400 Nm/4500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. braços duplos
Suspensão T Ind. braços duplos
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Hidráulica/-
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,084/1,802/1,129 m
Distância entre eixos 2,37m
Mala -
Depósito de combustível 40 litros
Pneus F 205/45 ZR17
Pneus T 265/35 ZR18
Peso 1125 kg
Relação peso/potência 3,21 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 274 km/h
Acel. 0-100 km/h 3,9 s
Consumo médio 10 l/100 km
Emissões de CO2 225 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Intervalos entre revisões -
Imposto de circulação (IUC) -

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