Peugeot 508 SW

Melhor só ‘premium’

Apresentação

Por Ricardo Jorge Costa 24-02-2019 09:00

A Peugeot manteve os traços essenciais do design acutilante da berlina da nova geração do modelo 508, que apelidou de Fastback em alusão às linhas desportivas da secção traseira, mergulhantes, como estão a transformar-se os três volumes dos sedãs clássicos, e estendeu-os – literalmente, em 3 centímetros –, à estreante carrinha SW. Nesta, o formato remete para o de ‘shooting brake’.

O novo 508 SW mede 4,78 metros de comprimento, menos 5 cm do que a sua antecessora e os referidos mais 3 cm do que a berlina congénere, cujo início de comercialização, há duas semanas, coincidiu com a apresentação e a primeira condução da nova carrinha. O encurtamento daquela medida comparativamente à do modelo anterior resulta da diminuição da distância entre eixos (embora não proporcional, apenas 2,4 cm), que advém do recurso a uma nova plataforma, mais moderna e modular. Também em consequência dessas reduções, a bagageira do novo 508 SW perde 30 litros ainda para a sua predecessora, totalizando agora ainda generosos 530 litros de capacidade na configuração convencional, com os cinco lugares da lotação do veículo. Rebatendo, então, os encostos dos bancos traseiros (poder-se-á fazê-lo apenas na proporção 60:40), através de um sistema com dois comandos acessíveis de ambos os lados da bagageira, obtém-se um piso praticamente plano e um volume total de carga de 1780 litros. Acrescente-se que a porta deste compartimento pode ser acionada por mecanismo elétrico (e mãos livres) e a superfície de carga está 6 cm mais baixa do que na nova berlina (63,5 cm ao solo) e é 2,4 cm mais larga do que a desta. E a chapeleira é escamoteável.

A habitabilidade da carrinha é superior à da berlina, por a altura ao teto nestes lugares ser-lhe 1,7 cm superior e os encostos dos bancos posteriores podem inclinar-se a 27° para maior conforto. Passageiros de 1,80 metros não encontram restrições à comodidade. O teto de abrir panorâmico com ampla superfície vidrada é opcional. No resto, no espaço ao nível das pernas e em largura, ocupantes com aquela estatura continuam a acomodar-se bem, ainda que, em número de três, o que se sente ao centro encontre menos conforto.

À semelhança da nova berlina, a SW conta com a mais recente interpretação do i-Cockpit, que se caracteriza pelo painel de bordo com instrumentação em posição cimeira ao volante de dimensões compactas. A instrumentação totalmente digital é de série em qualquer nível de equipamento, com ecrã de 12,3’’, e na consola está instalado um monitor tátil de 8” (ou 10” na versão mais avançada) de alta resolução (a partir do nível de equipamento Allure, intermédio). É zelosa a eleição dos materiais, o rigor nos acabamentos e a sofisticação tecnológica, de que destacamos os botões metalizados em alinhamento do tipo piano para acesso rápido às principais funcionalidades.

A gama de motores é composta por duas unidades a gasolina de 1,6 litros (PureTech) com 180 ou 225 cv e três Diesel (BlueHDi), de 1,5 litros de 130 cv (em substituição do 1,6 de 120 cv) e de 2 litros com 160 cv (anteriormente 150) e de 180 cv, todos com caixa automática de 8 velocidades (EAT8), ou manual de 6 velocidades apenas para o 1.5 BlueHDi.

Foi com esta motorização última (que será, segundo a Peugeot, a mais comercializada em Portugal) associada a caixa automática EAT8 que conduzimos na apresentação internacional do modelo, no nosso país. Apesar de ser a menos potente do catálogo, não menoriza a inspiração desportiva do automóvel, disponibilizando-se sempre a corresponder a preceito às pressões no acelerador, e desde os mais baixos regimes. De qualquer modo, é na relação entre prestações e consumo que mais impressiona, beneficiando da frugalidade deste último, que pode ficar-se pelos 5 l/100 km sem grande zelo pela economia na condução.

O alinhamento de motorizações é idêntico ao da berlina, dispondo, desde já, de homologação de acordo com a norma Euro6.2 temp, em antecipação às exigências da norma Euro6.d que entra em vigor a partir de janeiro de 2020, e cumprem também as normas para as emissões de óxidos de azoto. Os valores de emissões de CO2 têm em conta os novos requisitos técnicos da norma WLTP, que consiste na harmonização entre os consumos homologados e os consumos obtidos em utilização pelos clientes.

Baseada na plataforma EMP2 do Grupo PSA, que permitiu a redução do peso (70 kg, em média, em relação à geração anterior) e a adoção de suspensão traseira independente multibraços com amortecimento variável em três modos, Normal, Conforto e Sport (de série na versão de equipamento GT e nos motores gasolina, e opcional nos Diesel de 2 litros), e uma parafernália de sistemas de assistência à condução contribuem para compromisso exímio entre eficácia, agilidade e conforto, atribuindo à nova carrinha uma declinação desportiva sem prejuízo à comodidade.

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