BMW Z4 M40i

Mestre da sedução

Apresentação

Por Paulo Sérgio Cardoso 29-12-2018 09:00

A linhagem de roadsters da BMW tem já história feita, mais não seja pela presença enquanto estrela de cinema, com Z3 e Z8 a surgirem como companheiros de adrenalina do mais famoso espião do Mundo, James Bond. E a nova geração do Z4, que testámos em estradas nacionais, é (finalmente!) um digno sucessor dessa carreira cinematográfica, em particular por representar um regresso às origens mais puristas do conceito, com capota de lona em lugar do tejadilho rígido retrátil que tornou a anterior geração do roadster mais próxima do rival Mercedes SLK, mas verdadeiramente mais afastada do ADN da BMW: prazer de condução.

Logo pelo aumento das dimensões exteriores (em particular no comprimento e largura de vias) percebe-se que o novo Z4 representa enorme upgrade, como que querendo aproximar-se de um tal de Porsche 718 Boxster, em particular na pujante versão testada, M40i, animada por motor de 6 cilindros em linha, sobrealimentado, com 340 cv.

Maior, mais refinado; mais maduro, confortável e requintado, não deixa de lado a tónica da condução e o envolvimento do condutor na ação. Segundo os técnicos da marca, as ligações ao solo utilizam geometria herdada de M3/M4, o que só pode representar imensa interação com a estrada e uma precisão acutilante em resposta à direção. Precisamente o que mais surpreendeu neste primeiro contacto dinâmico, com o novo Z4 a deixar-se moldar às curvas com tremenda fluidez e motricidade, ao ser capaz de garantir mais leitura mesmo com níveis de amortecimento mais brandos – recorde-se que o anterior Z4, extremamente seco no contacto com a estrada, como que parecia uma tábua inflexível na abordagem às curvas, faltando um pouco de ligação entre a frente e a traseira do roadster, tornando a condução mais agressiva.

A capota de lona, operada eletricamente, possível de fazer com a viatura em andamento até aos 50 km/h, demorando não mais que 10 segundos, está perfeitamente integrada com a restante carroçaria, em particular pelo design da traseira, a inspirar performance! À frente e atrás, óticas de tecnologia LED, com a versão M40i (topo de gama, por agora...) a fazer-se acompanhar de jantes de 18’’ e pneus de elevada aderência/performance, discos de travão sobredimensionados com assinatura M, suspensão adaptativa e diferencial autoblocante. Na exploração dos 340 cv, caixa automática de 8 velocidades com programa de arranque e patilhas no volante para comando sequencial, que se notou rápido e incisivo na atuação. As capas dos retrovisores, bem como os contornos da grelha dianteira e das tomadas de ar frontais surgem, nesta versão, em tom cinza.

À semelhança do exterior, o habitáculo do novo Z4 também fascina pelos apontamentos de design que evocam um elevado estágio de apuro tecnológico, decorrente da integração do monitor central tátil na consola/tablier e do painel de instrumentos digital, partilhando a disposição ergonómica com o Série 8. Tudo parece resultar esteticamente bem, mas o certo é que ao habitáculo do Z4 faltam locais de arrumo à mão, para despejar os bolsos: as bolsas nas portas são muito estreitas e até o espaço sob o apoio de braços central é demasiado baixo para acolher uma carteira de homem. Por outro lado, a bagageira cresceu exponencialmente ao anterior Z4, agora capaz de receber 281 litros, independentemente de a capota estar colocada ou recolhida – uma das mais-valias da lona aos tetos rígidos retráteis, além, obviamente, do peso mais reduzido. A qualidade geral é agora elevadíssima, em particular pelo revestimento do tablier em pele no M40i e versões M Sport e Sport Line.

A posição de condução vinca este regresso ao passado em matéria purista, sendo baixa e envolvente. Mas existiu enorme preocupação em fazer do novo Z4 um clássico verdadeiramente moderno, agora albergando compromissos de bem-estar, conforto e tecnologia ao serviço não só da condução, como também do quotidiano.

Os 340 cv do M40i não assustam ninguém, embora sejam suficientes para arranques de 0-100 km/h em 4,6 s! A condução surge naturalmente fluída mesmo quando se puxa pelas qualidades do chassis e suspensões, sendo para tal ideal a seleção dos modos de condução Sport. A acompanhar as respostas mais impetuosas de acelerador, suspensão e direção (mas sem nunca cair na tentação de tornar o Z4 num roadster radical ou viril de se levar!), surge tom de escape igualmente mais encorpado, em particular na altura das passagens de caixa. Somatório que não deixa de ser emotivo e forte, mas que também não é agora exasperante como noutros tempos, querendo-se andar com o Z4 a ritmos normais...

Se a evolução do iDrive parece confirmar a desejada simplicidade de algumas funções, já o grafismo do painel de instrumentos digital não nos pareceu o mais claro, podendo haver dificuldades em leituras imediatas, particularmente no que concerne à indicação do regime do motor.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

BMW Z4

M40i

Motor
Arquitetura 6 cilindros em linha
Capacidade 2998 cc
Alimentação Injeção direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./24v
Potência 340 cv/5000-6500 rpm
Binário 500 Nm/1600-4500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Duplos triângulos
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,324/1,864/1,304 m
Distância entre eixos 2,47m
Mala 281 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 9jx18 - 255/40 R18
Pneus T 10jx18 - 275/40 R18
Peso 1610 kg
Relação peso/potência 4,7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,6 s
Consumo médio 7,1 l/100 km
Emissões de CO2 162 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Intervalos entre revisões -
Imposto de circulação (IUC) -

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